O Segredo do Milionário III

Capítulo 17 — A Fuga e o Encontro Inesperado

por Ana Clara Ferreira

Capítulo 17 — A Fuga e o Encontro Inesperado

O ar rarefeito de Petrópolis, que antes parecia um bálsamo para a alma de Helena, agora sufocava com a intensidade das revelações. A imagem de Ricardo, com seus olhos repletos de uma angústia fingida, pairava em sua mente como um espectro. A história que ele contara, sobre a mãe dela, sobre o "dom" que a tornava perigosa, soava como um conto de fadas distorcido, uma justificativa esfarrapada para anos de manipulação. Sofia, com sua postura firme e o olhar que não vacilava, era a única âncora em meio à tempestade.

Enquanto os homens de Sofia imobilizavam Ricardo, Helena sentiu uma urgência avassaladora de fugir. Não do lugar, mas daquela realidade sufocante. Precisava de ar, de espaço, de um lugar onde pudesse processar tudo aquilo. A luxuosa mansão em Petrópolis, que um dia representara um refúgio, agora se tornara uma prisão dourada.

"Preciso ir", Helena disse a Sofia, a voz embargada pela adrenalina e pela confusão.

Sofia assentiu compreensivamente, sabendo que a necessidade de Helena era mais profunda do que uma simples saída. "Eu cuido disso. Vá. Mas com cuidado, Helena. Ricardo pode ter aliados que você não imagina."

Um arrepio percorreu a espinha de Helena. Ela sabia que Sofia estava certa. A teia de Ricardo se estendia por muitos caminhos, e ela, agora ciente de sua própria natureza, tornara-se um alvo ainda maior. Agradeceu a Sofia com um olhar e correu para o carro que a esperava. O motorista, um homem discreto e leal a Sofia, já a aguardava.

"Para onde, senhorita?", ele perguntou, a voz baixa.

Helena hesitou por um instante. Para onde ir? Voltar para a sua antiga vida seria como usar um vestido apertado demais, agora que sabia que havia espaço para muito mais. Ficar em Petrópolis, sob o olhar de Ricardo e seus capangas, era impensável.

"Para o Rio de Janeiro", decidiu, a cidade que a acolhera, que a fizera sonhar, que agora seria seu refúgio e ponto de partida. "Para o meu antigo apartamento."

A viagem de volta foi um borrão. A paisagem montanhosa, antes tão convidativa, agora parecia opressora. Helena fechou os olhos, tentando silenciar o turbilhão de pensamentos. A mãe... essa figura idealizada, agora envolta em uma névoa de mistério e perigo. O "dom"... que dom era esse? Ela sentia, às vezes, uma energia estranha correndo por suas veias, uma intuição avassaladora, momentos de lucidez que pareciam vir de outro lugar. Seria isso?

Ao chegar ao Rio, a familiaridade da cidade a envolveu. O burburinho das ruas, o cheiro do mar, a beleza caótica que a abraçava. O apartamento, ainda como ela o deixara, era um santuário de sua antiga vida, um lembrete de quem ela pensava ser. Deixou as malas no chão e caminhou até a janela, olhando para a cidade que se estendia abaixo. Um novo começo, uma nova identidade a ser desvendada.

Nos dias que se seguiram, Helena mergulhou em uma busca silenciosa e desesperada. Releu cartas antigas de sua mãe, procurou por pistas em diários esquecidos, tentou decifrar os olhares de sua tia, que agora pareciam carregados de um pesar antigo. A casa de sua tia, em um bairro tranquilo e arborizado, tornou-se um dos seus primeiros destinos.

"Tia Clara", Helena a chamou, a voz suave, a dor em seus olhos refletindo a própria dor da tia. "Eu preciso saber a verdade. Sobre a minha mãe. Sobre mim."

Tia Clara a recebeu com um abraço apertado, um abraço que carregava anos de segredos guardados. Seus olhos, sempre gentis, agora estavam marejados.

"Minha querida Helena", ela suspirou, conduzindo a sobrinha para a sala. "Eu sabia que esse dia chegaria. Ricardo... ele sempre foi muito determinado em manter as coisas sob controle."

"Mas o que ele disse... é verdade? Sobre a minha mãe? Sobre mim?"

Tia Clara sentou-se, o corpo curvado pelo peso da confissão que estava prestes a fazer. "Sua mãe, Helena... ela era uma mulher extraordinária. Com uma sensibilidade e uma força que poucos possuíam. E sim, ela tinha... um dom. Uma conexão profunda com as emoções alheias, com a própria energia da vida. Ela podia sentir a dor, a alegria, o medo das pessoas como se fossem seus."

Helena ouvia atentamente, o coração batendo acelerado. Era isso. A sua intuição, aquela capacidade de saber o que os outros sentiam, de antecipar seus desejos e medos.

"Mas por que o Ricardo a escondeu? Por que me afastou?"

"Porque esse dom, Helena, quando não compreendido, pode ser... avassalador. Sua mãe lutou muito para controlá-lo. Houve momentos de desespero, de dor. E Ricardo, que a amava perdidamente, temeu que você seguisse o mesmo caminho. Ele acreditou que o melhor para você era uma vida protegida, longe de tudo que pudesse despertar essa natureza em você."

Tia Clara pegou a mão de Helena. "Mas ele se enganou, Helena. Esconder a verdade não a torna menos real. E você não é sua mãe. Você tem a sua própria força, a sua própria capacidade de amar e de controlar esse dom."

As palavras de Tia Clara trouxeram um alívio estranho, uma validação que Helena tanto precisava. Ela não era uma aberração, como Ricardo insinuara. Era apenas diferente.

Naquela mesma tarde, enquanto Helena tentava absorver tudo, um telefonema inesperado tocou seu celular. Um número desconhecido. Hesitante, ela atendeu.

"Helena?"

A voz era masculina, profunda e reconhecível. Um arrepio percorreu seu corpo, mas não de medo. Era um arrepio de surpresa, de uma conexão que ela não esperava.

"Quem é?", ela perguntou, o coração acelerado.

"Sou eu. Daniel."

Daniel. O homem que ela pensou ter deixado para trás, o homem cujo olhar a assombrava em seus sonhos mais secretos. O homem que, ela agora entendia, também parecia carregar um segredo.

"Daniel?", ela repetiu, incrédula. "Como você conseguiu o meu número?"

"Sofia me ajudou. Ela disse que você poderia precisar de um amigo. Ou de alguém que entendesse um pouco sobre... certas coisas."

A menção de Sofia e do "dom" fez Helena hesitar. Daniel sabia? Ou era apenas uma coincidência?

"Eu... eu tenho muito o que processar", Helena admitiu.

"Eu sei. E é por isso que eu liguei. Eu também tenho. E talvez, juntos, possamos entender um pouco melhor." Uma pausa. "Eu estou no Rio. Podemos nos encontrar? Tomar um café? Se você quiser, é claro."

Helena olhou pela janela para a imensidão do Rio. A fuga de Petrópolis a trouxera para um lugar de incerteza, mas agora, com essa ligação inesperada, uma nova porta se abria. Uma porta para o passado, talvez, mas também para um futuro que ela jamais imaginara.

"Sim, Daniel", disse Helena, a voz ganhando um tom de esperança. "Eu gostaria."

O encontro com Daniel, o homem que ela amara e que parecia carregar consigo o peso de um passado tão misterioso quanto o dela, prometia ser mais um capítulo crucial em sua jornada de autodescoberta. A armadilha de Petrópolis fora quebrada, mas a vida de Helena estava longe de se tornar simples. Estava apenas começando a desvendar os seus verdadeiros segredos.

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