O CEO e a Secretária II

Capítulo 4 — A Surpresa no Leilão e o Encontro Inesperado

por Ana Clara Ferreira

Capítulo 4 — A Surpresa no Leilão e o Encontro Inesperado

O último projeto estava concluído com sucesso. A aquisição da TechNova fora um triunfo, um ponto final digno para a gestão de Ricardo Montenegro na LuxCorp. Os holofotes da mídia estavam voltados para o CEO, elogiando sua visão estratégica e seu legado. Mas para Luiza, o brilho daquela conquista era ofuscado pela melancolia da partida iminente. Faltavam apenas duas semanas para que Ricardo deixasse oficialmente o comando da empresa.

Em meio à correria de despedidas e transições, Luiza recebeu um convite inesperado: um evento beneficente, um leilão de arte a favor de uma instituição de caridade de apoio a jovens artistas. A organizadora era a própria LuxCorp, e o convite era endereçado a todos os funcionários de alto escalão. Ela hesitou em ir. Sua vida pessoal era discreta, avessa a eventos sociais. Mas algo a impulsionou a aceitar. Talvez fosse a necessidade de um último vislumbre do mundo de Ricardo, antes que ele se tornasse apenas uma memória distante.

A noite do leilão chegou, e Luiza se arrumou com cuidado. Optou por um vestido discreto, de cor azul marinho, elegante e sem exageros. Ao chegar ao luxuoso salão de eventos, sentiu-se um pouco deslocada. O ambiente era repleto de socialites, empresários influentes e artistas renomados. E, em meio a toda aquela agitação, ela o viu.

Ricardo Montenegro estava lá, impecável em um smoking, o olhar intenso percorrendo o salão. Ele parecia um homem de outro mundo, alheio à multidão, imerso em seus próprios pensamentos. Luiza sentiu o coração acelerar. Era a última vez que o veria em seu ambiente natural, em meio ao glamour e ao poder que ele tão bem representava.

Ela tentou se misturar à multidão, observando as obras de arte expostas, os lances acalorados. De repente, uma voz familiar a chamou.

“Luiza! Que surpresa agradável te encontrar aqui!”

Era Bruno Vasconcelos, com seu sorriso forçado e um copo de champanhe na mão. Ele se aproximou dela, o olhar calculista.

“Não sabia que você frequentava esses círculos, Luiza. Impressionante.”

“Boa noite, senhor Vasconcelos”, ela respondeu, mantendo a polidez. “Fui convidada pela empresa.”

“Claro, claro”, ele disse, com um tom de escárnio velado. “A fiel escudeira do chefe. Ouvi dizer que Ricardo está pensando em expandir seus negócios para o ramo da arte depois que sair daqui. Talvez você possa ajudá-lo a encontrar novos talentos, não é?”

Luiza sentiu o sangue ferver. Bruno não perdia a oportunidade de semear a discórdia e a desconfiança. “Eu estou aqui para apoiar a instituição de caridade, senhor Vasconcelos. E não tenho nenhuma informação sobre os planos futuros do senhor Montenegro.”

Antes que Bruno pudesse responder, a voz de Ricardo soou, cortando o ar com sua autoridade natural. “Bruno, não estou vendo você desfrutando do leilão. Talvez devesse dar uma olhada nas obras antes que elas sejam vendidas.”

Ricardo se posicionou entre Luiza e Bruno, um gesto protetor que a pegou de surpresa. Bruno deu um sorriso irônico para Luiza e se afastou, murmurando algo inaudível.

Ricardo se virou para Luiza, um leve sorriso nos lábios. “Espero que você não esteja se divertindo com a companhia dele.”

“De forma alguma, senhor Montenegro”, ela respondeu, sentindo-se subitamente envergonhada. “Ele é… persistente.”

“Eu sei. Um problema que terei que resolver quando ele deixar a LuxCorp. Ele não entende que o mundo não gira apenas ao redor dele.” Ricardo a encarou, e a intensidade de seu olhar a fez desviar o olhar. “Mas me diga, Luiza. O que você achou das obras? Viu algo que te chamou a atenção?”

Eles começaram a conversar sobre as obras de arte, e Luiza se surpreendeu ao descobrir que Ricardo tinha um gosto refinado e um conhecimento surpreendente sobre arte. Ele falava sobre técnicas, sobre a inspiração por trás de cada peça, e Luiza se sentia encantada com aquela faceta dele que ela mal conhecia.

“Aquela ali”, Luiza apontou para uma tela vibrante, cheia de cores quentes e formas abstratas. “Me lembra… a paixão. A força da criação.”

Ricardo a observou, um brilho nos olhos. “Interessante. Eu vejo ali uma certa… melancolia. Uma beleza que surge da dor.” Ele fez uma pausa, seu olhar se fixando no dela. “Talvez você me entenda melhor do que eu imaginava, Luiza.”

O leiloeiro anunciou a próxima peça, uma pintura a óleo de um cenário campestre, com tons suaves e uma atmosfera serena. Era uma obra que evocava paz e tranquilidade.

“Essa me traz uma sensação de… lar”, Luiza comentou. “De um lugar onde se pode encontrar descanso.”

Ricardo sorriu. “Um lugar que eu busco encontrar.” Ele se aproximou um pouco mais, e o perfume amadeirado dele a envolveu. “Sabe, Luiza, quando eu decidi sair da LuxCorp, pensei em ir para longe. Recomeçar em um lugar onde ninguém me conhecesse. Mas… talvez o que eu precise não seja fugir, mas sim encontrar.”

O leiloeiro anunciou que a próxima peça seria leiloada em prol de uma causa especial, e um suspense tomou conta do salão. Era uma escultura delicada, feita de bronze, representando um casal abraçado em um momento de profunda intimidade. A peça era de uma beleza ímpar, carregada de emoção.

Os lances começaram, e o preço subiu rapidamente. Luiza observava, maravilhada com a arte e com a generosidade dos presentes. De repente, ela percebeu que Ricardo estava participando ativamente do leilão, com lances cada vez mais altos.

“Senhor Montenegro, a escultura é linda, mas está em um valor muito alto”, ela comentou, preocupada.

Ele a olhou, e em seus olhos havia uma determinação que ela já conhecia bem. “Luiza, essa escultura… ela me lembra de algo. De alguém. É importante para mim.”

O leilão chegou ao clímax, e Ricardo fez o lance final, arrematando a escultura por um valor considerável. Um aplauso geral ecoou pelo salão.

Enquanto a escultura era levada para ser embalada, Ricardo se voltou para Luiza. “Eu tenho um pedido para você, Luiza. Algo que vai além do profissional.”

Ela o encarou, curiosa e apreensiva. “Pode falar, senhor Montenegro.”

“Quando eu sair da LuxCorp, eu gostaria que você… me ajudasse a organizar meu novo espaço. Eu comprei uma casa antiga, no interior, perto de um lago. Preciso de alguém com o seu bom gosto e sua discrição para me ajudar a torná-la um lar. Alguém que entenda o que é ‘descanso’ e ‘lar’.”

Luiza ficou sem palavras. A proposta era totalmente inesperada, audaciosa. Era um convite para entrar na vida pessoal dele, para o santuário que ele estava construindo. Era a oportunidade de ver o homem por trás do CEO, de ajudá-lo a encontrar a paz que ele buscava.

“Senhor Montenegro, eu… eu não sei o que dizer. É uma proposta muito… generosa.”

Ele sorriu, um sorriso que transmitia esperança e uma certa vulnerabilidade. “Luiza, você foi minha confidente silenciosa por cinco anos. Você viu mais de mim do que a maioria das pessoas. E eu confio em você. Confio na sua capacidade, na sua discrição, e… na sua percepção. O que me diz?”

Ela olhou para ele, para a sinceridade em seus olhos azuis, para a esperança que ele emanava. A ideia de sair do Rio, de deixar a agitação da cidade e se dedicar a um projeto pessoal, ao lado de Ricardo Montenegro, era ao mesmo tempo assustadora e sedutora. Era a chance de um recomeço, de uma nova aventura.

“Eu… aceito, senhor Montenegro”, Luiza disse, a voz trêmula de emoção. “Ficarei honrada em ajudá-lo.”

Um sorriso radiante iluminou o rosto de Ricardo. Ele estendeu a mão, e desta vez, Luiza não hesitou em apertá-la. O toque de suas mãos foi firme, uma promessa silenciosa de um novo capítulo.

“Ricardo”, ele disse, a voz suave. “Por favor, me chame de Ricardo. E você, Luiza… você pode continuar me chamando de Luiza, se assim preferir. Mas sinto que, a partir de agora, nossas vidas tomarão um rumo diferente.”

Naquele momento, sob o brilho das luzes do salão de eventos, cercada pela arte e pela filantropia, Luiza sentiu que algo profundo havia mudado. O encontro inesperado no leilão, a escultura do casal, a proposta de Ricardo, tudo conspirava para tecer um novo destino. Ela estava prestes a embarcar em uma jornada que a levaria para longe da LuxCorp, para longe da vida que ela conhecia, em direção a um futuro incerto, mas promissor, ao lado do homem que, de chefe impenetrável, se transformara em um enigma a ser desvendado, em um homem em busca de si mesmo. E ela, Luiza Almeida, estaria lá para testemunhar, e talvez, para ajudar a guiar essa redescoberta.

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