O Segredo do Milionário III

Capítulo 12 — O Passado Sombrio de Ricardo Revelado

por Ana Clara Ferreira

Capítulo 12 — O Passado Sombrio de Ricardo Revelado

A mansão em Petrópolis, isolada e imponente em meio à serra, parecia o cenário perfeito para um drama de época. As paredes de pedra, o mobiliário antigo e a atmosfera carregada de história criavam um ambiente de reclusão forçada para Ricardo. Desde que voltara, após a conversa devastadora com Helena, ele mal saía de seu escritório, um santuário de papelada e sombras. A figura de Helena, seu rosto marcado pela dor, assombrava cada canto daquele lugar, cada pensamento.

Ele havia partido. Havia dito adeus, a palavra mais difícil que já havia pronunciado, e a dor em sua própria voz o atormentava. Sabia que a estava machucando, que a estava assustando com seu afastamento abrupto. Mas não havia outra escolha. O perigo era real, palpável, e se espalhava como uma mancha de óleo sobre águas cristalinas. A dívida de sua família não era apenas um débito financeiro; era uma teia de favores obscuros, de lealdades perigosas, de pessoas que não hesitavam em usar a violência para obter o que queriam.

Ricardo se recostou na cadeira de couro, o peso do mundo em seus ombros. A fortuna que ele havia construído, a reputação impecável que cultivara, tudo parecia frágil diante da ameaça que pairava sobre ele e, agora, sobre Helena. Ele havia jurado a si mesmo que jamais permitiria que o passado de sua família a afetasse. Mas o destino, com sua ironia cruel, havia traçado um caminho diferente.

Ele encarou a fotografia que jazia sobre a mesa: Helena, sorrindo, os olhos brilhando de felicidade. A imagem era um lembrete constante do que ele estava lutando para proteger. E, ao mesmo tempo, um tormento. Como poderia ele pedir a Helena que confiasse nele, que esperasse, quando ele mesmo lutava para encontrar uma saída?

“Helena… meu amor”, sussurrou, a voz embargada. “Se você soubesse o quanto me dói te afastar… mas é a única maneira.”

Ele fechou os olhos, as memórias invadindo sua mente como uma maré violenta. Lembrou-se das histórias que seu pai, um homem de negócios ambicioso e perigoso, contava em sussurros. Dos negócios que envolviam mais do que apenas dinheiro. Dos homens com olhares frios e intenções sombrias que frequentavam a casa quando ele era criança. Seu pai sempre o preparou para assumir o controle, para gerenciar os "ativos" da família. Mas Ricardo sempre nutriu um desejo diferente: construir algo limpo, algo que o orgulhasse. E por um tempo, ele acreditou ter conseguido.

Foi ao tentar se desvincular completamente dos negócios da família, ao tentar expurgar a influência deles de sua vida, que ele despertou a ira de antigos aliados de seu pai. Eles não aceitaram a saída. Exigiram o pagamento de uma dívida antiga, uma que ele sequer sabia que existia, mas que estava profundamente enraizada nos acordos feitos por seu pai antes de sua morte. E o preço era alto, muito mais alto do que ele poderia imaginar.

Ele havia tentado negociar, havia tentado encontrar brechas. Mas seus credores não eram homens de palavra. Eram predadores. E quando eles descobriram sobre Helena, quando perceberam que ela era a fraqueza dele, o jogo mudou.

“Eles a usariam para me atingir”, pensou, o suor frio escorrendo por sua testa. “Usariam a dor dela para me controlar.”

Seu olhar caiu sobre um antigo álbum de fotografias empoeirado, escondido em uma gaveta. Ele sabia que não deveria. Sabia que mergulhar naquele passado era abrir feridas que ele tentava manter fechadas. Mas a necessidade de entender a extensão da ameaça, de encontrar uma pista, era mais forte.

Com mãos trêmulas, abriu o álbum. As páginas amareladas revelavam rostos que ele mal reconhecia, mas que o assombravam em pesadelos. Ali estava seu pai, jovem e sorridente, ao lado de homens de aparência fria e calculista. Rostos que ele associava a histórias de chantagem, de extorsão, de violência velada. Ele folheou as páginas, cada imagem trazendo à tona um fragmento de informação, uma peça do quebra-cabeça perigoso que sua família havia montado.

Ele encontrou uma foto de seu pai com um homem que ele reconheceu imediatamente. Seu nome era Armando Vasconcelos. Um homem com fama de ser implacável, com ligações em diversos ramos do crime organizado. Vasconcelos era o tipo de homem que não deixava pontas soltas. E se ele estava envolvido na dívida de sua família, isso significava que o perigo para Helena era iminente e mortal.

Ricardo fechou o álbum com um baque. A verdade era mais cruel do que ele imaginara. A dívida era com Armando Vasconcelos. E Vasconcelos não era conhecido por sua misericórdia. Ele era conhecido por sua crueldade.

“Ele sabe sobre Helena”, a compreensão atingiu Ricardo como um soco no estômago. “Ele sabe que ela é a única coisa que me importa. E vai usá-la.”

A necessidade de protegê-la se tornou um instinto primário, mais forte do que qualquer amor que ele já sentira. Era uma responsabilidade que ele carregava desde que assumira os negócios da família, mas que agora se tornara um fardo esmagador. Ele havia jurado que sua fortuna seria um escudo para aqueles que amava, não uma corrente que os prendesse a perigos.

Ele se levantou, a inquietação o consumindo. Precisava de um plano. Precisava encontrar uma maneira de neutralizar Vasconcelos, de eliminar a ameaça antes que ela pudesse alcançar Helena. Mas como? Vasconcelos era poderoso, influente. Encontrá-lo, enfrentá-lo, era como tentar apagar um incêndio com a própria mão.

Ele pegou o telefone, o contato de seu advogado, Dr. Almeida, brilhando na tela. Dr. Almeida era um homem de confiança, um dos poucos que sabia a extensão dos problemas da família e que o ajudara a construir sua imagem pública.

“Almeida”, disse Ricardo, a voz firme, mas com um tom de urgência. “Precisamos conversar. Sobre os acordos antigos. Sobre Armando Vasconcelos.”

Do outro lado da linha, a voz cautelosa de Almeida respondeu. “Ricardo? O que aconteceu? Você parecia ter superado essa questão.”

“Não, eu não superei. Eu me enganei. Vasconcelos está de volta, e ele está… cobrando uma dívida. Uma dívida que envolve… mais do que dinheiro.” Ricardo hesitou, ponderando as palavras. “Ele sabe sobre Helena. E eu não vou permitir que ele a machuque.”

O silêncio de Almeida foi tenso. “Eu temia isso. Seu pai era um homem arriscado, Ricardo. Ele se meteu em muitos acordos obscuros. Vasconcelos é um lobo perigoso.”

“Eu sei. Por isso preciso da sua ajuda. Preciso descobrir onde ele está, quais são seus planos. Preciso de uma forma de desarmá-lo antes que ele possa agir.”

“É uma tarefa difícil, Ricardo. Vasconcelos é um fantasma para a justiça. Mas farei o que puder. Precisamos ser discretos. Muito discretos.”

“Discretos é pouco, Almeida. Precisamos ser invisíveis. Mas eu não posso esperar. Helena corre perigo.”

Ricardo desligou, o peso do mundo ainda mais pesado. Olhou para a foto de Helena novamente. O sorriso dela era um farol em meio à escuridão que o cercava. Ele não a deixaria ser a vítima de seus fantasmas. Ele lutaria. Lutaria com todas as suas forças, com toda a sua fortuna, com toda a sua astúcia, para mantê-la segura. E, se necessário, ele mergulharia de volta nas sombras de onde tentou escapar, apenas para garantir que o passado sombrio de sua família jamais alcançasse o futuro brilhante que ele sonhava para eles.

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