Cap. 12 / 21

O Último Beijo

Capítulo 12 — O Sussurro da Conspiração e a Vigilância Implacável

por Camila Costa

Capítulo 12 — O Sussurro da Conspiração e a Vigilância Implacável

O sol agora banhava a cidade em um esplendor que contrastava violentamente com a escuridão que se abatera sobre o relacionamento de Aurora e Rafael. A revelação, em vez de aproximá-los ainda mais, havia criado uma fenda imensa entre eles. Aurora, sentindo-se exposta e incompreendida, havia se recolhido em si mesma, a dor da incerteza e do medo sufocando a esperança que a noite anterior trouxera. Rafael, por sua vez, estava consumido por uma mistura de preocupação e raiva, a visão de Aurora, vulnerável e envolvida em um mistério perigoso, o impelia a agir, mas a falta de informações concretas o deixava frustrado.

Naquela manhã, após a explosão de sentimentos, Rafael havia saído abruptamente, prometendo apenas que voltaria. Aurora permaneceu sentada na sala, o corpo tremendo, as lágrimas secando em suas bochechas. A casa, que antes parecia um santuário de amor, agora ecoava com o silêncio pesado da discordância e do perigo iminente. Dona Clara, percebendo a tensão, tentou intervir com palavras de consolo, mas Aurora mal conseguia articular suas emoções.

“Ele está preocupado, meu amor”, disse Dona Clara, acariciando os cabelos de Aurora. “Ele te ama, e essa história… é assustadora. Mas ele não vai te abandonar.”

Aurora apenas balançou a cabeça, um nó na garganta impedindo-a de responder. Ela sabia que Rafael não a abandonaria, mas a forma como ele reagiu, a intensidade de sua raiva, a fez questionar se ele via nela a mulher que amava ou apenas a vítima de uma história perigosa.

Horas depois, Rafael retornou. Seu semblante estava mais sereno, mas os olhos ainda carregavam a marca da inquietação. Ele encontrou Aurora na varanda, observando o movimento da rua com um olhar distante. Aproximou-se dela com cautela, o perfume sutil que ela usava invadindo suas narinas, um lembrete agridoce de sua intimidade.

“Aurora”, ele disse, a voz suave, tentando desarmar a defensiva dela. Ela se virou, os olhos encontrando os dele. “Eu… eu sinto muito pela minha reação. Eu fiquei assustado. Assustado por você, assustado com o que isso significa para nós.”

Ele a puxou para um abraço, e desta vez, Aurora não se afastou. Abrace-o de volta, enterrando o rosto em seu peito, sentindo a força de seus braços ao seu redor.

“Eu também estou assustada, Rafael”, ela sussurrou, a voz embargada. “Eu não sei o que fazer.”

“Nós vamos descobrir juntas”, ele respondeu, beijando o topo de sua cabeça. “Eu passei o dia pesquisando. Não diretamente sobre você, claro. Mas sobre certos… círculos. Pessoas que operam nas sombras, que lidam com coisas obscuras. Se seus pais eram quem você suspeita, eles estavam envolvidos com organizações poderosas. E essas organizações, Aurora, elas não esquecem. Elas marcam seus territórios, seus bens, seus… legados.”

Ele a guiou para o sofá, e sentaram-se lado a lado. A tensão da manhã ainda pairava, mas a disposição de Rafael em confrontar a situação de forma prática, em vez de ceder à raiva, trouxe um fio de esperança para Aurora.

“Eu contactei algumas pessoas”, Rafael continuou, a voz baixa e séria. “Amigos de confiança. Pessoas que sabem como navegar nesse submundo sem chamar atenção. Eles vão tentar, discretamente, traçar um mapa. Identificar se há algum rastro dos seus pais, se há alguma organização que possa ter interesse em você.”

Aurora o olhou, perplexa. “Você… você está falando sobre investigar uma máfia, Rafael?”

Ele sorriu, um sorriso sem humor. “Em termos mais simples, sim. Mas não se preocupe. Eu não vou te colocar em perigo. Minha prioridade é a sua segurança. E a nossa paz.”

“Mas como você pode ter certeza de que eles não vão te descobrir?”, Aurora perguntou, a voz cheia de apreensão.

“Eu sou cuidadoso”, Rafael respondeu com confiança. “E essas pessoas que estou contatando, elas sabem como trabalhar nas sombras. Ninguém vai saber que estamos procurando por você. Apenas por… informações.” Ele fez uma pausa, seu olhar fixo em Aurora. “Eu preciso que você me diga tudo o que você se lembra. Qualquer coisa. Um nome, um lugar, uma pessoa, um objeto… qualquer detalhe que possa parecer insignificante.”

Aurora fechou os olhos, tentando reviver as memórias fragmentadas de sua infância. Longe de ser um fardo, a ideia de que cada pequeno detalhe poderia ser a chave para sua segurança e para a verdade a impulsionou.

“Eu me lembro de uma casa”, ela começou, a voz hesitante. “Era grande, com um jardim enorme e um lago. Havia muitas estátuas de anjos. Eu me lembro de um homem com um sorriso que nunca alcançava os olhos. Ele usava anéis com um símbolo estranho, uma serpente mordendo a própria cauda.”

Rafael assentiu, absorvendo cada palavra. “Serpente mordendo a cauda… Ouroboros. Um símbolo antigo de renovação e ciclo eterno. Comum em certos círculos esotéricos e, sim, em organizações que valorizam a longevidade e o poder.”

“E eu me lembro de uma música”, Aurora continuou, a voz ganhando um tom melancólico. “Uma melodia triste que uma mulher cantava. Ela tinha um perfume forte, de rosas e algo mais… amargo. Eu nunca a vi claramente, apenas a ouvia cantar. A melodia me dava arrepios.”

Rafael pegou um caderno e uma caneta em sua pasta. “Qualquer detalhe é importante, Aurora. Essa música, você se lembra de alguma parte? Alguma letra?”

Aurora tentou cantarolar alguns fragmentos, mas a melodia parecia fugir de sua memória, como uma sombra escorregadia.

“Não importa”, disse Rafael. “Eu vou pedir para meus contatos tentarem identificar a melodia. E o homem com os anéis… vamos tentar rastrear esse símbolo.”

Nos dias que se seguiram, a casa se tornou um centro de operações clandestinas. Rafael passava longas horas ao telefone, em reuniões discretas, sempre com um olhar de alerta, como se esperasse a qualquer momento que a sombra do passado de Aurora os alcançasse. Aurora, por sua vez, sentia-se dividida entre o medo e uma estranha sensação de empoderamento. A ideia de que Rafael estava lutando por ela, protegendo-a, era reconfortante. Mas a gravidade da situação, a constatação de que ela era uma peça em um jogo perigoso, a deixava apreensiva.

Um dia, Rafael chegou em casa com um semblante sombrio. Ele fechou a porta do escritório e chamou Aurora.

“Tenho notícias”, ele disse, a voz grave. “Não são boas.”

Aurora sentou-se diante dele, o coração já acelerado.

“Os meus contatos fizeram algumas perguntas. Discretamente. Parece que o nome do seu pai… ou pelo menos o nome que ele usava publicamente… está ligado a um caso antigo de lavagem de dinheiro e tráfico internacional. Uma operação que foi desmantelada anos atrás, mas cujos líderes… nunca foram encontrados. Acredita-se que eles tenham se escondido, ou que tenham passado o bastão para a próxima geração.”

O sangue de Aurora gelou. “E… e o que isso significa?”

“Significa que a sua história não é apenas uma história de abandono. Seus pais eram criminosos de alto escalão. E o símbolo do Ouroboros… ele é a marca de uma organização secreta conhecida como a ‘Serpente Eterna’. Eles são conhecidos por sua crueldade, por sua influência e por nunca deixarem para trás quaisquer laços que possam comprometer seus interesses.”

Rafael pegou um documento e o entregou a Aurora. Era um artigo de jornal antigo, com uma foto borrada de um grupo de homens em um evento oficial.

“Este homem aqui”, Rafael apontou para um dos homens, cuja figura era um tanto indistinta. “É a única imagem disponível que se assemelha à descrição de alguém que poderia estar envolvido. O nome associado a ele é um pseudônimo, claro. Mas o contexto da foto… um evento de gala beneficente, onde ele aparecia ao lado de figuras políticas e empresariais de renome. Isso indica que seus pais tinham poder e influência, e que não eram apenas criminosos, mas manipuladores.”

Aurora olhou para a foto, a testa franzida. Ela não reconhecia o rosto, mas a aura de poder e perigo que emanava da imagem era inconfundível.

“E a música?”, ela perguntou, a voz embargada.

“Encontramos uma correspondência”, Rafael disse, um tom de apreensão em sua voz. “A melodia que você descreveu é uma antiga canção de ninar usada por certas famílias em seus círculos mais íntimos. Uma canção que, segundo alguns rumores, era cantada para as crianças que eram destinadas a serem o futuro da organização. Crianças que seriam treinadas e preparadas desde cedo para assumir o controle.”

Um arrepio percorreu a espinha de Aurora. O que ele estava insinuando?

“Aurora”, Rafael a olhou profundamente, os olhos transmitindo uma mistura de amor e um pesar que a assustou. “O meu amigo que investiga esse tipo de coisa… ele descobriu algo mais. Algo que pode ser a razão pela qual você foi escondida. Há rumores sobre um… um artefato. Algo que seus pais possuíam, algo de grande valor, e que eles esconderam antes de desaparecerem. Um objeto que a ‘Serpente Eterna’ estaria procurando há anos. E se você for a única herdeira desse legado… você pode ser a chave para encontrar esse artefato. Ou pior, você pode ser o próprio artefato.”

O mundo de Aurora desabou. As palavras de Rafael ecoavam em seus ouvidos como um trovão. Ela não era apenas a filha de criminosos, mas uma peça em um jogo de poder obscuro, um tesouro a ser encontrado ou um prêmio a ser disputado. A vigilância implacável que se instalara em suas vidas não era apenas uma precaução, mas uma necessidade. A sombra na porta havia se tornado uma força ativa, a conspiração sussurrando seus perigosos segredos, e Aurora, sem querer, estava no centro de tudo.

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