Cap. 19 / 21

O Último Beijo

Capítulo 19 — O Labirinto da Dúvida e a Fuga Arriscada

por Camila Costa

Capítulo 19 — O Labirinto da Dúvida e a Fuga Arriscada

O caos no quarto de Ricardo se dissipou lentamente, como a névoa que se retira após uma tempestade violenta. As convulsões haviam cessado, mas a fragilidade dele era mais evidente do que nunca. Helena, com o corpo tenso e a mente nublada pela adrenalina e pelas revelações, observava o homem que antes amava e agora via com desconfiança. Daniel, a figura enigmática e perigosa, permanecia ao seu lado, uma presença constante e ameaçadora.

O testamento do avô, a prova irrefutável de sua herança, jazia esquecido na mesinha de cabeceira. Helena sentia o peso daquelas palavras antigas, da fortuna que agora lhe pertencia, mas que parecia mais um fardo do que uma bênção. Como ela poderia aceitar algo que fora construído sobre a ruína de sua família? E como poderia confiar em Daniel, que se apresentava como seu salvador, mas cujas ações transpiravam ambição e controle?

"Ele está estável", disse Daniel, sua voz suave, mas carregada de uma autoridade implícita. "Mas não podemos ficar aqui. É muito arriscado. Para ambos."

Helena o encarou, a dúvida corroendo sua determinação. "Arriscado para quem, Daniel? Para você? Para ele?"

"Para todos nós", Daniel respondeu, seu olhar fixo no dela. "Especialmente para você. Você é a chave agora. A herdeira. E há pessoas que não querem que você reclame o seu lugar."

"Pessoas como você?", Helena questionou, a voz carregada de ironia.

Daniel sorriu, um sorriso que não alcançava seus olhos. "Eu sou um homem de negócios, Helena. E neste jogo, a informação e o controle são tudo. Eu estou te oferecendo o controle. E a segurança."

"Segurança nas suas mãos?", Helena riu, um riso amargo. "Eu não confio em você, Daniel."

"Eu sei", ele admitiu, sem hesitar. "Mas você precisa. E eu vou te provar que estou do seu lado. Agora, precisamos sair daqui. Antes que seja tarde demais."

Helena hesitou. Fugir? Para onde? E com ele? A ideia era aterradora. Mas a segurança de Ricardo era sua prioridade. E as palavras de Sofia sobre as "cinzas venenosas" e a "sombra implacável" a assombravam. Talvez Daniel fosse a única chance de sobreviver.

"E Ricardo?", ela perguntou, o olhar fixo no homem inconsciente.

"Ele é um problema que precisamos resolver depois", Daniel respondeu, com uma frieza que a chocou. "Ele é o passado, Helena. E você é o futuro."

Um alarme discreto soou no bolso de Daniel. Ele o pegou rapidamente, sua expressão se tornando tensa. "Temos que ir. Agora."

Ele estendeu a mão para Helena, e após um momento de hesitação, ela a pegou. A sensação de sua pele era quente, firme, uma contradição com a frieza de suas ações.

Enquanto se afastavam do quarto, Helena lançou um último olhar para Ricardo. Um adeus silencioso a um amor que se tornara um labirinto de mentiras.

Daniel a guiou pelos corredores secundários do hospital, sua familiaridade com o local surpreendente. Ele parecia saber exatamente para onde ir, evitando a recepção e os postos de segurança. A cada curva, a sensação de perigo aumentava. O que estava acontecendo? Quem eram essas pessoas que Daniel temia?

Chegaram a um estacionamento subterrâneo, onde um carro escuro e imponente os aguardava. Um motorista, de rosto impassível, abriu a porta para eles.

"Para onde estamos indo?", Helena perguntou, enquanto se sentava no banco de couro.

"Para um lugar seguro", respondeu Daniel, sentando-se ao lado dela. "Longe de tudo isso. Longe de quem quer te usar e de quem te machucou."

O carro partiu suavemente, desaparecendo na noite. Helena olhou para trás, para o hospital, um ponto luminoso que representava a incerteza e a dor. Ela estava fugindo, sem saber para onde, com um homem em quem não confiava completamente, deixando para trás o homem que, um dia, jurou amar.

O caminho foi longo e silencioso. Daniel permaneceu em silêncio, seus olhos varrendo a paisagem noturna. Helena, por sua vez, revivia os últimos dias, a queda do Ninho, a revelação de sua herança, a fragilidade de Ricardo e a ambiguidade de Daniel. Ela se sentia presa em um labirinto de dúvidas, onde cada resposta levava a novas perguntas.

Chegaram a uma mansão isolada, cercada por vastos terrenos. A arquitetura era moderna e imponente, um refúgio de luxo e segurança. Ao entrarem, Helena foi recebida por uma equipe de segurança discreta, mas altamente treinada.

"Este é o meu refúgio", disse Daniel, um leve sorriso de satisfação em seu rosto. "Aqui, você estará segura. E poderemos começar a planejar o seu futuro."

Nos dias que se seguiram, Helena viveu em um limbo. Daniel era atencioso, fornecendo-lhe tudo o que ela precisava, mas sua presença era constante e observadora. Ele lhe mostrava documentos, explicava a complexidade do império que deveria ser dela, e gradualmente, ia minando sua resistência.

"Ricardo não te amava, Helena", ele dizia, com uma sinceridade calculada. "Ele te usou. Assim como usou a sua família. O seu pai foi um peão no jogo dele. E você seria a próxima."

E em seus momentos de dúvida, quando a imagem de Ricardo a assombrava, as palavras de Daniel pareciam verdades irrefutáveis. Ela relia o testamento, a prova tangível de seu direito. A necessidade de vingança, de honrar a memória de seu pai, começava a se misturar com a ânsia por segurança e um futuro estável.

Um dia, enquanto Daniel estava em uma reunião, Helena decidiu explorar a mansão. Ela sentia que algo estava errado, que havia mais por trás da fachada de proteção. Encontrou um escritório luxuoso, com uma grande mesa e um computador de última geração. A curiosidade a dominou.

Ela abriu o computador de Daniel. As senhas que ele usava eram simples, baseadas em datas importantes. E então, ela encontrou. E-mails, arquivos criptografados, conversas secretas. A verdade, mais chocante do que ela imaginava.

Daniel não estava apenas se protegendo. Ele estava manipulando tudo. Havia mensagens trocadas com advogados, com contatos no submundo. Ele estava orquestrando a queda de Ricardo, usando Helena como um peão para assumir o controle de tudo. A "segurança" que ele lhe oferecia era uma prisão dourada.

Um nome apareceu repetidamente nos arquivos: "Projeto Fênix". Parecia ser um plano de longo prazo para reconstruir o império, usando a herança de Helena como base. E o papel de Ricardo era o de ser o sacrifício, o bode expiatório.

Helena sentiu o chão sumir sob seus pés. Ela havia sido enganada, manipulada de forma cruel. A confiança que ela começava a depositar em Daniel desmoronou em um instante.

De repente, a porta do escritório se abriu. Daniel estava ali, seu rosto uma máscara de choque e fúria. Ele viu o computador, os arquivos abertos, e seus olhos fixaram-se em Helena com uma intensidade glacial.

"O que você está fazendo?", ele rosnou.

Helena recuou, o coração disparado. "Eu sei de tudo, Daniel. Eu sei o que você fez. O que você planejou."

Um silêncio pesado se instalou. Daniel a observou por um longo momento, seus olhos escuros vasculhando os dela em busca de qualquer sinal de fraqueza. Então, um sorriso lento e perigoso se espalhou por seu rosto.

"Você é mais esperta do que eu pensei, Helena", disse ele, sua voz agora calma, mas com uma ameaça latente. "Mas isso não muda nada. Você é minha. E o que é meu, eu controlo."

Helena sabia que estava em perigo. A fuga arriscada para o refúgio de Daniel havia a levado direto para a armadilha. Agora, ela precisava encontrar uma maneira de escapar, não apenas de Ricardo e do passado, mas do homem que se tornara seu carrasco. O labirinto da dúvida havia se tornado uma prisão de verdade.

Compartilhar este capítulo:

เว็บไซต์นี้ใช้คุกกี้

เราใช้คุกกี้เพื่อปรับปรุงประสบการณ์การอ่านนิยายของคุณ วิเคราะห์การเข้าชม และแสดงโฆษณาที่เกี่ยวข้อง รายได้จากโฆษณาช่วยให้เราให้บริการอ่านนิยายฟรีต่อไปได้ อ่านรายละเอียดเพิ่มเติมที่ นโยบายความเป็นส่วนตัว

ตะกร้า eBook

ตะกร้าว่างเปล่า

เพิ่ม eBook ลงตะกร้าเพื่อรับส่วนลดพิเศษ

ส่วนลด Bundle

ซื้อ 3-4 เล่มลด 10%
ซื้อ 5-9 เล่มลด 15%
ซื้อ 10+ เล่มลด 20%