Amor na Tempestade

Capítulo 1

por Isabela Santos

Ah, que delícia mergulhar em mais uma história de amor, daqueles que fazem o coração bater mais forte e a gente suspirar em cada página! Isabela Santos, seu nome já me soa como promessa de emoções à flor da pele. Vamos lá, deixemos a inspiração fluir como as águas de um rio caudaloso, moldando a terra e os corações que encontraremos.

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Capítulo 1 — O Encontro Sob a Chuva de Paranaguá

O ar denso de Paranaguá, impregnado do salgado marinho e do cheiro úmido da Mata Atlântica que abraça a cidade, parecia prever a tempestade que se formava no céu e na vida de Helena. A chuva fina e persistente, típica do litoral paranaense em fins de tarde de outono, já começava a cair, transformando as ruas de paralelepípedos em espelhos escuros onde as luzes dos postes se refletiam em borrões dourados. Helena apertou o passo, o guarda-chuva vermelho vivo lutando contra um vento traiçoeiro que tentava virá-lo do avesso. Ela detestava se atrasar, e hoje, mais do que nunca, precisava estar no seu melhor. A reunião com os investidores era crucial para o futuro da livraria da família, um legado que ela jurara proteger com unhas e dentes.

Seus saltos faziam um barulho ritmado contra o chão molhado, um som solitário na rua que começava a se esvaziar. As casas antigas, com suas varandas de madeira e janelas emolduradas por flores vibrantes, pareciam observar sua pressa. Helena sentiu um arrepio, não apenas pelo frio que a chuva trazia, mas por uma estranha sensação de que algo importante estava prestes a acontecer. Ela sempre fora uma pessoa de sensibilidade aguçada, uma característica que a tornava uma excelente leitora e, ironicamente, uma romântica incurável, apesar das duras lições que a vida lhe ensinara.

De repente, um borrão escuro e veloz passou por ela, quase a derrubando. O impacto a fez perder o equilíbrio por um instante, e o guarda-chuva quase escorregou de suas mãos.

“Ei! Cuidado!”, exclamou, com a voz embargada pela surpresa e um toque de irritação.

Quem a havia esbarrado não era um carro, mas um homem. Um homem alto, envolto em um casaco escuro que parecia absorver a pouca luz. Ele parou abruptamente, virando-se para ela com uma expressão que ela não conseguiu decifrar na penumbra e na chuva que embaçava os detalhes. Seus cabelos escuros estavam levemente úmidos, e os olhos, profundos e intensos, pareciam fitá-la com uma urgência incomum.

“Me perdoe! Mil desculpas!”, a voz dele era rouca, com um sotaque carregado que ela não identificou de imediato. Era um sotaque que trazia consigo algo do Sul, talvez. “Eu… eu não a vi direito. Estava distraído.”

Helena ajeitou o guarda-chuva, sentindo o coração bater um pouco mais rápido. Havia algo nele que a desarmava. A forma como ele pedia desculpas, a intensidade do seu olhar… Não era a atitude casual de alguém que apenas esbarrou em um desconhecido.

“Tudo bem”, ela respondeu, tentando recuperar a compostura. “Só… um pouco assustada.”

Ele deu um passo na direção dela, seus olhos varrendo seu rosto como se buscassem algo. “Você está bem? Não se machucou?”

A preocupação genuína em sua voz a tocou. “Estou bem, obrigada. Só preciso chegar ao meu destino.” Ela apontou com o queixo para um casarão antigo, iluminado por dentro, com uma placa discreta de “Consórcio Paranaguá Investimentos”. “Tenho uma reunião importante.”

Um lampejo de reconhecimento, ou talvez de resignação, cruzou o rosto dele. “Ah, sim. O casarão dos Silveira.”

Helena ergueu uma sobrancelha. “O senhor conhece?”

Ele sorriu, um sorriso rápido, mas que iluminou seus traços de uma forma surpreendente. “Conheço o lugar. E, digamos, a situação.” Ele hesitou, e Helena pôde sentir a hesitação, a luta interna dele. “O senhor…?”

“Rafael. Rafael Montenegro”, ele se apresentou, estendendo uma mão.

Helena demorou um segundo para aceitar o cumprimento. A mão dele era forte, quente apesar do frio da chuva. “Helena Alencar.”

O nome dela pareceu ressoar nele. Seus olhos se arregalaram levemente. “Alencar… A livraria?”

Um arrepio percorreu Helena. Como ele sabia? Ela não era exatamente uma figura pública em Paranaguá, embora a livraria “O Saber de Todos” fosse uma instituição na cidade.

“Sim”, ela respondeu, cautelosa. “A livraria é da minha família.”

Rafael Montenegro deu um passo para trás, seus olhos ainda fixos nela, agora com uma mistura de surpresa e algo mais, algo que ela não conseguia nomear. “Então… você é a dona daquela maravilha?”, ele disse, a voz um pouco mais baixa.

“É… estamos lutando para mantê-la”, admitiu Helena, a preocupação voltando à tona. “Por isso a reunião.”

Rafael olhou para o casarão, depois para Helena, e um turbilhão de emoções parecia passar por seus olhos. O vento uivou, e a chuva se intensificou, batendo forte contra o asfalto.

“Eu… eu também tenho uma reunião lá dentro”, ele disse, sua voz carregada de um peso inesperado. “Só que do outro lado da mesa.”

Helena sentiu um aperto no peito. Outro lado da mesa. Investidores. Aquele era o homem que poderia decidir o destino de décadas de história, de sonhos e de trabalho árduo de sua família. O homem que esbarrara nela na chuva, que a fizera sentir uma conexão instantânea, era seu antagonista. O destino tinha um senso de humor cruel.

“Entendo”, ela disse, a voz um pouco trêmula. A chuva agora caía em torrentes, e ela sentiu o tecido fino de seu casaco começar a encharcar. “Bem, senhor Montenegro, parece que nossos caminhos se cruzaram de uma forma… interessante.”

Rafael a olhou, e Helena viu nele um conflito silencioso. Havia uma sombra de dor em seus olhos, algo que ia além da mera negociação de negócios. Ele parecia carregar o peso de escolhas difíceis.

“Interessante, de fato, senhorita Alencar”, ele concordou, sua voz tensa. “E talvez mais complicada do que imaginávamos.” Ele fez um gesto em direção à porta do casarão. “Vamos entrar antes que sejamos levados pela maré.”

Helena hesitou por um instante. Entrar naquele casarão com aquele homem, sabendo quem ele era, parecia um ato de coragem desesperada. Mas a chuva, e a necessidade de proteger a livraria, a impulsionaram. Ela assentiu, e juntos, sob o mesmo guarda-chuva agora dividido, eles caminharam em direção à imponente porta de madeira escura. O ar dentro do guarda-chuva ficou eletrizado, um misto de perigo, atração e a incerteza do que o futuro reservava para a livraria e, talvez, para seus próprios corações. A tempestade lá fora parecia apenas um prelúdio da tempestade que se anunciava entre eles. Ao abrirem a porta, o calor e a luz do interior do casarão os envolveram, mas Helena sentiu que o verdadeiro vendaval estava apenas começando.

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