A Esposa do Magnata

Capítulo 17 — A Fuga e a Promessa

por Isabela Santos

Capítulo 17 — A Fuga e a Promessa

O toque do telefone parecia rasgar o véu de desespero que envolvia Clara. A voz de Sofia, familiar e reconfortante, mas tingida de uma urgência que ela não conseguia decifrar completamente, a puxou de volta à realidade. Uma realidade que, naquele momento, parecia tão assustadora quanto a que ela tentava fugir. Ela sentiu um fio de esperança, tênue como a luz de uma vela em meio a um furacão, mas esperança, ainda assim.

"Sofia? O que aconteceu? O que você quer conversar?" Clara tentava manter a voz firme, mas a ansiedade a dominava.

"Não podemos falar por telefone, Clara. É... é importante. Muito importante. Você pode vir para cá? Por favor?" A súplica na voz de Sofia era palpável, e Clara não hesitou por um segundo.

"Sim. Claro. Estou indo. Me diga onde."

Sofia ditou o endereço de um café tranquilo, em um bairro afastado da mansão de Eduardo, um lugar que Clara raramente frequentava. "Eu estarei lá em vinte minutos. Não demore, por favor."

"Não vou. Estou saindo agora", Clara respondeu, e desligou.

O impulso de fugir, de se afastar daquele luxo opressor, de dores e segredos, era avassalador. Ela se levantou da cama, seus movimentos rápidos e decididos. Não havia tempo para pensar nas consequências, nas perguntas que Eduardo faria, na desordem que deixaria para trás. Havia apenas a necessidade premente de encontrar um refúgio, de se sentir segura, mesmo que por um breve momento.

Ela pegou uma bolsa simples, guardando o celular e a carteira. Ignorou os vestidos caros, as joias brilhantes. Naquele momento, a simplicidade era o que ela buscava, o que mais precisava. Ela desceu as escadas silenciosamente, o coração batendo forte contra as costelas, como se tentasse escapar de seu peito. Cada passo no mármore frio parecia amplificado, ecoando pela mansão vazia.

Ao chegar à garagem, ela optou por um dos carros menos chamativos, um sedã elegante, mas discreto. A chave estava no console. Enquanto ligava o motor, uma imagem de Eduardo passou por sua mente. Seus olhos azuis, a força de seu aperto de mão, o modo como ele a olhava. Era tudo uma farsa? A pergunta continuava a martelar, sem resposta. Mas agora, a prioridade era a necessidade de clareza, de uma conversa honesta com alguém em quem ela podia confiar.

A chuva continuava a cair, os limpadores do para-brisa lutando para manter a visibilidade. As ruas estavam molhadas e escuras, os faróis dos outros carros refletindo como flashes fugazes em meio à neblina. Clara dirigia com uma urgência silenciosa, cada quilômetro a afastando daquele mundo de aparências e a aproximando da verdade.

Ao chegar ao café, Sofia já estava lá, sentada em uma mesa no canto, o rosto pálido e os olhos inquietos. Assim que Clara entrou, Sofia se levantou e correu para abraçá-la. Era um abraço apertado, desesperado, que transmitia uma carga de emoções reprimidas.

"Clara! Graças a Deus você veio", Sofia sussurrou, a voz embargada.

Clara retribuiu o abraço, sentindo um alívio imediato pela presença de sua irmã. "Sofia, o que está acontecendo? Você me assustou."

Elas se sentaram, e Sofia, com as mãos tremendo, pediu dois cafés. O silêncio entre elas era tenso, preenchido apenas pelo burburinho discreto do café. Clara observava a irmã, percebendo a profundidade de seu sofrimento.

"É sobre Helena", Sofia começou, a voz baixa e hesitante. "E sobre o que ela te disse no baile."

Clara assentiu, a lembrança das palavras de Helena ainda queimando em sua mente. "Ela disse coisas terríveis, Sofia. Que Eduardo nunca me amou, que eu fui apenas um acessório."

Sofia fechou os olhos por um instante, como se reunisse forças. "Ela não mentiu, Clara. Não totalmente."

Aquelas palavras atingiram Clara como um golpe físico. Ela sentiu o ar faltar em seus pulmões. "O quê? Você... você sabia?"

"Eu sabia que Helena tinha um passado com Eduardo. Um passado complicado. E eu sabia que ela estaria lá para causar problemas. Mas eu não esperava... que ela fosse tão cruel." Sofia pegou as mãos de Clara, as suas frias e úmidas. "Clara, Eduardo e Helena tiveram um relacionamento anos atrás. Foi intenso, passional. Mas acabou. E quando ele te conheceu... eu acho que foi diferente."

"Diferente como?", Clara perguntou, a voz quase um sussurro. Ela precisava de detalhes, de clareza.

"Ele estava cansado do mundo dele, Clara. Cansado das mulheres interesseiras, do superficial. Ele te viu como algo puro, algo real. Algo que o atraiu pela sua simplicidade, pela sua bondade. Ele se apaixonou por você, Clara. De verdade."

"Mas por que Helena disse aquilo? Por que ela tentaria destruir isso?"

Sofia suspirou, um som pesado. "Helena é... complicada. Ela ainda tem sentimentos por Eduardo. Talvez não amor, mas uma possessividade doentia. E ela não suporta te ver feliz com ele. Ela quer te machucar, te afastar dele, e talvez... talvez ela ainda acredite que pode tê-lo de volta."

Clara sentiu um nó se formar em sua garganta. A dor da revelação era imensa, mas a esperança que Sofia trazia era ainda mais poderosa. "Então... então o que ela disse sobre ele não me amar... sobre eu ser um acessório... era mentira?"

"Eu não acho que seja a verdade completa, Clara. Eduardo te ama. Eu vejo isso. Eu vejo como ele te olha, como ele se preocupa com você. Mas ele é um homem orgulhoso, reservado. Ele não é bom em expressar seus sentimentos, especialmente em palavras. E ele tem medo, Clara. Medo de te perder."

"Medo? Medo de quê?"

"Medo de que você o deixe. Medo de que a vida dele, com toda a sua complexidade e os fantasmas do passado, seja demais para você. E ele sabe que Helena é um desses fantasmas. Ele sabe que ela pode te machucar."

Clara sentiu uma pontada de compreensão. A reserva de Eduardo, a sua aparente frieza em certos momentos... talvez fosse um escudo, uma forma de se proteger e de protegê-la.

"Mas por que você não me contou antes, Sofia? Por que esperar até agora?"

"Eu não queria te assustar. Eu queria que vocês construíssem o relacionamento de vocês, que você visse quem Eduardo realmente é. Mas Helena forçou a situação. E eu percebi que você precisava saber a verdade, a verdade completa, para poder decidir o que fazer."

Clara olhou para as próprias mãos, as unhas bem feitas contrastando com a angústia em seu rosto. A verdade era um labirinto complexo. Helena havia jogado suas cartas com crueldade, mas talvez, no fundo, a sua intenção fosse apenas expor a fragilidade de um relacionamento que, para Clara, parecia tão sólido.

"Eu não sei o que fazer, Sofia", Clara admitiu, a voz embargada pela emoção.

Sofia apertou suas mãos com mais força. "Você precisa conversar com ele, Clara. Você precisa falar abertamente sobre seus medos, sobre o que você sentiu. E você precisa ouvir o que ele tem a dizer. Sem acusação, sem raiva. Apenas... com a verdade."

"E se ele não me amar de verdade? E se Helena estiver certa?"

"Eu não acredito nisso, Clara. Eu acredito no Eduardo. E eu acredito em você. Eu acredito que vocês podem superar isso. Mas vocês precisam ser honestos um com o outro."

Clara fechou os olhos, imaginando o confronto com Eduardo. O que ela diria? Como ela lidaria com a possibilidade de que suas esperanças fossem infundadas?

"Eu preciso de tempo, Sofia", Clara disse finalmente. "Tempo para processar tudo isso. Tempo para pensar."

"Eu sei. E eu estarei aqui para você, sempre. Mas não fuja dele, Clara. Não fuja do amor de vocês. Lute por ele. Se ele for real, vale a pena."

Clara assentiu, sentindo um peso a menos em seus ombros, mas ainda com a incerteza pairando sobre ela. A promessa de Sofia era um bálsamo, mas a jornada à frente ainda era longa e incerta. Ela sentiu uma nova determinação crescer dentro de si. Ela não seria mais uma peã no jogo de Helena. Ela lutaria por sua própria felicidade, por seu próprio amor.

"Eu vou falar com ele", Clara disse, a voz firme. "Eu preciso saber a verdade. Toda a verdade."

Sofia sorriu, um sorriso genuíno que iluminou seu rosto. "Essa é a Clara que eu conheço."

Elas passaram mais algum tempo conversando, Sofia oferecendo apoio incondicional. Clara sentiu que havia encontrado um porto seguro em sua irmã. Ao sair do café, a chuva havia diminuído, dando lugar a um céu nublado, mas sem a fúria da tempestade. Clara dirigiu de volta para a mansão, não com a urgência da fuga, mas com a determinação da confrontação. Ela tinha uma promessa a fazer a si mesma: lutar pelo que amava, mesmo que isso significasse enfrentar seus maiores medos. E, pela primeira vez em muito tempo, ela sentiu que estava no controle de seu próprio destino.

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