O Segredo do Milionário III

Capítulo 23 — A Busca Pelos Rastros e o Sussurro da Traição

por Ana Clara Ferreira

Capítulo 23 — A Busca Pelos Rastros e o Sussurro da Traição

Os dias na cabana na Mata Atlântica se tornaram um ritual de planejamento e investigação. Rodrigo passava horas ao telefone, em conversas cifradas com contatos de confiança, disfarçados de reuniões de negócios. Isabella, por sua vez, dedicava seu tempo a vasculhar os computadores e documentos que Rodrigo havia conseguido recuperar antes da fuga. Eram pilhas de informações, planilhas complexas, e-mails crípticos. A tarefa era árdua, mas a perspectiva de desvendar a teia de Arthur dava a Isabella um propósito que a impulsionava.

"Ele é bom, Isabella," Rodrigo comentou uma noite, após uma longa ligação, seu rosto marcado pela tensão. "Ele mexe com dinheiro de fontes duvidosas, usa laranjas em paraísos fiscais. É como tentar pegar fumaça."

"Mas a fumaça deixa rastros, não é?", Isabella respondeu, com uma ponta de determinação em sua voz. Ela havia encontrado um padrão sutil em uma série de transações bancárias, uma série de transferências que pareciam aleatórias, mas que, sob uma análise mais atenta, convergiam para um único destino: uma conta offshore em nome de uma empresa de fachada. "Veja isso, Rodrigo. Essa sequência de pagamentos. Parece não ter ligação, mas olhe para os destinatários. São todas empresas que você mencionou como sendo de Arthur."

Rodrigo aproximou-se, seus olhos percorrendo as anotações de Isabella. Um brilho de interesse surgiu em seu olhar. "Você está certa. Eu havia descartado essas transações como insignificantes. Mas você conseguiu conectar os pontos. Sua atenção aos detalhes é impressionante, Isabella."

Um rubor subiu às faces de Isabella com o elogio. Era raro receber um reconhecimento tão sincero, especialmente vindo de Rodrigo, que era tão perspicaz. Ela sabia que ele via nela mais do que a vítima que Arthur havia tentando criar. Ele via uma mulher forte, inteligente e resiliente.

Enquanto Isabella se aprofundava nos documentos, Rodrigo intensificava sua rede de informantes. Ele buscava provas concretas, algo que pudesse ligar Arthur diretamente às atividades ilícitas. A cada dia, a pressão aumentava. Sabiam que Arthur não ficaria parado por muito tempo. Ele era um predador, e estar escondido na floresta era apenas uma pausa temporária.

Um dia, um dos contatos de Rodrigo, um advogado com quem ele mantinha uma longa parceria, enviou uma informação crucial. Um funcionário de confiança de Arthur, desiludido com os métodos de seu chefe e com medo de ser pego no fogo cruzado, estava disposto a colaborar. Ele tinha acesso a informações internas, a detalhes sobre as operações de Arthur que seriam inestimáveis.

"É arriscado para ele," Rodrigo disse, com a testa franzida. "Arthur não perdoa traições. Mas, se conseguirmos convencê-lo, teremos a chave para desmantelar tudo."

O plano era delicado. O informante marcaria um encontro em um local público e discreto, onde passaria para Rodrigo um pendrive com os dados. Isabella e Rodrigo se prepararam para a operação. A adrenalina corria em suas veias. A ideia de se expor, mesmo que por um breve momento, era aterrorizante, mas necessária.

No dia marcado, escolheram um café movimentado no centro de uma cidade vizinha. Isabella, com um disfarce simples – óculos escuros, um lenço na cabeça –, observava a entrada enquanto Rodrigo se sentava em uma mesa afastada, fingindo ler um jornal. O coração de Isabella batia descompassado. Cada pessoa que entrava era uma potencial ameaça.

O informante chegou. Um homem de aparência comum, com olhos nervosos, que se sentou discretamente em uma mesa próxima a Rodrigo. A troca foi rápida, quase imperceptível. O homem deixou o pendrive sobre a mesa, disfarçado como um pequeno pacote de açúcar, e se retirou. Rodrigo pegou o pacote, o corpo tenso, e voltou a se sentar, tentando manter a compostura.

"Consegui," ele sussurrou para Isabella, que se aproximou da mesa. Seu olhar transbordava alívio e satisfação.

De volta à segurança da cabana, Rodrigo conectou o pendrive ao computador. O que encontraram foi devastador. Havia registros de transações financeiras ilegais, documentos que comprovavam a lavagem de dinheiro, e, o mais chocante de tudo, provas de que Arthur havia orquestrado a ruína de vários de seus concorrentes, incluindo a empresa que seu próprio pai havia construído.

"Ele não parou por aí," Rodrigo disse, sua voz embargada pela raiva. Ele apontou para um documento. "Ele comprou a dívida da empresa do meu pai por uma ninharia, sabendo que ele estava em um momento de fragilidade. E usou isso para me desestabilizar, para me afastar do controle. Tudo para consolidar seu próprio poder."

Isabella sentiu um nó na garganta. A crueldade de Arthur era sem limites. Ele não poupava ninguém, nem mesmo seus entes queridos, em sua busca insaciável por poder.

"E o que ele fez com você, Isabella?", Rodrigo perguntou, sua voz suavizando um pouco. "O que ele fez para te afastar de mim?"

Isabella hesitou. A história era dolorosa, humilhante. "Ele me convenceu de que você era perigoso. Que você estava me usando para atingir seus objetivos. Ele forjou documentos, plantou informações falsas. Ele me isolou, me fez acreditar que eu estava em perigo com você. E, em seguida, ele me aprisionou." Ela não conseguiu reprimir um tremor em sua voz. "Ele me drogou, me fez acreditar que eu estava tendo um surto psicótico. Ele me tirou de mim mesma, Rodrigo."

Rodrigo a abraçou com força, seu corpo tremendo. Ele sentiu a dor dela, a humilhação, o medo. Ele nunca imaginou a extensão da crueldade de Arthur.

"Ele não vai sair impune," Rodrigo jurou, sua voz rouca de emoção. "Nós vamos acabar com ele, Isabella. Vamos expor cada um de seus crimes. E vamos garantir que ele pague por tudo que ele fez."

Com as novas provas, o plano de Rodrigo ganhou um novo impulso. Ele já estava em contato com a polícia federal e com a imprensa, preparando o terreno para a divulgação das informações. A intenção era criar um escândalo midiático que forçaria Arthur a se expor e, consequentemente, a ser preso.

No entanto, enquanto a sensação de vitória se aproximava, uma sombra de dúvida começou a se formar. O informante que havia passado as informações para Rodrigo parecia mais ansioso do que o necessário. Havia algo em seu comportamento que não se encaixava. Rodrigo, com sua intuição aguçada, percebeu.

"Algo não me parece certo, Isabella," ele confidenciou. "A forma como ele nos deu as informações. Foi muito fácil. Arthur é esperto demais para cair em uma armadilha tão óbvia."

Isabella sentiu um arrepio percorrer sua espinha. "Você acha que ele sabia que iríamos conseguir as informações?"

"Não apenas que iríamos conseguir," Rodrigo ponderou, seus olhos fixos no monitor do computador. "Acho que ele nos deixou pegar. Acho que ele tem um plano maior."

A revelação atingiu Isabella como um soco no estômago. A possibilidade de terem caído em uma nova armadilha, de Arthur ter manipulado tudo, era aterrorizante.

"Mas por quê?", ela perguntou, confusa. "Por que nos deixar pegar provas contra ele?"

"Porque ele quer nos pegar de surpresa," Rodrigo respondeu, sua voz tensa. "Ele quer que a gente pense que está ganhando, para depois nos atingir com força total. Ele quer nos tirar daqui, nos expor. Ele quer a vingança."

De repente, um barulho alto vindo de fora da cabana fez ambos congelarem. O som de galhos se quebrando, seguido por um silêncio sinistro.

"Alguém está lá fora," Rodrigo sussurrou, pegando uma lanterna e um cano de metal que ele mantinha por perto.

Isabella sentiu o medo a dominar. As sombras da floresta, que antes pareciam protetoras, agora se transformavam em um ninho de perigos. O sussurro da traição pairava no ar, e eles sabiam que a batalha pela liberdade estava longe de terminar.

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