Coração em Chamas II

Capítulo 12 — O Refúgio em São Paulo e o Confronto Iminente

por Isabela Santos

Capítulo 12 — O Refúgio em São Paulo e o Confronto Iminente

O amanhecer em São Paulo, um monstro de concreto e aço, era vibrante e caótico. O trânsito, uma sinfonia de buzinas e motores, contrastava com a serenidade que Alice buscava. Ela havia chegado na capital poucas horas após sua partida precipitada da fazenda, com o coração ainda acelerado e a mente nublada pela ansiedade. O Sr. Almeida a esperava em um discreto café no centro, um homem de cabelos grisalhos e olhar perspicaz, que a recebeu com um abraço caloroso e preocupado.

"Alice, minha querida. Que bom que você veio. Mas confesso que estou apreensivo com o que te traz a São Paulo assim, de repente."

Sentada em uma mesa afastada, Alice contou tudo o que sabia, a voz embargada pela emoção contida. Falou da revelação de Sofia, da possível ruína financeira de seu pai orquestrada por Leonardo, e do impacto devastador que tudo aquilo tinha em sua vida e em seu relacionamento com Rafael. Sr. Almeida a ouvia com atenção, assentindo com a cabeça em alguns momentos, a expressão de sua face tornando-se cada vez mais sombria.

"Eu temia isso", ele finalmente disse, após um longo silêncio. "Leonardo sempre teve essa ambição desmedida. Desde jovem, ele sonhava em ter tudo, e não media esforços para conseguir o que queria. O seu pai, um homem íntegro e de bom coração, foi uma vítima fácil para a ganância dele. Lembro-me de conversas que tive com seu pai, ele me confidenciou preocupações sobre alguns negócios que estavam saindo do controle, mas nunca imaginou que a fonte fosse tão próxima."

Ele pegou um guardanapo e um caneta, rabiscando alguns nomes e endereços. "Tenho alguns contatos que podem nos ajudar a desvendar essa teia de mentiras. Há documentos que seu pai guardou, provas que ele pretendia usar caso a situação piorasse. Acredito que alguns deles possam estar com um advogado antigo da família, o Dr. Vasconcelos. Ele é discreto e leal."

Enquanto Sr. Almeida lhe passava as informações, Alice sentia um misto de alívio e medo. Ter alguém para guiá-la naquele labirinto de informações era reconfortante, mas a perspectiva de confrontar Leonardo, de trazer à tona os podres de um passado que a assombrava, era aterrorizante. Ela sabia que essa busca pela verdade a colocaria em rota de colisão não apenas com Leonardo, mas talvez com outras figuras sombrias que se beneficiavam de suas artimanhas.

De volta ao seu antigo apartamento na cidade, que ela mantinha para visitas esporádicas, Alice sentia o peso da solidão. A ausência de Rafael era um buraco em seu peito. Ela pegou o celular, hesitante. Queria ligar para ele, explicar, pedir perdão por sua fuga desesperada. Mas a voz de Sofia, ecoando em sua mente, a impedia. A desconfiança, mesmo que irracional, ainda pairava.

Ela abriu suas redes sociais, um ato impulsivo. Viu fotos de Rafael, em eventos, sorrindo. Uma foto em particular a fez engolir em seco: ele estava ao lado de Sofia, em um evento beneficente da família Montenegro. O que ela estaria fazendo lá? Por que Rafael estaria com ela? A sombra da desconfiança se adensou. Seria Sofia capaz de manipular até mesmo Rafael?

Decidida a não se deixar consumir pela incerteza, Alice focou sua energia na investigação. Passou os dias seguintes em contato com o Dr. Vasconcelos, um homem experiente e reservado, que confirmou as suspeitas de Sr. Almeida. Ele possuía uma caixa de documentos que o pai de Alice lhe confiara anos antes, contendo cópias de contratos suspeitos, e-mails incriminatórios e extratos bancários que detalhavam transferências ilícitas.

"Seu pai era um homem muito cauteloso, Alice", explicou o Dr. Vasconcelos em uma reunião em seu escritório. "Ele sabia que Leonardo era perigoso, mas não imaginava a extensão de suas artimanhas. Ele me pediu para guardar esses documentos em segurança e só entregá-los a você, caso algo lhe acontecesse ou se você precisasse deles para se defender."

Ao analisar os documentos, Alice sentiu uma raiva crescente misturada a uma profunda tristeza. As provas eram contundentes. Leonardo havia, de fato, orquestrado a ruína financeira de seu pai, usando informações privilegiadas e manipulação de mercado. Ele havia se apossado de terras e propriedades que pertenciam à família Vasconcelos, deixando seu pai à beira da falência e da humilhação.

Uma carta, escrita à mão por seu pai, estava entre os documentos. Nela, ele desabafava sua dor, sua impotência, e expressava o medo que sentia de Leonardo. Ele implorava para que Alice, se um dia lesse aquelas palavras, nunca esquecesse a verdade e lutasse por justiça. A carta era um grito mudo do passado, clamando por vingança.

Com as provas em mãos, Alice sentiu uma nova determinação. Ela não podia mais se esconder. Precisava confrontar Leonardo. Mas como? Um confronto direto poderia ser perigoso. Ela sabia que Leonardo era um homem implacável e que não hesitaria em usar de violência ou de mais artimanhas para se proteger.

Ela decidiu que precisava de um plano. Precisava expor Leonardo, mas de uma forma que fosse irrefutável e que o desarmasse completamente. Pensou em uma armadilha, em usar o próprio Leonardo contra si mesmo.

Enquanto isso, na fazenda, Rafael estava desolado. A partida de Alice o havia deixado em um estado de profunda angústia. Ele sabia que ela estava sofrendo, mas a forma como ela havia fugido, sem sequer uma palavra de despedida, o feria profundamente. Tentou ligar para ela várias vezes, mas o celular dela estava desligado. A culpa o corroía. Ele sabia que a verdade sobre Leonardo era uma bomba relógio, e que Sofia, com sua manipulação, havia acelerado a explosão.

Sofia, por sua vez, observava a agitação de Rafael com satisfação disfarçada. "Ela não aguenta a pressão, Rafael", disse ela, com um tom de falsa compaixão. "É uma menina frágil. Talvez seja melhor assim. Para ela."

Rafael a olhou com desprezo. "Você sabe que a incentivou a ir, Sofia. Você sabia que a verdade a esmagaria."

"Eu apenas disse o que era necessário, Rafael. A verdade não pode ser escondida para sempre. E às vezes, é preciso cortar o mal pela raiz."

A frase de Sofia soou como uma ameaça velada. Rafael sentiu um calafrio. Ele sabia que a madrasta de Alice era capaz de muito mais do que ele imaginava. Ele decidiu que precisava encontrar Alice, precisava protegê-la.

De volta a São Paulo, Alice teve uma ideia. Ela sabia que Leonardo frequentava eventos sociais importantes, onde projetava sua imagem de empresário bem-sucedido. Ela decidiu que o melhor momento para confrontá-lo seria em um desses eventos, diante de pessoas influentes, onde ele seria forçado a lidar com as acusações e as provas.

Ela entrou em contato com um jornalista investigativo de confiança que ela conhecia de um antigo emprego, um homem que sempre buscou a verdade e que tinha um senso de justiça apurado. Ela compartilhou com ele parte das informações e os documentos, e ele se mostrou intrigado e disposto a ajudar. A ideia era que, no momento certo, o jornalista pudesse expor Leonardo, revelando a verdade para o público.

O plano era arriscado, mas Alice sentia que era a única maneira de trazer justiça para seu pai e de se libertar do peso do passado. Ela sabia que Leonardo não seria pego de surpresa facilmente. Ele era astuto, e certamente tentaria se defender. Mas Alice estava pronta. As provas em suas mãos eram a sua arma, e a memória de seu pai, sua força motriz. A cidade de São Paulo, com sua agitação e seus segredos, seria o palco do confronto. A tempestade estava se formando, e Alice estava no centro dela, determinada a não ser levada por ela, mas sim a enfrentá-la de frente. O jogo de gato e rato estava prestes a atingir seu clímax.

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