Seduzida pelo Inimigo II

Capítulo 5 — O Preço da Confiança

por Ana Clara Ferreira

Capítulo 5 — O Preço da Confiança

O La Brasserie, um bistrô charmoso e elegante em Ipanema, fervilhava de clientes na hora do almoço. O aroma de café fresco e pães assados pairava no ar, misturando-se ao som de conversas animadas. Isabella chegou um pouco antes do horário marcado, o coração batendo em um ritmo acelerado, mas sua postura exalava confiança. Ela vestia um tailleur azul marinho, discreto, mas sofisticado, que realçava sua elegância natural. Um leve toque de batom vermelho, e seus olhos castanhos, agora mais focados e determinados, eram sua arma secreta.

Ela se sentou a uma mesa perto da janela, pedindo um suco de laranja fresco. Observava o movimento, os casais passeando pela calçada, as ondas quebrando na praia. Tudo parecia normal, mas ela sabia que a normalidade era apenas uma fachada. Ricardo Almeida estava prestes a entrar em cena, e com ele, a tempestade.

Pouco depois, ele chegou. Sem o terno escuro da noite anterior, Ricardo usava uma camisa social de linho branco, as mangas arregaçadas revelando antebraços fortes. Ele parecia mais relaxado, mas a intensidade em seu olhar permanecia. Ao avistá-la, um sorriso suave surgiu em seus lábios, e ele se aproximou da mesa.

"Isabella. Que pontualidade. Admiro isso em você." Ele se sentou, e o garçom logo apareceu para anotar seu pedido.

"É uma qualidade que aprendi a valorizar, Ricardo", ela respondeu, o tom neutro. Ela o observou enquanto ele pedia um filé mignon mal passado e uma taça de vinho tinto. Ele parecia à vontade, como se aquele encontro fosse a coisa mais natural do mundo.

"Então, vamos direto ao ponto", Isabella disse, após um breve silêncio. "Você mencionou um projeto imobiliário em Ipanema. E uma parceria com a 'Artesanias do Brasil'."

Ricardo assentiu, a expressão séria. "Sim. É um projeto ambicioso. Um empreendimento de luxo, com foco em arte e design. Acredito que a 'Artesanias do Brasil' seria a parceira ideal para a curadoria e decoração das áreas comuns. E, claro, para as lojas. Teríamos uma galeria de arte integrada ao complexo."

Isabella ouvia atentamente, tentando decifrar suas verdadeiras intenções. A proposta era realmente tentadora. Um empreendimento de luxo, com visibilidade garantida. "E qual seria o meu papel nisso, exatamente? E o 'preço generoso' que você mencionou?"

Ricardo a encarou, um brilho nos olhos que ela não conseguia decifrar. "Eu te ofereceria um contrato de exclusividade, Isabella. Com valores que garantiram a estabilidade e o crescimento da sua empresa. Pagamentos antecipados, apoio financeiro para expansão… basicamente, o que você precisa para ter total tranquilidade."

Ele estava falando a linguagem dela, oferecendo exatamente o que ela mais precisava: segurança. Mas a desconfiança era uma sombra persistente em sua mente. "Exclusividade. E o que você ganha com isso, Ricardo?"

"Eu ganho uma parceira talentosa e confiável. Alguém que entende de arte e beleza. E que, admito, tem um bom senso de negócios." Ele deu um gole em seu vinho. "E, talvez, eu ganhe a oportunidade de tentar reconquistar a sua confiança."

Aquelas palavras a atingiram como um raio. Confiança. A palavra que ele havia roubado dela há tantos anos. "Minha confiança, Ricardo, é algo que você perdeu há muito tempo. E não acho que seja algo que se reconquiste com dinheiro."

Ricardo suspirou, um gesto que parecia genuíno. "Eu sei que te magoei, Isabella. E me arrependo profundamente do que aconteceu. Mas eu mudei. As circunstâncias mudaram. O mundo mudou." Ele estendeu a mão sobre a mesa, cobrindo a dela com a sua. A pele dele estava quente, e um arrepio percorreu o braço de Isabella. Ela não retirou a mão, mas sentiu a tensão em seu corpo aumentar.

"Você diz que mudou, Ricardo. Mas o que me garante isso?" A voz dela estava baixa, mas firme.

"A minha palavra. E as minhas ações futuras." Ele apertou levemente a mão dela. "Eu quero consertar as coisas, Isabella. Não apenas entre nós, mas também para a 'Artesanias do Brasil'. Eu quero ver você prosperar. Eu quero trabalhar com você."

Os olhos deles se encontraram. Havia algo nos olhos de Ricardo que a perturbava. Uma sinceridade? Ou apenas uma atuação perfeita? Ela se lembrou da época em que ele a seduziu, das promessas sussurradas ao pé do ouvido, do amor que parecia tão real. A memória a assustava. Ela não podia se dar ao luxo de cair na mesma armadilha novamente.

"Eu preciso pensar, Ricardo", ela disse, retirando a mão suavemente. "Essa proposta é muito importante. E a decisão não é apenas minha. A 'Artesanias do Brasil' é o legado do meu pai."

"Eu entendo. E respeito isso." Ele sorriu, um sorriso que parecia carregar um pouco de alívio. "Tire o tempo que precisar. Mas saiba que a minha oferta é genuína. E que eu estou aqui para conversar, sempre que você quiser."

O almoço terminou em uma nota de incerteza. Ricardo parecia sincero, mas Isabella não conseguia se livrar da sensação de que algo não estava certo. Ele havia jogado a isca, e ela, por mais cautelosa que fosse, havia mordido.

Ao voltar para o seu escritório, Isabella sentiu-se dividida. A proposta de Ricardo era irrecusável, uma oportunidade de ouro para a "Artesanias do Brasil". Mas a desconfiança em relação a ele era um veneno que corroía sua razão. Ela sabia que ele era um homem perigoso, um mestre da manipulação.

Clara a encontrou sentada em sua mesa, olhando para o vazio. "E então? Como foi o almoço com o 'inimigo'?"

Isabella suspirou. "Ele fez uma proposta, Clara. Uma proposta irrecusável, na verdade. Um contrato de exclusividade, apoio financeiro… tudo o que precisamos para crescer."

Clara arregalou os olhos. "Sério? E você o quê?"

"Eu disse que preciso pensar. Mas ele… ele parece ter mudado, Clara. Ele falou sobre me reconquistar. Sobre consertar as coisas."

Clara balançou a cabeça, apreensiva. "Isa, cuidado. Ele é o Ricardo Almeida. Ele sabe exatamente como te manipular. Não se deixe levar pelas palavras dele. Ele sempre teve um plano."

"Eu sei. Mas e se ele estiver falando a verdade? E se ele realmente mudou?" A dúvida era evidente em sua voz.

"E se ele não mudou? E se for apenas mais uma estratégia para te derrubar de novo? Você se lembra do que ele fez com o seu pai? Com a sua vida?" Clara se aproximou dela. "A 'Artesanias do Brasil' está crescendo por mérito seu, Isa. Não precisamos dele. Não dependemos dele."

Isabella assentiu. Clara estava certa. Ela havia construído a empresa do zero, com suor e lágrimas. Ela não precisava de Ricardo Almeida. Mas a tentação era forte. A chance de ter os recursos que ele oferecia, de expandir seus negócios sem a preocupação constante com o dinheiro… era um sonho.

Naquela noite, Isabella mal dormiu. As palavras de Ricardo ecoavam em sua mente. A promessa de um futuro melhor, a possibilidade de perdão. Mas a sombra da traição pairava sobre tudo. Ela se sentia dividida entre a cautela e a esperança. Entre o medo e o desejo.

Ela sabia que a decisão que tomaria teria consequências profundas. E, pela primeira vez em muito tempo, Isabella Dantas não tinha certeza se estava do lado certo da linha tênue entre a vingança e a reconciliação. Ela estava prestes a se aproximar novamente do homem que a destruiu, e o preço da confiança, ela temia, poderia ser o seu destino.

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