O CEO e a Secretária II

Capítulo 19 — A Fuga Desesperada e o Sacrifício Inesperado

por Ana Clara Ferreira

Capítulo 19 — A Fuga Desesperada e o Sacrifício Inesperado

O som do motor rugindo ao longe, cortando o silêncio opressor da fazenda, fez o coração de Luiza e Ricardo acelerar. Victor havia retornado, e com ele, um capanga imponente, cujos olhos frios pareciam perscrutar cada sombra. Presos no escritório, com a pasta contendo a verdade sobre os crimes de Victor escondida em um compartimento secreto, eles sabiam que a situação se tornara perigosamente crítica. A adrenalina que antes impulsionava sua coragem agora se misturava a uma dose de medo palpável.

"Ele está na casa", Ricardo sussurrou, os olhos arregalados, ouvindo os passos pesados de Victor e seu capanga ecoarem pelos cômodos. "Eles estão procurando por alguma coisa. Ele sabe que estivemos aqui."

Luiza sentiu um frio na espinha. A confiança que ela depositara em Ricardo, a coragem que a fizera adentrar aquela propriedade sinistra, tudo agora estava sendo testado ao extremo. Ela sabia que precisavam sair dali, e precisavam sair com a pasta. A prova que poderia arruinar Victor e trazer justiça para sua família estava a poucos metros de distância, mas a presença dele transformava a busca por ela em um jogo de roleta russa.

"A pasta está segura, mas precisamos sair antes que ele nos encontre", Luiza disse, a voz tensa. Ela olhou pela janela empoeirada, para o galpão em ruínas do lado de fora. Havia um buraco na parede de madeira, um ponto fraco na segurança aparente da propriedade. "Ricardo, o galpão. Há uma abertura. Se conseguirmos chegar lá, podemos escapar pelos fundos."

Ricardo seguiu o olhar dela. "É arriscado. Eles estão perto. Mas é a nossa única chance." Ele respirou fundo. "Preciso que você seja rápida. Quando eu der o sinal, corra. Eu tentarei distraí-los."

Um nó se formou na garganta de Luiza. "Distraí-los? Como?"

"Vou criar uma distração. Um barulho. Algo que chame a atenção deles para longe de nós. Você aproveita e foge para o galpão. Eu te encontrarei lá." O olhar dele era determinado, mas havia uma sombra de apreensão que não passou despercebida por Luiza. Ela sentia que ele estava se colocando em perigo.

Enquanto isso, os sons da busca de Victor e Gabriel ficavam mais próximos. Ouvem-se vidros quebrando, objetos sendo atirados contra o chão. Victor estava fora de si, a raiva transbordando em sua voz.

"Onde está aquela maldita pasta?!", ele gritou, a voz rouca de fúria. "Eu sei que vocês estiveram aqui!"

Ricardo esperou o momento exato. Quando Victor e Gabriel se aproximaram da porta do escritório, Ricardo pegou um pesado vaso de cerâmica que estava em uma prateleira e o atirou contra a parede oposta, perto da entrada principal. O estrondo foi ensurdecedor.

"O que foi isso?", Gabriel rosnou, seus instintos de segurança ativados.

"Vão verificar!", Victor ordenou, os olhos injetados de sangue.

Ricardo deu um leve aceno para Luiza. "Agora!"

Luiza não hesitou. Abriu a porta dos fundos e correu em direção ao galpão, o coração disparado, a respiração ofegante. O vento chicoteava seu rosto, a poeira subia a seus pés. Ela podia ouvir os gritos de Victor e Gabriel se afastando, em direção ao barulho que Ricardo havia criado.

Quando chegou ao galpão, a porta estava travada. Ela forçou a madeira antiga, sentindo os músculos arderem. Finalmente, a porta cedeu com um rangido. Lá dentro, a escuridão era densa, com apenas alguns feixes de luz entrando pelas frestas das paredes. Ela se moveu rapidamente em direção ao buraco que havia visto, uma abertura precária na parede.

Assim que estava prestes a passar por ele, ouviu um som atrás de si. Um som que fez seu sangue gelar. Era a voz de Victor.

"Onde você pensa que vai, Luiza?"

Ela se virou, o pânico tomando conta. Victor estava ali, parado na entrada do galpão, o sorriso cruel nos lábios. Ao seu lado, Gabriel, com uma expressão sombria. Ricardo não estava em lugar nenhum.

"Onde está o Ricardo, Victor?", Luiza exigiu, a voz tremendo, mas com uma raiva contida que a surpreendeu.

Victor soltou uma risada fria. "Ah, o Ricardo… ele foi muito corajoso. Tentou me distrair. Um sacrifício um tanto quanto… desnecessário. Mas, digamos que ele decidiu ficar para trás para garantir que você tivesse tempo de escapar. Um gesto nobre, não acha?"

As palavras dele atingiram Luiza como um soco. Ricardo se sacrificara por ela. A ideia a dilacerou. "Você está mentindo!"

"Estou? Ou estou apenas sendo honesto sobre a sua insignificância?", Victor provocou, dando um passo à frente. Gabriel se posicionou para bloqueá-la. "Agora, a pasta. Onde ela está?"

Luiza sentiu o desespero tomar conta. Ela não podia deixar Victor conseguir a pasta. Não podia deixar o sacrifício de Ricardo ser em vão. Ela olhou ao redor, desesperada, e seus olhos pousaram em um pequeno barril de óleo enferrujado no canto do galpão. Uma ideia ousada, talvez insana, se formou em sua mente.

"Você não vai conseguir!", ela gritou, e com uma força que não sabia que possuía, empurrou o barril de óleo na direção de Victor e Gabriel.

O barril rolou com um estrondo, espalhando o líquido inflamável pelo chão de terra. Victor e Gabriel recuaram, surpresos. Naquele instante, Luiza viu sua chance. Sem hesitar, pegou um isqueiro que guardava no bolso e o acendeu.

"Não!", Victor gritou, percebendo a intenção dela.

Mas era tarde demais. Luiza jogou o isqueiro aceso no chão oleoso. Uma labareda intensa irrompeu, engolindo o galpão em chamas. O fogo se espalhou rapidamente, alimentado pelo óleo e pela madeira seca.

Luiza correu para o buraco na parede, a pele queimando com o calor, o fumo enchendo seus pulmões. Ela se espremeu pela abertura, caindo do lado de fora, tossindo violentamente. O fogo consumia o galpão, iluminando a noite com um brilho laranja e ameaçador.

Ela se levantou cambaleando, olhando para trás. A estrutura em chamas, as silhuetas de Victor e Gabriel contra o fogo, um espetáculo de destruição. Ela não sabia o que havia acontecido com eles. Mas sabia que precisava fugir. Precisava encontrar Ricardo.

Correu pela mata, sem rumo, impulsionada pelo medo e pela urgência. A imagem de Ricardo se sacrificando por ela a assombrava. Cada sombra parecia um inimigo, cada barulho a assustava.

Finalmente, exausta e desesperada, avistou uma figura emergindo da escuridão. Era Ricardo. Ele estava machucado, com um corte na testa e a camisa rasgada, mas estava vivo.

"Ricardo!", ela gritou, correndo em sua direção e o abraçando com toda a força.

Ele a abraçou de volta, a força em seu aperto revelando o alívio que sentia. "Luiza! Você está bem!"

"Eu… eu fiz o que você disse. Eu fugi", ela disse entre soluços. "Mas… Victor… Gabriel… o galpão…"

Ricardo a acalmou, o rosto marcado pela dor e pela preocupação. "Eu os vi. O fogo foi… intenso. Não sei se eles sobreviveram. Mas você está segura. E você conseguiu a pasta." Ele olhou para ela com admiração. "Você foi incrivelmente corajosa, Luiza."

Luiza se afastou um pouco, os olhos marejados. "Eu tive que fazer isso. Por você. Por nós."

Eles se olharam, a conexão entre eles mais forte do que nunca, forjada na adversidade e no perigo. A fuga desesperada, o sacrifício inesperado de Ricardo, a coragem audaciosa de Luiza – tudo culminou naquele momento, sob o céu estrelado, com o brilho alaranjado do fogo ao longe, um símbolo da destruição de Victor e da promessa de um novo amanhecer.

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