Coração em Chamas II

Capítulo 17 — Ecos da Bahia e o Sabor da Terra Nova

por Isabela Santos

Capítulo 17 — Ecos da Bahia e o Sabor da Terra Nova

Lisboa a recebeu com um céu azul vibrante e o aroma salgado do Atlântico, uma brisa que parecia acariciar as feridas do passado e soprar novas esperanças. Helena, desembarcando no Aeroporto de Lisboa, sentiu uma mistura de euforia e apreensão. Era a primeira vez que viajava sozinha para tão longe, e a responsabilidade de representar a arte brasileira em solo estrangeiro a pesava nos ombros, mas de uma forma boa, estimulante.

Sofia a esperava com um abraço caloroso, seus olhos brilhando com a mesma alegria contagiante de sempre. "Helena! Que bom te ver! Você está linda, mais radiante do que nunca!"

"Sofia! Nem acredito que estou aqui!", respondeu Helena, retribuindo o abraço com a força da saudade acumulada. "Obrigada por tudo, por me ajudar com essa loucura."

"Loucura? Isso é o seu destino, minha querida! E eu estou aqui para testemunhar cada passo do seu triunfo."

Os dias em Lisboa foram uma imersão na arte e na cultura. Helena visitou museus, galerias e se perdeu pelas ruas históricas, absorvendo a beleza singular da cidade. A exposição no Museu de Arte Moderna foi um sucesso retumbante. Suas pinturas, com sua carga emocional e suas cores vibrantes, cativaram o público e a crítica. Os curadores elogiaram a originalidade e a profundidade de seu trabalho, e logo surgiram propostas de galerias e colecionadores interessados em adquirir suas obras.

"Eles amaram! Helena, você é uma estrela!", exclamou Sofia, radiante, após a abertura da exposição. Helena, tímida, mas visivelmente emocionada, agradecia os elogios, sentindo que um sonho distante finalmente se materializava.

Durante sua estadia, Helena também se dedicou a um projeto pessoal. Ela decidiu pintar uma série inspirada em suas raízes, na Bahia, sua terra natal. As cores intensas do sertão, a alegria contagiante do povo, a força dos orixás – tudo isso voltou à sua mente com uma clareza avassaladora. Ela sentia a necessidade de reconectar-se com essa parte de si mesma, de honrar a origem que a moldara.

Um dia, enquanto pintava em um pequeno estúdio que Sofia havia conseguido para ela em Alfama, Helena sentiu uma pontada de saudade tão intensa que quase a sufocou. Saudade de Ricardo, do cheiro de sua pele, do som de sua risada. Pegou o celular e discou seu número.

"Alô?", a voz de Ricardo soou um pouco cansada, mas logo se preencheu de calor ao reconhecer a voz dela. "Helena! Meu amor, como você está? Como foi a abertura?"

"Foi maravilhoso, Ricardo. Incrível. Mas... eu senti tanto a sua falta. Sinto tanta saudade." A voz dela embargou.

Ricardo suspirou. "Eu também, meu amor. Todos os dias. Tenho trabalhado muito para colocar a empresa nos eixos, mas a verdade é que cada hora longe de você parece uma eternidade. Estou contando os minutos para você voltar."

"Eu também. Mal posso esperar para te abraçar de novo."

A conversa, embora curta, trouxe um conforto imenso para ambos. Helena sentiu a força do amor que os unia, um amor que transcendia a distância e os desafios. Ela sabia que Ricardo estava orgulhoso dela, e isso lhe dava ainda mais ânimo para seguir em frente.

A série inspirada na Bahia começou a tomar forma. Eram telas que pulsavam com vida, com a energia do sol forte, com a melancolia das chuvas de verão, com a esperança que renascia a cada amanhecer. Helena pintava com a alma, expressando em cada pincelada as memórias e as emoções que a Bahia havia despertado nela.

"É como se eu estivesse reencontrando uma parte de mim que estava adormecida", confidenciou ela a Sofia, enquanto admiravam uma tela vibrante de um mercado popular baiano.

"E você está, Helena. Você está reconectando com as suas origens, e isso é lindo. É o que te torna única."

Um dia, enquanto passeava pelas ruas de Lisboa, Helena se deparou com uma pequena loja de artesanato português. Lá dentro, encontrou uma peça que a fez parar: uma pequena caixa de madeira entalhada, com motivos florais delicados. Era semelhante a uma que sua avó, uma artesã talentosa, costumava fazer na Bahia. A memória a atingiu com força.

Ela comprou a caixa e, ao chegar ao estúdio, sentiu um impulso de preenchê-la com algo que representasse essa nova fase de sua vida. Abriu sua maleta de tintas e, com pequenos pincéis, começou a pintar em miniatura. Pintou um sol dourado, um beija-flor vibrante, e um pequeno mar, com ondas que pareciam dançar. Era uma forma de levar um pedacinho da Bahia para Portugal, e um pedacinho de Portugal para a Bahia.

Ao pintar, Helena refletiu sobre o caminho percorrido. A dor da traição, a luta para recuperar seu legado, a alegria do reencontro com Ricardo – tudo isso a havia transformado. Ela não era mais a mesma mulher que fugiu em desespero. Ela era mais forte, mais resiliente, mais segura de si. E a arte, que sempre fora seu refúgio, agora se tornava seu palco, sua voz.

Ao final de sua estadia em Lisboa, Helena não apenas havia conquistado o reconhecimento artístico que tanto almejava, mas também havia redescobrido a força de suas raízes. A série inspirada na Bahia era um testemunho de sua jornada, um elo entre o passado e o futuro, entre a terra que a viu nascer e o mundo que a acolhia.

A despedida de Lisboa foi agridoce. Havia a alegria de voltar para os braços de Ricardo, mas também a tristeza de deixar para trás a cidade que a acolheu e o sucesso que ela conquistou. Ao embarcar no avião, Helena olhou pela janela, o coração transbordando de gratidão. Ela estava voltando para casa, com a alma renovada e o futuro brilhando como o sol do seu sertão natal.

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