Cap. 20 / 21

O Último Beijo

Capítulo 20 — A Confrontação Final e o Preço da Liberdade

por Camila Costa

Capítulo 20 — A Confrontação Final e o Preço da Liberdade

A fúria nos olhos de Daniel era um espelho da sua própria raiva e medo. Helena, acuada no escritório luxuoso, sentiu o chão tremer sob seus pés. A mansão que Daniel apresentara como um refúgio seguro agora se revelava uma jaula, e ele, o seu guardião implacável. As revelações contidas nos arquivos do computador eram devastadoras: Daniel não era um salvador, mas o arquiteto de um plano cruel, usando Ricardo e a ela como peças em seu jogo de poder.

"Eu não sou sua, Daniel", Helena declarou, sua voz tremendo, mas firme. Ela se lembrou das palavras de Sofia, do testamento de seu avô, do amor que sentia – ou sentira – por Ricardo. A verdade era um farol em meio à escuridão, e ela se agarrou a ela com todas as suas forças.

Daniel deu um passo à frente, seu semblante mudando de fúria para uma determinação fria. "Você não entende, Helena. Você não está apenas herdando dinheiro. Você está herdando um legado. Um império. E eu sou o único que pode te ajudar a controlá-lo. A protegê-lo de pessoas como Ricardo. E de pessoas que virão atrás de você."

"Você quer o controle, Daniel. E você acha que pode obtê-lo através de mim. Mas eu não sou um peão no seu jogo", Helena rebateu, sua mente trabalhando freneticamente. Ela precisava de uma saída, de um plano.

"Você é minha, Helena. De uma forma ou de outra", Daniel insistiu, seus olhos fixos nos dela. "O destino te trouxe até mim. E eu não vou deixar você escapar."

Nesse momento, um barulho distante chamou a atenção de ambos. Uma sirene fraca, mas que se aproximava. Daniel franziu a testa, a tranquilidade calculada se desfazendo por um instante.

"O que é isso?", ele murmurou.

Antes que Helena pudesse responder, a porta do escritório se abriu com violência. Era Ricardo. Fraco, pálido, mas com um fogo nos olhos que Helena não via há muito tempo. Ele estava acompanhado por alguns homens de confiança de Sofia, cujos rostos eram desconhecidos para ela, mas cujos olhares eram de lealdade inabalável.

"Você não vai tocá-la, Daniel", Ricardo disse, a voz rouca, mas firme. Ele se apoiou em um dos homens, cada movimento parecendo lhe custar um esforço imenso.

Daniel virou-se, a surpresa estampada em seu rosto, rapidamente substituída por um sorriso de escárnio. "Ora, ora. O fantasma está de volta. Pensei que você estivesse fora de cena."

"Nada me manteria longe dela", Ricardo respondeu, lançando um olhar significativo para Helena. "Nem você, nem seus planos sujos."

O confronto estava prestes a explodir. Helena sentiu uma onda de esperança misturada com o medo. Ricardo havia voltado por ela.

"Você se intrometeu onde não devia, Ricardo", Daniel sibilou, dando um passo ameaçador em direção a ele. "Você deveria ter ficado quieto, aproveitando o seu último suspiro."

"Eu posso estar fraco, Daniel, mas não estou cego", Ricardo retrucou, seu olhar fixo em Daniel. "Eu sei o que você fez. Eu sei como você manipulou tudo. E eu sei que você nunca amou Helena. Você a quer por causa do que ela representa. Por causa do poder que ela pode te dar."

As palavras de Ricardo atingiram Helena como um raio. Ele, que a acusava de ser manipulada, agora a defendia. E Daniel, o homem que lhe prometera proteção, era o verdadeiro vilão.

"Isso é mentira!", Daniel gritou, sua voz embargada pela raiva.

"É a verdade", Helena disse, dando um passo à frente, ficando entre os dois homens. "Eu vi os seus planos, Daniel. Eu sei o que você fez com o meu pai, com Ricardo. Você usou a todos nós."

Daniel a encarou, seus olhos cheios de uma frieza desconcertante. "Você escolheu o lado errado, Helena. E pagará por isso."

Ele fez um movimento rápido, como se fosse pegar algo em seu paletó. Mas antes que pudesse reagir, um dos homens de Ricardo agiu. Uma luta se iniciou. Os homens de Ricardo eram habilidosos e determinados, e apesar da fraqueza de Ricardo, sua presença ali era um símbolo de resistência.

Em meio ao caos, Helena viu sua chance. Ela correu para fora do escritório, em direção à saída da mansão. Os gritos e barulhos da luta a impulsionavam. Ela precisava escapar. Precisava encontrar a polícia. Precisava contar a verdade.

Ela correu pela grama, a lua iluminando seu caminho. A mansão parecia um castelo sinistro, e ela, a princesa em fuga. Em poucos minutos, ela avistou a estrada principal.

Quando estava prestes a alcançar a liberdade, uma figura bloqueou seu caminho. Era Daniel. Ele estava ferido, mas sua determinação era palpável.

"Você não vai a lugar nenhum, Helena", ele disse, com a respiração ofegante.

Helena parou, o desespero a inundando. Ela estava encurralada.

"Eu não vou deixar você arruinar mais vidas", Helena disse, sua voz firme apesar do medo. "Acabou, Daniel."

Daniel riu, um som rouco e amargo. "Acabou para você, talvez. Mas para mim, a luta está apenas começando."

Ele avançou, e Helena, em um ato de puro desespero, pegou uma pedra pesada do chão e a arremessou contra ele. Ele cambaleou para trás, pego de surpresa.

Nesse momento, um carro parou bruscamente na estrada. Eram os homens de Ricardo, com o próprio Ricardo no banco do passageiro, visivelmente exausto, mas determinado.

"Helena!", Ricardo gritou, abrindo a porta.

Daniel, vendo sua chance de fuga desaparecer, tentou se levantar, mas os homens de Ricardo o detiveram.

Helena correu para o carro, para Ricardo. Ele a abraçou com a pouca força que lhe restava.

"Você está bem?", ele sussurrou.

"Estou", Helena respondeu, lágrimas escorrendo pelo seu rosto. "Graças a você."

Ricardo sorriu, um sorriso fraco e cansado. "Eu nunca te deixaria, Helena. Nunca."

Enquanto os homens de Ricardo prendiam Daniel, Helena olhou para trás, para a mansão. O império de Daniel, construído sobre mentiras e traições, estava desmoronando. E o preço da liberdade, ela sabia, era alto. A verdade sobre sua herança, sobre a ruína de sua família, agora estava clara. Mas o caminho a seguir ainda era incerto.

Enquanto o carro se afastava, deixando para trás a mansão e Daniel derrotado, Helena sentiu um alívio imenso. Ela estava livre. Livre das manipulações de Daniel, livre das sombras do Ninho. O amor que sentira por Ricardo havia sido testado, distorcido, mas, de alguma forma, renascera das cinzas.

"O que vai acontecer agora?", Helena perguntou, sua voz baixa.

Ricardo olhou para ela, seus olhos transmitindo uma mistura de dor e esperança. "Vamos reconstruir, Helena. Juntos. Vamos honrar o legado do seu pai. E vamos garantir que a verdade venha à tona. E a justiça seja feita."

Helena assentiu, sentindo um fio de esperança brotar em seu peito. A jornada havia sido árdua, repleta de perdas e traições, mas o último beijo, aquele que ela dera a Ricardo antes da tragédia, agora ganhava um novo significado. Não era um beijo de adeus, mas um beijo de promessa. Uma promessa de um futuro, de redenção e, talvez, de um amor que, apesar de tudo, conseguira sobreviver.

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