Cap. 17 / 21

O Último Beijo

Capítulo 17 — As Cinzas do Passado e a Sombra Que Ameaça

por Camila Costa

Capítulo 17 — As Cinzas do Passado e a Sombra Que Ameaça

A madrugada avançava lenta e fria, pintando o céu de um cinza melancólico que refletia o estado de espírito de Helena. Ricardo permanecia em coma induzido, um prisioneiro de seus próprios segredos e das consequências de suas ações. Cada batida do monitor cardíaco era um lembrete constante da fragilidade da vida, e da fragilidade do amor que a ligava a ele. Helena sentia-se como um fantasma em sua própria história, vagando pelos corredores do hospital, a mente um turbilhão de lembranças e dúvidas.

Ela relembrava as palavras de Daniel, a revelação sobre o seu próprio nome, o legado que lhe fora roubado. A verdade sobre o Ninho era mais complexa e sombria do que ela jamais imaginara. Não era apenas um lugar de poder e influência, mas um covil de víboras, onde ambição e traição se entrelaçavam de forma perversa. E Ricardo, o homem que ela amava, estava no centro de tudo isso.

A porta do quarto se abriu suavemente, e Helena se sobressaltou. Era Sofia, a fiel escudeira de Ricardo, que a encarava com uma expressão indecifrável. Seus olhos, sempre alertas e calculistas, pareciam carregar um fardo ainda maior agora.

"Você ainda está aqui", disse Sofia, a voz sem emoção.

Helena assentiu, sem desviar o olhar. "Ele é o meu… ele é importante para mim."

Sofia deu um passo para dentro do quarto, aproximando-se da cama. Ela observou Ricardo por um longo momento, um silêncio carregado de anos de lealdade e talvez, de uma dor contida. "Ele sempre teve um jeito de atrair problemas. E de se envolver com as pessoas erradas."

"Ou talvez ele tenha sido envolvido", retrucou Helena, uma pitada de desafio em sua voz. A lealdade de Sofia era conhecida, mas a sua verdadeira posição naquele jogo de poder era incerta.

"Isso é o que ele diz para você?", Sofia sorriu de forma amarga. "Ele tem um talento especial para mentir, sabe? Especialmente quando se trata de se livrar de responsabilidades."

As palavras de Sofia atingiram Helena como um golpe. A lealdade dela a Ricardo era inabalável, mas ela também era uma observadora perspicaz. "Você acha que ele está mentindo agora?"

Sofia hesitou, seus olhos encontrando os de Helena. Havia uma tristeza genuína neles. "Eu não sei o que pensar, Helena. Ele fez coisas… coisas que eu não entendo. Mas ele também sofreu. E sofreu muito por causa dessa família, desse legado."

"Qual legado, Sofia? O legado de quem?", Helena questionou, a voz embargada. "O meu pai… ele foi destruído por eles."

"O seu pai foi um homem bom, Helena. Mas ingênuo. Ele acreditou nas pessoas erradas. Acreditou em Ricardo. E acreditou em quem o colocou no caminho de Ricardo."

"Quem?", Helena implorou.

Sofia balançou a cabeça. "Não posso. Não agora. Há muitos olhos observando. E muitas pessoas que não querem que a verdade venha à tona. Ricardo está em perigo, mesmo aqui. Mais do que você imagina."

A menção de perigo fez Helena sentir um calafrio. Ela pensou em Daniel, em suas advertências, em sua própria luta para controlar o Ninho. Seria Daniel a sombra que Sofia mencionava? Ou havia algo ainda mais sinistro à espreita?

"O que você quer, Sofia?", Helena perguntou diretamente.

"Quero que você se proteja", disse Sofia, com uma seriedade alarmante. "E quero que você saiba que nem todos que estiveram ao lado de Ricardo são como ele. Eu vi a dor dele. Vi o que ele lutou para proteger. E eu vi o que foi roubado de você."

"O que foi roubado de mim?", Helena repetiu, sentindo a esperança e o medo se misturarem em seu peito.

"Tudo", Sofia sussurrou. "Sua infância, sua família, seu nome. E o seu direito. O direito de saber quem você é e de onde veio."

Naquele momento, um alarme soou fracamente em algum lugar do hospital. Sofia se sobressaltou, seus olhos se arregalaram. "Preciso ir. Tenha cuidado, Helena. As cinzas do passado são venenosas. E a sombra que ameaça este lugar… é implacável."

Sofia saiu tão rapidamente quanto entrou, deixando Helena sozinha com seus pensamentos e um senso crescente de urgência. As cinzas do passado… a sombra… o que tudo aquilo significava?

Ela voltou para a janela, observando a noite lá fora. A cidade cintilava como um mar de estrelas caídas, indiferente à tempestade que assolava sua vida. Lembrou-se de Ricardo, de seus olhos quando ele lhe disse que a amava. Era amor ou manipulação? E Daniel? Era um salvador ou um predador?

A revelação sobre o seu próprio legado a assombrava. Ela, Helena Montenegro, era a herdeira de uma fortuna, de um nome que fora apagado da história. Seu pai, um homem gentil e íntegro, fora vítima de um plano cruel. E Ricardo, o homem que ela julgava conhecer, estava intrinsecamente ligado a essa ruína.

Um murmúrio baixo chamou sua atenção. Ricardo estava se mexendo na cama, gemendo baixinho. Helena correu para o seu lado, pegando sua mão. Estava fria, mas um leve tremor a percorreu.

"Ricardo?", ela sussurrou.

Ele abriu os olhos lentamente, um brilho fraco e confuso neles. "Helena… você… você está aqui?" Sua voz era um fio, quase inaudível.

"Estou aqui", ela respondeu, a voz embargada de emoção. "Não se preocupe."

Ricardo apertou sua mão com uma força surpreendente. "Eu… eu não queria… o Ninho… é perigoso… Daniel…"

O nome de Daniel, sussurrado por Ricardo, ecoou na mente de Helena. Era Daniel quem estava manipulando tudo? Era ele a sombra que Sofia mencionara? Ou era Ricardo apenas delirando?

"Daniel?", Helena perguntou, o coração batendo forte. "O que ele fez, Ricardo?"

Ricardo fechou os olhos novamente, sua respiração se tornando mais superficial. "Ele… ele quer tudo… o poder… me… me tirou tudo… mas… o amor… o amor é o nosso… nosso…" Ele não conseguiu terminar.

O monitor cardíaco começou a apitar freneticamente. Enfermeiras correram para o quarto, a emergência tomando conta do ambiente. Helena foi afastada, observando impotente enquanto tentavam estabilizar Ricardo.

Enquanto o caos se instalava, Helena sentiu um arrepio percorrer sua espinha. As palavras de Ricardo, os avisos de Sofia, as atitudes de Daniel… tudo se encaixava em um padrão sinistro. Havia uma guerra acontecendo nos bastidores, e ela estava no meio dela.

Quando a situação se acalmou, e Ricardo voltou a um estado estável, embora ainda frágil, Helena se afastou para o corredor. Seus olhos encontraram os de um médico, que lhe deu um aceno de cabeça cansado.

"Ele vai ficar bem por enquanto", disse o médico. "Mas precisa de repouso absoluto. E monitoramento constante."

Helena assentiu, o corpo exausto, a mente em estado de alerta máximo. Ela olhou para a porta fechada do quarto de Ricardo, sentindo uma mistura avassaladora de amor, raiva e incerteza. O passado estava ressurgindo das cinzas, trazendo consigo ameaças que ela não podia ignorar. E a sombra que pairava sobre o Ninho… parecia estar se estendendo para alcançá-la. Ela precisava descobrir a verdade, não importa o quão dolorosa fosse. E precisava fazer isso antes que fosse tarde demais. Antes que as cinzas do passado a consumissem completamente.

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