Cap. 13 / 21

O Último Beijo

Capítulo 13 — O Fantasma do Passado e o Encontro Inesperado

por Camila Costa

Capítulo 13 — O Fantasma do Passado e o Encontro Inesperado

O silêncio voltou a reinar no apartamento, mas desta vez, não era um silêncio de desentendimento, mas de medo profundo e de uma realidade esmagadora. As palavras de Rafael pairavam no ar como um prenúncio sombrio. Aurora sentia o estômago revirar. Um artefato? Ela, a chave para um tesouro? A ideia era tão absurda quanto aterrorizante. O que era esse tal artefato? Por que seus pais o esconderiam? E o mais perturbador: por que a ‘Serpente Eterna’ estaria tão obcecada em encontrá-lo?

Rafael, percebendo o choque de Aurora, aproximou-se dela. Ele a envolveu em seus braços, o corpo dela tremendo contra o dele.

“Eu sei que é muita coisa para absorver, meu amor”, ele sussurrou, a voz embargada pela preocupação. “Mas precisamos ser fortes. E precisamos ser inteligentes.”

Aurora levantou o olhar para ele, os olhos marejados. “Mas como, Rafael? Como vamos lutar contra algo que nem sabemos o que é? Contra pessoas que parecem ter olhos e ouvidos em todos os lugares?”

“Nós vamos nos armar de informação”, Rafael respondeu com determinação. “Vamos investigar cada pista. E, acima de tudo, vamos ficar juntos. Eu não vou deixar que nada aconteça com você.”

Nos dias seguintes, a rotina do casal mudou drasticamente. A atmosfera de romance e de planos para o futuro foi substituída por uma vigilância constante. Rafael instalou sistemas de segurança discretos no apartamento, mudou seus horários, e evitou lugares públicos. Aurora, por sua vez, sentia-se como uma prisioneira em sua própria casa, o medo constante de ser observada, de ser descoberta, a consumindo.

Uma tarde, enquanto Rafael estava em uma reunião secreta, Aurora recebeu uma ligação inesperada. Era Dona Clara, a voz dela soando incomum, tensa.

“Aurora, meu amor”, disse Dona Clara, a voz trêmula. “Preciso que você venha aqui. Agora. Tem algo que você precisa ver.”

Aurora sentiu um frio na espinha. A urgência na voz de Dona Clara era palpável. “O que aconteceu, Dona Clara?”

“Não posso explicar por telefone. Por favor, venha. É importante.”

Deixando o apartamento sob o pretexto de fazer compras, Aurora pegou um táxi e seguiu para a casa de Dona Clara. Ao chegar, encontrou a senhora na sala, os olhos vermelhos de tanto chorar, uma carta nas mãos.

“O que foi, Dona Clara?”, Aurora perguntou, o coração disparado.

Dona Clara estendeu a carta para Aurora. Era antiga, o papel amarelado pelo tempo. O remetente estava escrito com uma caligrafia elegante, mas desconhecida.

“Essa carta chegou hoje, Aurora”, Dona Clara disse, a voz embargada. “Eu a encontrei no meio de algumas coisas antigas que estavam guardadas em um baú no sótão. Eu… eu nunca tinha visto antes. Mas quando a li… eu senti que era algo que você precisava saber.”

Aurora pegou a carta, as mãos tremendo. Abriu-a com cuidado e começou a ler. A princípio, parecia uma carta de amor, cheia de declarações apaixonadas e de saudade. Mas à medida que avançava, as palavras se tornavam mais enigmáticas, cheias de referências veladas a um “legado” e a um “futuro seguro”.

“Meu amor, meu eterno amor”, dizia a carta. “Se você está lendo isto, significa que o tempo da espera acabou. O futuro que sonhamos está próximo, mas o caminho é perigoso. Lembre-se de que o amor que nos une é mais forte que qualquer obstáculo. Guardei para você um presente, um símbolo de nossa força e de nossa esperança. Onde a águia encontra o sol, o segredo será revelado. Confie nos anjos, e nunca se esqueça de quem você é.”

Aurora levantou o olhar, confusa. “Águia? Anjos? O que isso significa, Dona Clara?”

Dona Clara suspirou, os olhos fixos em Aurora. “Eu não sei ao certo, meu amor. Mas quando li sobre os anjos, lembrei-me de algo que sua mãe adotiva me contou uma vez. Ela disse que você, quando era muito pequena, costumava falar com os anjos. E que você sempre apontava para o céu, dizendo que eles lhe mostravam o caminho.”

A mente de Aurora começou a trabalhar freneticamente. A casa com as estátuas de anjos, a música triste, o símbolo da serpente… e agora, essa carta com referências a águias e anjos. Tudo parecia se conectar de uma forma estranha e perturbadora.

“E a parte sobre o presente?”, Aurora perguntou.

“Eu não sei, meu amor. Mas me sinto… como se estivesse esperando por isso. Como se essa carta fosse a peça que faltava no quebra-cabeça.”

De repente, Aurora teve uma lembrança vívida. Uma imagem fugaz de um lugar que ela só conhecia de seus sonhos. Um lugar com um sol radiante, onde uma águia planava no céu azul. E abaixo dela, uma construção imponente, com estátuas de anjos em cada canto.

“A casa… com os anjos”, Aurora murmurou. “Eu me lembro de um lugar assim. Eu acho que pode ser onde eu fui escondida pela primeira vez.”

Dona Clara a olhou com esperança nos olhos. “Você acha que pode ser a chave para encontrar esse ‘presente’ que a carta menciona?”

“Eu não sei”, Aurora admitiu. “Mas sinto que sim. Sinto que esse lugar é importante.”

Naquela noite, Rafael voltou para casa exausto. Aurora o esperava com a carta em mãos e a história completa. Ele a ouviu com atenção, o semblante se tornando cada vez mais sério.

“Águia encontra o sol… anjos… casa com estátuas de anjos”, Rafael repetiu, pensativo. “Isso se encaixa com a ideia de um esconderijo seguro. Um lugar que seus pais criaram para você, longe dos olhos curiosos.”

Ele sentou-se ao lado dela, pegou a carta e a examinou. “Essa caligrafia… é muito particular. Posso pedir para um especialista dar uma olhada, tentar identificar a origem.”

Ele então se virou para Aurora, o olhar intenso. “Onde fica essa casa, Aurora? Você se lembra de algo mais?”

Aurora fechou os olhos, concentrando-se. “Eu acho que era em um lugar mais afastado. Havia montanhas ao redor. E um cheiro de pinho no ar. Lembro-me de me sentir segura lá, mas também… triste.”

Rafael pegou seu notebook. “Montanhas, pinho… vamos cruzar essas informações com os dados que já temos sobre as possíveis propriedades ligadas a figuras desse calibre. É uma agulha no palheiro, mas é a nossa melhor pista.”

Enquanto Rafael trabalhava, Aurora sentia um misto de ansiedade e esperança. A carta de sua mãe, que ela nunca conheceu, parecia ter sido um sinal, um chamado. O fantasma do passado, em vez de a assombrar, parecia estar lhe oferecendo um caminho.

No dia seguinte, Rafael recebeu uma notícia surpreendente. Um de seus contatos havia descoberto algo.

“Aurora, você não vai acreditar”, ele disse, a voz carregada de excitação. “O especialista analisou a caligrafia da carta. E ele fez uma conexão. A caligrafia é extremamente similar à de um manuscrito raro, um diário particular de um colecionador de arte chamado Victor Montenegro. Ele era conhecido por sua coleção de arte antiga e por sua… discrição. E o mais interessante é que Victor Montenegro tinha uma propriedade em uma região montanhosa, conhecida por suas florestas de pinho. Uma propriedade que ele chamava de ‘O Ninho da Águia’.”

O coração de Aurora deu um salto. Ninho da Águia. A águia encontra o sol. Era isso.

“E a propriedade, ela ainda existe?”, Aurora perguntou, a voz embargada pela emoção.

“Sim”, Rafael respondeu, um sorriso começando a se formar em seu rosto. “E o mais intrigante é que o registro dessa propriedade foi transferido para um nome desconhecido há cerca de vinte anos. Um nome que nunca foi associado a Victor Montenegro. E essa transferência de propriedade coincidiu com o período em que você foi ‘adotada’.”

A revelação era chocante. Seus pais haviam criado um santuário para ela, um lugar seguro, longe dos perigos que os cercavam. E agora, esse lugar poderia ser a chave para desvendar os mistérios de seu passado.

Mas, assim como a esperança começava a florescer, uma sombra pairou sobre a descoberta. Um encontro inesperado, na rua, perto do apartamento de Dona Clara, seria o prenúncio de que a ‘Serpente Eterna’ também estava no rastro da verdade.

Enquanto Aurora saía da casa de Dona Clara, sentiu-se observada. Um homem alto, com um chapéu que cobria parte do rosto, a seguia a uma distância discreta. Ela tentou ignorar, mas a sensação de perigo era inegável. Ao virar uma esquina, o homem a alcançou.

“Aurora?”, ele disse, a voz baixa e rouca.

Aurora parou, o corpo tenso. Reconheceu a voz. Era a voz do homem com o sorriso que não alcançava os olhos, o homem com os anéis da serpente.

“Você…”, ela gaguejou, o medo a paralisando.

O homem sorriu, um sorriso frio e predatório. “Parece que o destino nos reuniu novamente, minha querida. Seu passado, por mais que você tente fugir, sempre encontrará um jeito de te alcançar.”

E, com um aceno de cabeça, ele se virou e desapareceu na multidão, deixando Aurora sozinha, tremendo, com a certeza de que o fantasma do passado não era apenas uma lembrança, mas uma presença viva e perigosa.

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