Seduzida pelo Inimigo II

Seduzida pelo Inimigo II

por Ana Clara Ferreira

Seduzida pelo Inimigo II

Autor: Ana Clara Ferreira

Capítulo 21 — O Sussurro da Verdade no Vento Noturno

A noite pairava sobre o Rio de Janeiro como um manto de veludo escuro, pontilhado pelas estrelas indiferentes e pelas luzes urbanas que se espalhavam como joias caídas. No terraço do luxuoso apartamento de Helena, o vento trazia o cheiro salgado do mar misturado ao perfume exótico das flores do jardim suspenso. Helena, com os cabelos negros soltos e um vestido de seda cor de vinho que realçava suas curvas sensuais, observava a cidade que parecia um mar de possibilidades e perigos.

Naquela noite, a quietude parecia esconder uma tempestade iminente. A revelação de que Arthur era, na verdade, o herdeiro da fortuna que ela tanto lutara para recuperar, havia abalado os alicerces do mundo que ela construíra. Não era apenas o dinheiro, mas a traição, a manipulação, o jogo perigoso que ele vinha jogando com sua vida e seus sentimentos. Cada beijo, cada toque, cada palavra de carinho agora pareciam tingidos de falsidade.

Ela sentiu um arrepio percorrer sua espinha, não de frio, mas de uma mistura de raiva e dor. Havia algo em Arthur que a atraía irresistivelmente, uma força magnética que a impelia para ele, mesmo sabendo o quão perigoso era se entregar. Era como ser atraída por uma chama, sabendo que poderia se queimar, mas incapaz de se afastar.

"Ele me usou", sussurrou para o vento, a voz embargada pela emoção contida. "Ele me seduziu para conseguir o que queria."

A imagem de Arthur, com seus olhos penetrantes que pareciam ler sua alma, com seu sorriso enigmático que a desarmava, invadia seus pensamentos. Lembrou-se da primeira vez que o vira, em meio a uma reunião tensa, sua presença dominante, a aura de poder que o envolvia. Naquele momento, ela o vira como um adversário, um obstáculo em seu caminho. Agora, sabia que era mais do que isso. Ele era o próprio labirinto em que ela se perdera.

Um som suave a fez sobressaltar. Arthur apareceu na entrada do terraço, a silhueta recortada contra a luz suave do interior. Ele trajava uma camisa branca aberta no colarinho, que deixava à mostra a pele bronzeada e o início do peito. Seus olhos, naquele momento, pareciam carregar um peso, uma melancolia que Helena não conseguia decifrar.

"Helena", chamou ele, a voz grave e rouca, ecoando na imensidão da noite.

Ela se virou, o coração disparado, tentando controlar a expressão. "O que você quer, Arthur?" A pergunta soou mais fria do que ela pretendia.

Ele caminhou lentamente em sua direção, parando a poucos passos de distância. "Eu preciso falar com você."

"Falar sobre o quê? Sobre como você me enganou? Sobre como você planejou tudo para me tirar o que é meu por direito?" A raiva borbulhava em sua voz, lutando para não explodir.

Arthur fechou os olhos por um instante, como se absorvesse as acusações. Quando os abriu, havia uma vulnerabilidade que a desarmou um pouco. "Não foi bem assim, Helena. E você sabe disso."

"Eu sei que você é o herdeiro. Eu sei que você sabia desde o início e me deixou acreditar em outra coisa." Ela deu um passo para trás, sentindo a necessidade de criar distância entre eles. A proximidade dele era perigosa, um convite a se render novamente ao jogo que ele propunha.

"Eu nunca quis te machucar", disse ele, a voz quase um sussurro. "Mas as circunstâncias me forçaram a agir de certas maneiras."

"Circunstâncias? Arthur, você jogou com minha vida! Com meus sentimentos!" A voz dela começou a falhar. Lágrimas teimosas ameaçavam escapar.

Ele deu mais um passo à frente, estendendo a mão em um gesto hesitante. "Eu sei que parece. Mas o que eu senti por você... isso não foi um jogo."

"Não me toque!" A voz dela saiu num grito abafado. "Não venha com essa história de sentimentos agora. Você é um manipulador, Arthur. Você sempre foi."

Ele recolheu a mão, um nó se formando em sua garganta. A dor em seus olhos era palpável. "Talvez eu tenha sido. Talvez eu tenha cometido erros terríveis. Mas eu te amo, Helena. E isso é a verdade mais pura que eu conheço."

O "eu te amo" pairou no ar, carregado de uma intensidade que fez o corpo de Helena tremer. Era a palavra que ela ansiava ouvir, mas que agora soava como uma arma em suas mãos. Amá-la? Ele a amava? Ou era apenas mais uma estratégia, uma tática de sedução para mantê-la sob seu controle?

Ela o encarou, tentando decifrar a verdade em seus olhos escuros. Havia uma sinceridade ali que a perturbava, uma fragilidade que contrastava com a imagem fria e calculista que ela havia construído dele em sua mente.

"Por que eu deveria acreditar em você, Arthur?" A voz dela era baixa, quase inaudível. "Por que eu deveria acreditar que você não está apenas me enrolando mais uma vez?"

Ele deu um passo à frente, e desta vez, Helena não recuou. Eles estavam próximos o suficiente para sentir o calor um do outro, para ouvir a respiração um do outro. O perfume dele, uma mistura de madeira e algo indescritivelmente masculino, a envolvia, desarmando suas defesas.

"Porque eu nunca me senti assim com ninguém, Helena", disse ele, a voz carregada de emoção. "Porque você me mostrou um lado de mim que eu desconhecia. Porque o meu amor por você é a única coisa que eu tenho de verdadeiro neste mundo."

Ele levantou a mão e, com a ponta dos dedos, afastou uma mecha de cabelo que caíra sobre o rosto dela. O toque era leve, quase reverente. Helena fechou os olhos por um instante, sentindo a eletricidade que percorria seu corpo. Era um toque que prometia, que seduzia, que a levava para um abismo de sensações.

"Eu não sei se consigo", sussurrou ela, abrindo os olhos e encarando os dele. "Eu não sei se posso confiar em você."

"Eu sei que é difícil", respondeu ele, seus olhos fixos nos dela. "Mas me dê uma chance. Uma chance para provar que o que eu sinto é real. Uma chance para consertar as coisas."

A noite parecia ter se curvado a eles, o silêncio se tornando um cúmplice dos seus corações em conflito. A cidade, lá embaixo, continuava seu ritmo frenético, alheia ao drama que se desenrolava naquele terraço isolado. Helena sentiu-se dividida entre a cautela e o desejo, entre a razão e a emoção que pulsava em suas veias. Arthur, o inimigo, o sedutor, o homem que a havia traído, agora se apresentava como um amante atormentado, implorando por perdão e por uma nova chance. E, para seu desespero, uma parte dela, a parte mais vulnerável e apaixonada, começava a ceder.

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