O Homem Perfeito III

Capítulo 12 — A Rede de Traições e o Despertar da Guerreira

por Ana Clara Ferreira

Capítulo 12 — A Rede de Traições e o Despertar da Guerreira

A sala de biblioteca, outrora um refúgio de paz e silêncio, agora pulsava com a eletricidade de uma confissão e o peso de um segredo devastador. A voz de Sofia, outrora um sussurro trêmulo, ecoava nas paredes de madeira escura, cada palavra uma pedra lançada contra o espelho polido da família Bastos. Helena sentia o chão se abrir sob seus pés, a realidade que ela conhecia se desfazendo em mil pedaços. A noite de gala, com seu brilho falso e sorrisos forçados, agora parecia um palco macabro para a desintegração de sua vida.

Marco, parado na entrada, era a personificação da calma tensa. Seus olhos escuros, que antes a atraíam com uma intensidade magnética, agora pareciam abismos frios, escondendo um oceano de verdades inconfessáveis. A mão estendida em sua direção, que um dia representou proteção e paixão, agora se assemelhava a uma garra, prestes a aprisioná-la em sua teia de mentiras.

“Você não entende, Helena”, a voz dele, embora suave, carregava um timbre de comando que a fizera obedecer em outras ocasiões. Mas agora, algo dentro dela havia mudado. A revelação de Sofia havia acendido uma chama de revolta, um instinto primitivo de sobrevivência que a impelia a lutar. “Algumas verdades são perigosas. Elas podem destruir tudo o que construímos.”

Helena deu um passo para trás, o vestido de seda azul-marinho parecendo agora um manto de impostura. “E mentiras constroem algo sólido, Marco? Elas trazem paz?” A voz dela, embora ainda abalada, ganhava uma força que a surpreendia. “Eu quero a verdade. Toda a verdade.”

Sofia, encolhida no sofá, parecia um pássaro assustado, mas seus olhos, fixos em Helena, transmitiam um apoio silencioso, uma força emprestada. Ela havia decidido falar, e não voltaria atrás.

Marco suspirou, um som quase imperceptível, mas carregado de resignação. Ele sabia que o jogo havia mudado. A vulnerabilidade que ele via em Helena era real, mas agora estava temperada com uma determinação que ele subestimara. “Helena, você está emocionalmente abalada. Precisamos sair daqui, ir para um lugar seguro, onde possamos conversar com calma.”

“Seguro? Onde você quer me levar, Marco? Para uma gaiola dourada onde eu não possa questionar nada?”, Helena respondeu, a ironia tingindo sua voz. Ela olhou para Sofia, que assentiu levemente, como quem confirma um pacto silencioso. A governanta, com sua lealdade inabalável, era agora sua única aliada naquele labirinto de traições.

Ricardo, que havia entrado na biblioteca discretamente, atraído pelo burburinho incomum, observava a cena com preocupação crescente. Ele sabia que algo sério estava acontecendo, algo que envolvia Helena diretamente.

“Helena?”, ele chamou, sua voz um fio de esperança no meio da tensão.

Marco virou-se abruptamente, o olhar de Marco encontrando o de Ricardo com uma hostilidade velada. “Ricardo. O que faz aqui? Creio que esta conversa é privada.”

Ricardo ignorou o aviso. Ele caminhou até Helena, seus olhos transmitindo compaixão. “Eu ouvi parte da conversa. Helena, se você precisar de ajuda… se precisar de um lugar para ir… eu posso te ajudar.”

A oferta de Ricardo era genuína, um farol em meio à escuridão. Mas Helena sabia que não poderia fugir. A verdade estava ali, naquelas paredes, e ela precisava desenterrá-la.

“Obrigada, Ricardo”, ela disse, sua voz mais firme. “Mas eu preciso ficar. Eu preciso entender tudo.”

Marco deu um passo em direção a Helena, seus olhos fixos nos dela, tentando uma última vez apelar para a conexão que eles compartilhavam. “Helena, o doutor Vianna, ele era meu amigo. E eu era jovem. Eu não sabia o que fazer. Eu só queria proteger a memória do seu pai, e a reputação da nossa família. Glória me pressionou. Ela disse que era a única maneira.”

As palavras de Marco, embora confessassem um envolvimento, pintavam um quadro de vítima, de alguém manipulado. Mas Helena não conseguia apagar a imagem da marca no pescoço de seu pai, a marca que Sofia descreveu.

“Proteger a memória?”, Helena repetiu, a voz embargada de dor e raiva. “Ou encobrir um assassinato?”

O trovão lá fora ribombou com mais força, um prenúncio da tempestade que se abatia sobre eles. A energia elétrica da mansão piscou, lançando sombras dançantes pelas paredes, como se a própria casa estivesse em agonia.

De repente, a porta da biblioteca se abriu com estrondo. Era Dona Glória, seu rosto uma máscara de fúria contida. Seus olhos dourados cravaram-se em Sofia, e depois em Helena, e por último em Marco, que ainda tentava conter a situação.

“O que diabos está acontecendo aqui?”, a voz dela era um chicote. “Esta festa é um circo de horrores? Helena, você está sujando o nome da família com essa história ridícula?”

“História ridícula, Dona Glória?”, Helena retrucou, sentindo uma onda de adrenalina percorrer seu corpo. A guerreira dentro dela finalmente despertara. “A história ridícula é o assassinato do meu pai e o encobrimento que vocês orquestraram!”

Glória empalideceu, mas sua expressão endureceu. “Cale a boca, sua insolente! Você não sabe do que está falando. Seu pai cometeu erros. Erros graves que poderiam nos arruinar. Fomos forçados a tomar uma decisão difícil.”

Marco tentou intervir. “Mãe, por favor…”

“Silêncio, Marco!”, Glória o cortou, a raiva transbordando. “Você é um tolo por ter se envolvido nisso. Mas eu, eu sou a matriarca desta família. E eu garanto que este escândalo não virá à tona.” Ela se virou para Helena, um brilho ameaçador em seus olhos. “Você vai esquecer tudo isso, Helena. Ou as consequências serão… desagradáveis.”

Helena sentiu um misto de medo e determinação. Ela sabia que Glória era perigosa, capaz de qualquer coisa para proteger seus segredos. Mas ela também sabia que não poderia mais se curvar à sua vontade.

“Eu não vou esquecer”, Helena disse, sua voz ecoando na biblioteca. “Eu vou descobrir a verdade, Dona Glória. E a justiça será feita.”

Um relâmpago iluminou o rosto de Glória, revelando a frieza calculista por trás da máscara de indignação. “Justiça? Você não tem ideia do que está pedindo, menina. A justiça é uma ilusão. O poder é a única coisa que importa.”

Nesse momento, um alarme soou na mansão, um toque estridente e urgente. Todos se viraram na direção da entrada da biblioteca, onde seguranças surgiram, seus rostos tensos.

“Senhora Bastos”, disse um deles, dirigindo-se a Glória. “Invadiram a propriedade. Vários homens armados. Estão indo em direção à casa principal.”

O pânico começou a se instalar. A festa beneficente, que deveria ser um evento de alta sociedade, havia se transformado em um cenário de crise.

Marco, com uma agilidade surpreendente, pegou Helena pelo braço. “Precisamos sair daqui. Agora.”

Ricardo se colocou entre Helena e Marco, protegendo-a. “Eu não vou deixar que você a leve a lugar nenhum, Marco. Ela precisa de segurança, não de mais perigo.”

Glória, apesar do choque inicial, recuperou a compostura rapidamente. “Todos para o bunker! Rápido!”

A mansão, que antes era um símbolo de poder e opulência, agora era um campo de batalha. A rede de traições, outrora oculta sob o verniz da sociedade, havia se desdobrado violentamente. Helena sentiu uma mistura de medo e coragem. Ela estava no centro de um furacão, mas pela primeira vez, sentia que tinha o controle de seu próprio destino. A guerreira dentro dela havia despertado, pronta para enfrentar qualquer um que se colocasse em seu caminho. O homem perfeito, Marco, havia se revelado um enigma complexo, e ela estava determinada a decifrá-lo, custe o que custar. A noite estava longe de terminar.

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