Cap. 13 / 21

Rendida a ele II

Capítulo 13 — O Encontro Inesperado de Rafael e Sofia

por Ana Clara Ferreira

Capítulo 13 — O Encontro Inesperado de Rafael e Sofia

Rafael sentia o peso da verdade como uma âncora em seu peito. A revelação sobre sua verdadeira paternidade e a manipulação implacável de Dona Celeste o deixaram atordoado. Cada lembrança, cada interação com os Vasconcelos, agora parecia tingida de um cinismo amargo. Ele era o filho ilegítimo, o que fora mantido na sombra, o que fora deliberadamente esquecido.

Ele estava em um café modesto no centro da cidade, o burburinho das conversas e o aroma de café fresco tentando em vão distraí-lo. A imagem de Helena, a forma como ela o olhava, com uma mistura de dor e uma estranha compaixão, o incomodava. Ela era a esposa de Ricardo, a mulher que ele havia conhecido em circunstâncias tão… complicadas. E agora, ela era uma peça fundamental nesse intrincado quebra-cabeça de mentiras.

Ele pegou o celular, o nome de Sofia gravado na tela. Sofia, sua amiga de infância, a única pessoa a quem ele podia recorrer sem medo de ser julgado. Ele precisava falar com alguém, desabafar, encontrar um porto seguro em meio àquela tempestade de emoções.

"Sofia? Sou eu, Rafael."

A voz dela, calorosa e cheia de preocupação, trouxe um breve alívio. "Rafael! Que bom ouvir você. Achei que tinha desaparecido. O que aconteceu?"

"É… complicado, Sofia. Preciso te ver. Agora."

"Claro. Onde você está?"

Rafael descreveu o café, e Sofia prometeu estar lá em poucos minutos. A expectativa de compartilhar tudo com ela, de ter o seu apoio incondicional, era um bálsamo para sua alma ferida.

Enquanto esperava, ele observava as pessoas ao redor, cada uma imersa em suas próprias vidas, alheias à complexidade do seu destino. Ele se perguntava se Helena estava bem. Se Ricardo estava lidando com a verdade. E se Dona Celeste… ele não conseguia nem começar a pensar nela.

De repente, uma voz familiar o tirou de seus pensamentos.

"Rafael? É você mesmo?"

Ele ergueu os olhos e seu coração deu um salto. Era Sofia, mas não apenas ela. Ao seu lado, estava uma mulher que ele reconheceu imediatamente. A beleza exótica, os cabelos escuros emoldurando um rosto expressivo, os olhos penetrantes que pareciam ler sua alma. Era Isabella. A ex-namorada de Ricardo, a mulher que ela sempre o desprezara, a mulher que ele acreditava ter encontrado em seus encontros clandestinos com Ricardo.

Sofia sorriu, um sorriso de desculpas. "Me desculpe, Rafael. Isabella estava comigo. Ela insistiu em vir."

Rafael sentiu um arrepio percorrer sua espinha. A presença de Isabella ali, naquele exato momento, parecia um prenúncio de mais complicações.

"Isabella", ele disse, a voz tensa. Ele não a cumprimentou com o calor que esperava.

Isabella o encarou, um leve sorriso zombeteiro brincando em seus lábios. "Rafael. Que surpresa desagradável."

Sofia percebeu a tensão e tentou amenizar. "Vamos sentar todos. Eu te conto o que aconteceu com a Isabella depois."

Eles se sentaram em uma mesa afastada, o silêncio constrangedor entre Rafael e Isabella sendo preenchido pela conversa animada de Sofia sobre seus últimos projetos de fotografia. Rafael, no entanto, mal conseguia se concentrar. Seus olhos voltavam-se constantemente para Isabella, que o observava com uma curiosidade calculista.

Finalmente, Sofia se virou para Rafael. "Então, o que está acontecendo? Você parecia tão… perturbado ao telefone."

Rafael respirou fundo, decidindo confiar em Sofia, mesmo com Isabella presente. Ele começou a contar a história, desde a descoberta de sua verdadeira paternidade até as manipulações de Dona Celeste. Ele falou sobre Ricardo, sobre Helena, sobre a confusão e a dor que sentia.

Enquanto ele falava, Isabella permaneceu em silêncio, sua expressão indecifrável. A cada palavra que Rafael pronunciava, um lampejo de surpresa, mas também de algo mais sombrio, passava por seus olhos.

Quando Rafael terminou, um silêncio pesado pairou sobre a mesa. Sofia pegou a mão dele, oferecendo conforto.

"Rafael, eu… eu sinto muito que você tenha passado por tudo isso. Mas você é forte. Você vai superar."

Rafael agradeceu com um olhar. Então, ele se virou para Isabella.

"E você, Isabella? O que você tem a dizer sobre isso? Você sabia alguma coisa?"

Isabella riu, um som baixo e sarcástico. "Eu sabia que a família Vasconcelos era um ninho de cobras. Mas não imaginava que as mentiras chegassem a esse ponto."

"Você sabia sobre mim? Sobre o meu pai?"

"Eu sabia que havia um filho secreto. Um filho que Dona Celeste tentava esconder a todo custo. E eu sabia que você era um problema para os planos dela."

Rafael a encarou, a desconfiança crescendo em seu peito. A maneira como ela falava, com uma frieza calculista, o deixava desconfortável.

"E você? Como você sabia disso tudo?"

Isabella deu de ombros. "Ricardo e eu… tínhamos nossos segredos. E ele, em sua ingenuidade, confessou algumas coisas. Coisas que, confesso, me divertiam bastante."

Rafael sentiu uma onda de raiva. A ideia de Ricardo, seu meio-irmão, compartilhando segredos com Isabella, a ex de seu rival, era nauseante.

"Você sabia que Ricardo e eu éramos meio-irmãos?"

"Eu tinha minhas suspeitas. E depois de ouvir o que Ricardo me disse… e de ver como Dona Celeste tratava você de forma tão… diferente. Era óbvio que havia algo mais."

Sofia olhou de Rafael para Isabella, a confusão estampada em seu rosto.

"Isso é… chocante. Eu não sabia que você e Ricardo eram tão próximos, Isabella."

Isabella sorriu para Sofia, um sorriso doce e falso. "Ricardo e eu compartilhávamos uma certa cumplicidade. E ele precisava de alguém para desabafar. Alguém que entendesse o peso daquela família."

Rafael levantou-se abruptamente. A presença de Isabella ali, com suas revelações calculadas, estava minando a pouca paz que ele sentira.

"Eu preciso ir."

"Rafael, espere!", Sofia o chamou.

Mas Rafael já estava se afastando, a mente em turbilhão. A presença de Isabella naquele encontro, suas palavras insidiosas, tudo parecia parte de um jogo maior que ele ainda não entendia. Ele sentia que estava sendo manipulado, que a verdade, por mais cruel que fosse, ainda guardava segredos mais profundos e sombrios.

Enquanto saía do café, ele olhou para trás e viu Isabella observando-o, um sorriso enigmático em seus lábios. Ele sabia que o caminho para a verdade seria mais perigoso e complicado do que ele jamais imaginara. E a presença de Isabella, agora, era uma ameaça palpável, uma sombra que se estendia sobre seu destino.

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