O CEO e a Secretária II

Capítulo 5 — O Caminho para o Interior e a Casa Sob o Sol

por Ana Clara Ferreira

Capítulo 5 — O Caminho para o Interior e a Casa Sob o Sol

A despedida oficial de Ricardo Montenegro da LuxCorp foi discreta, sem grandes alardes. Uma pequena reunião com a diretoria, um último aperto de mãos, e ele se foi. A empresa, antes dominada por sua presença imponente, agora parecia estranhamente vazia. Luiza sentia a ausência dele em cada canto, em cada tarefa rotineira que antes era compartilhada ou supervisionada por ele. A transição para o novo CEO, um homem competente, mas sem o carisma e a visão de Ricardo, era palpável.

Mas a melancolia de Luiza não durou muito. A proposta de Ricardo a tirava da zona de conforto e a impulsionava para um futuro desconhecido. Duas semanas após a saída dele, ela embarcou em um voo para o sul do país, onde ficava a propriedade que ele havia adquirido. A escultura do casal, arrematada no leilão, viajava em uma caixa especial, embalada com o mesmo cuidado que ela mesma recebera em sua organização.

O aeroporto do interior era pequeno e tranquilo, um contraste gritante com o burburinho do Rio de Janeiro. Ricardo já a esperava, não em um carro de luxo, como ela esperava, mas em uma caminhonete robusta, com um sorriso genuíno no rosto. Ele parecia mais relaxado, a expressão menos tensa, o cabelo um pouco mais desalinhado, como se o peso do mundo tivesse sido sutilmente aliviado de seus ombros.

“Luiza! Que bom que chegou. Estava ansioso para te ver por aqui.” Ele abriu a porta da caminhonete para ela, um gesto de cavalheirismo que a fez sorrir.

“Boa tarde, Ricardo. A viagem foi tranquila.”

“Ótimo. A casa não é exatamente um palácio, mas tem uma vista espetacular. E o silêncio… ah, o silêncio é uma coisa rara hoje em dia.”

Enquanto dirigiam pela estrada de terra, cercada por campos verdejantes e o céu azul infinito, Luiza sentia uma paz que não experimentava há muito tempo. O ar era puro, o cheiro de terra e mato invadia o carro, e a ausência de buzinas e sirenes era quase um bálsamo para seus ouvidos acostumados ao caos urbano.

A casa surgiu no horizonte como um sonho. Era uma construção antiga, com paredes de pedra e telhado de cerâmica, rodeada por um jardim exuberante e árvores frondosas. Uma varanda ampla se estendia pela frente, oferecendo uma vista deslumbrante para um lago cristalino que cintilava sob o sol da tarde. Era exatamente como ele descrevera: um refúgio, um lugar de descanso.

“É… linda, Ricardo. Muito mais do que eu imaginava”, Luiza disse, maravilhada.

“Eu soube que era o lugar certo no momento em que a vi. Senti que ali, eu poderia me reencontrar.” Ele desceu da caminhonete e a conduziu até a porta principal. “Seja bem-vinda ao meu novo começo, Luiza.”

Os dias seguintes foram uma imersão em um trabalho que Luiza jamais imaginara. Ela e Ricardo trabalhavam juntos, não mais em contratos e relatórios financeiros, mas em móveis, cores, texturas. Ele a ouvia atentamente, valorizando suas sugestões, transformando a casa em um espaço que refletia a paz que ele tanto buscava. Ela o observava manusear ferramentas com a mesma precisão com que antes assinava contratos, a força de seus braços musculosos se destacando contra a camisa de linho.

Eles passavam horas conversando, não sobre negócios ou o passado doloroso, mas sobre coisas simples. Sobre o tipo de flores que plantariam no jardim, sobre os livros que leriam à noite, sobre o som dos pássaros ao amanhecer. Luiza descobriu um Ricardo mais leve, mais acessível, um homem que, livre das pressões da LuxCorp, parecia desabrochar.

Uma tarde, enquanto organizavam a sala de estar, Luiza desempacotou a escultura do casal. Ela a colocou em um lugar de destaque, em uma prateleira com vista para o lago. Ricardo a observou, e um sorriso melancólico surgiu em seus lábios.

“Ela me lembra que o amor pode ser encontrado, e também pode ser perdido. Mas que as lembranças dele, quando bem cuidadas, podem nos guiar.” Ele se aproximou dela, o olhar fixo em seus olhos. “Você me ajudou a encontrar um novo caminho, Luiza. A encontrar um lugar onde essa escultura não seja apenas uma lembrança do que perdi, mas um símbolo do que ainda posso encontrar.”

Ele estendeu a mão e tocou suavemente o rosto dela. O gesto foi carregado de uma ternura que fez o coração de Luiza disparar. A proximidade dele, o calor de sua pele, a intensidade de seu olhar, tudo criava uma eletricidade que a envolvia.

“Ricardo…”, ela sussurrou, a voz embargada pela emoção.

“Luiza”, ele disse, o nome dela soando como uma prece em seus lábios. “Eu não sei o que o futuro nos reserva. Mas sei que não quero mais estar sozinho. E sei que encontrei em você uma companheira, uma alma que entende a busca por paz, por significado.”

Ele se inclinou e a beijou. Foi um beijo suave, mas carregado de toda a intensidade dos sentimentos reprimidos, de toda a esperança de um novo começo. Luiza respondeu ao beijo, entregando-se àquele momento, àquele homem que, de chefe impenetrável, se tornara o centro de sua atenção e de seus anseios.

Naquele abraço, sob o sol da tarde que banhava a casa em tons dourados, Luiza sentiu que não estava mais apenas cumprindo uma promessa. Estava embarcando em uma nova jornada, ao lado de um homem que, assim como ela, buscava reencontrar a si mesmo. A casa no interior, com sua serenidade e beleza, tornava-se o cenário perfeito para o florescimento de um sentimento novo, um amor que nascia das cinzas do passado e que prometia um futuro luminoso, um futuro onde a chama que Ricardo pedira para ela manter acesa, agora ardia com a força de um sol novo. O eco de um adeus silencioso havia se transformado no vibrante canto de um novo amor.

Compartilhar este capítulo:

เว็บไซต์นี้ใช้คุกกี้

เราใช้คุกกี้เพื่อปรับปรุงประสบการณ์การอ่านนิยายของคุณ วิเคราะห์การเข้าชม และแสดงโฆษณาที่เกี่ยวข้อง รายได้จากโฆษณาช่วยให้เราให้บริการอ่านนิยายฟรีต่อไปได้ อ่านรายละเอียดเพิ่มเติมที่ นโยบายความเป็นส่วนตัว

ตะกร้า eBook

ตะกร้าว่างเปล่า

เพิ่ม eBook ลงตะกร้าเพื่อรับส่วนลดพิเศษ

ส่วนลด Bundle

ซื้อ 3-4 เล่มลด 10%
ซื้อ 5-9 เล่มลด 15%
ซื้อ 10+ เล่มลด 20%