O Homem que Amei II

Claro, aqui estão os capítulos 16 a 20 de "O Homem que Amei II", escritos no estilo de um romancista brasileiro de best-sellers:

por Ana Clara Ferreira

Claro, aqui estão os capítulos 16 a 20 de "O Homem que Amei II", escritos no estilo de um romancista brasileiro de best-sellers:

O Homem que Amei II Autor: Ana Clara Ferreira

Capítulo 16 — O Sussurro das Lembranças e o Furacão Inesperado

O ar na mansão dos Vasconcelos parecia ter ganhado uma nova densidade, um peso palpável que Sofia sentia em cada fibra do seu ser. Os dias após o juramento silencioso com Rafael haviam se desdobrado em uma melodia de esperança, pontuada por olhares cúmplices e toques discretos que prometiam um futuro redesenhado. A tentativa de reconstrução, que parecia tão delicada quanto um castelo de areia, ganhava contornos mais sólidos a cada amanhecer. Sofia se permitia, pela primeira vez em muito tempo, acreditar. A imagem de Rafael, com os olhos marejados, mas firmes, repetindo as palavras que selaram a promessa de um novo começo, ecoava em sua mente como um mantra de redenção.

Ela se pegava sorrindo sozinha, observando o movimento lento do sol através das janelas da biblioteca, um cômodo que se tornara seu refúgio e, agora, também de Rafael. Ele passava horas ali, imerso em documentos antigos, buscando respostas que o passado se recusava a entregar de forma organizada. Sofia o observava de longe, o coração apertado de uma admiração que se misturava à saudade dos tempos em que a vida deles não era um campo minado de segredos.

Naquela tarde, enquanto o aroma do café fresco se espalhava pela casa, a campainha tocou, um som estridente que quebrou a paz aparente. A governanta, Dona Odete, uma senhora de poucas palavras, mas de olhar penetrante, anunciou com um ligeiro tremor na voz: “Senhora Sofia, uma moça… disse que precisa falar com o Senhor Rafael com urgência.”

Sofia sentiu um arrepio. Urgência. A palavra pairou no ar, carregada de pressentimentos. Quem poderia ser? Ela tentou afastar a apreensão, mas uma ponta de receio se insinuou em sua alma. Caminhou até o hall de entrada, onde a moça aguardava. Era jovem, talvez vinte e poucos anos, com um vestido florido que destoava da sobriedade da mansão e um olhar perdido, carregado de uma dor que Sofia reconheceu instantaneamente.

“Pois não?”, Sofia perguntou, a voz suave, mas firme.

A moça ergueu os olhos, azuis como o céu de verão, e pela primeira vez, Sofia viu um lampejo de reconhecimento, seguido de espanto e, em seguida, de uma tristeza avassaladora. “Eu… eu preciso ver o Rafael”, disse ela, a voz embargada. “É sobre… é sobre o meu pai.”

O coração de Sofia deu um salto doloroso. Seu pai. A menção soou como um eco de um tempo esquecido, um tempo de lágrimas e desencontros. “O seu pai?”, Sofia perguntou, a curiosidade misturada a uma angústia crescente. “Quem é o seu pai?”

A moça engoliu em seco, as mãos apertando a alça da pequena bolsa. “O nome dele é Dr. Armando Valença.”

A revelação atingiu Sofia como um raio. Armando Valença. O nome que pairava nas sombras de tantos segredos, o nome que ela ouvira sussurrado em conversas veladas, o nome do homem que, por tantos anos, se tornara a personificação de um amor impossível, um amor que a consumira e a definira.

Rafael apareceu no topo da escada, o rosto levemente marcado pela concentração dos seus estudos. Ao ver a moça, seu corpo petrificou-se por um instante. Seus olhos, tão familiares a Sofia, se arregalaram em choque e uma dor antiga pareceu percorrer seu semblante.

“Helena?”, Rafael chamou, a voz rouca, mal acreditando no que via.

Helena. O nome da filha de Armando Valença. A filha que ele nunca soube que existia. Sofia sentiu o chão sumir sob seus pés. O furacão que ela temia, que ela tentara manter à distância com todas as suas forças, acabara de chegar, varrendo consigo a frágil paz que ela e Rafael haviam começado a construir.

Helena correu para os braços de Rafael, as lágrimas agora desabando em torrentes. “Tio Rafael! Eu… eu não sei mais o que fazer. O meu pai… ele está muito doente. E ele disse… ele disse que você é o único que pode me ajudar a entender tudo.”

Rafael a abraçou com força, o choque inicial dando lugar a uma compaixão profunda. Ele acariciava os cabelos dela, tentando transmitir o conforto que ela tanto precisava. Sofia os observava de lado, um misto de dor, ciúme e perplexidade a invadindo. Aquele abraço, tão íntimo, tão familiar, trazia consigo um passado que Sofia não conhecia, um passado que envolvia Rafael e aquela moça, e, mais importante, o pai dela.

“Calma, minha querida”, Rafael disse, a voz suave, mas firme. “Você está segura agora. Vamos cuidar disso.”

Ele se virou para Sofia, seus olhos transmitindo um pedido de compreensão, de paciência. Mas Sofia não conseguia encontrar as palavras. A mulher que ela era antes, a mulher fragilizada pelas memórias de Armando, a mulher que lutara tanto para se reerguer, sentiu uma onda de insegurança a assaltar. Aquele encontro não era apenas um encontro casual. Era o reencontro de um passado que se recusava a ser enterrado, um passado que ameaçava desmoronar o presente que ela tanto almejara.

O furacão havia chegado. E Sofia sabia, com uma clareza aterradora, que as raízes do futuro que ela e Rafael tentavam plantar agora seriam testadas em meio a ventos de uma tempestade que ela ainda não compreendia. A presença de Helena era mais do que um convidado inesperado; era um portal para um capítulo da história de Rafael e Armando que ela desconhecia, um capítulo que, sem dúvida, mudaria tudo. O silêncio que se instalou na mansão era denso, prenhe de perguntas não feitas e de respostas que pareciam assustadoramente distantes. O novo começo acabara de receber sua primeira, e talvez mais devastadora, provação.

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