Amor Impossível III

Capítulo 7 — O Encontro Inesperado nas Ruas de São Paulo

por Ana Clara Ferreira

Capítulo 7 — O Encontro Inesperado nas Ruas de São Paulo

O avião pousou em Guarulhos sob um sol que, para Clara, parecia implacável. A saudade da terra, do cheiro de chuva na terra seca, do burburinho das cidades, a atingiu com uma força inesperada. Paris fora um interlúdio, uma tentativa de fuga, mas a verdade é que o Brasil, com toda a sua complexidade e caos, era onde seu coração, mesmo que ferido, ainda pulsava.

Eduardo a esperava na sala de desembarque, impecável como sempre, um sorriso profissional no rosto. O acordo ainda pairava no ar, uma nuvem invisível entre eles, mas agora, para Clara, aquele acordo tinha um novo peso. Não era mais apenas um arranjo conveniente, mas uma ferramenta que a impulsionava a buscar a verdade dentro de si mesma.

“Bem-vinda de volta, Clara. Como foi a viagem?” A voz dele era polida, mas seus olhos a examinavam com uma perspicácia que a deixava desconfortável.

“Tranquila, Eduardo. A cidade é linda, mas… sinto falta de casa.” A simplicidade da resposta era uma forma de desviar da complexidade de seus sentimentos.

“Sei que sim. Mas agora você está de volta, e temos muito a fazer. Lembra-se do nosso acordo? Precisamos dar os próximos passos.” Ele colocou a mão levemente em seu braço, um gesto possessivo que a fez estremecer.

“Eu me lembro, Eduardo. Mas antes disso, preciso de um tempo para… me reorganizar.” Clara retirou o braço gentilmente. A cidade de luzes havia lhe dado uma nova perspectiva, e a frieza calculista do acordo começava a lhe parecer cada vez mais sufocante.

Enquanto o motorista os conduzia pelo trânsito caótico de São Paulo, Clara observava a paisagem urbana com olhos renovados. Cada prédio, cada rosto, cada esquina parecia carregar uma história. Uma história que, ela percebeu, incluía a dela. A cidade em que Rafael vivia. O homem que, apesar de tudo, ainda ocupava um espaço significativo em seus pensamentos.

No dia seguinte, Clara decidiu dar um passeio pelo Parque Ibirapuera. A vastidão verde, o barulho das crianças brincando, o cheiro de flores recém-regadas… tudo era um bálsamo para sua alma inquieta. Ela se sentou em um banco, observando a agitação ao redor, tentando processar a avalanche de emoções que a dominava. O acordo com Eduardo era uma rede de segurança, sim, mas a que custo? A que custo de sua própria felicidade, de seus próprios sentimentos?

De repente, um grito a fez erguer os olhos. Um garotinho, correndo atrás de uma bola, tropeçou e caiu bem perto de onde ela estava. Clara se levantou instintivamente para ajudá-lo. Ao se abaixar, seus olhos encontraram um rosto familiar, incrivelmente familiar.

“Rafael?” O nome escapou de seus lábios, quase como um sussurro.

O homem parou, congelado. Sua expressão era de puro espanto, um misto de incredulidade e… algo mais, algo que Clara não conseguia decifrar. Era ele. Os mesmos olhos intensos, a mesma barba por fazer, o mesmo contorno de um sorriso que, ela sabia, podia iluminar o seu mundo.

“Clara? É você mesmo?” A voz dele era rouca, carregada de emoção. Ele se aproximou lentamente, como se tivesse medo de que ela fosse desaparecer a qualquer momento.

O garotinho, agora em pé, olhava para os dois com curiosidade. “Pai, quem é a moça?”

Pai. A palavra atingiu Clara como um raio. Rafael era pai. A vida dele havia seguido em frente, e ela estava ali, como uma intrusa no seu novo mundo. A dor, que ela tentara afogar em Paris, ressurgiu com força total.

“Eu sou uma amiga antiga, meu bem”, Clara disse ao menino, forçando um sorriso. Ela não conseguia tirar os olhos de Rafael, que a olhava com uma intensidade que a desarmava.

“Amiga antiga… que surpresa incrível”, Rafael disse, um sorriso melancólico surgindo em seus lábios. “O que você está fazendo no Brasil? Pensei que estivesse… longe.”

“Eu… eu voltei. Precisava voltar”, Clara respondeu, a voz embargada. “E você? Vejo que a vida lhe sorriu.” Ela tentou manter a compostura, mas seu coração batia descompassado no peito.

Rafael suspirou, um suspiro carregado de arrependimento e uma dor que Clara reconhecia imediatamente. “A vida tem seus caminhos, Clara. Alguns que nos levam para longe, outros que nos trazem de volta… para onde nunca deveríamos ter saído.” Ele olhou para o filho. “Este é o Pedro. Meu filho.”

“Ele é lindo”, Clara conseguiu dizer, sentindo um nó na garganta. A imagem de Rafael com um filho era algo que ela nunca havia imaginado, e a realidade era dolorosa.

Pedro, percebendo a tensão, agarrou a mão de Rafael. “O que foi, papai?”

Rafael se ajoelhou para ficar na altura do filho. “Nada, meu amor. Só fiquei um pouco surpreso. A moça é uma amiga que o papai não via há muito tempo.” Ele se virou para Clara. “Você está hospedada em algum lugar? Talvez possamos conversar com calma?”

A proposta o atingiu em cheio. Conversar com Rafael. O homem que ela amou com todas as suas forças, o homem que a deixou com um coração em pedaços. A tentação era imensa, mas a prudência a alertava. Havia Eduardo, o acordo, o futuro que ela estava tentando construir.

“Eu… eu preciso pensar, Rafael. Foi um choque. Um choque muito grande.” Ela sentiu o peso dos olhares dele, a intensidade com que ele a estudava.

“Eu entendo. Mas, por favor, Clara. Não desapareça de novo. O destino nos deu outra chance de nos encontrarmos. Não vamos desperdiçar.” Havia uma súplica em sua voz, um eco da paixão que um dia compartilharam.

Clara assentiu, sem conseguir formular uma resposta clara. Ela se despediu de Pedro com um sorriso fraco e se afastou rapidamente, o coração em turbilhão. O encontro no parque, tão inesperado quanto avassalador, havia virado seu mundo de cabeça para baixo. Paris e suas reflexões sobre o futuro pareciam distantes agora. A realidade do presente, com Rafael e seu filho, a confrontava com uma força brutal. Ela havia voltado ao Brasil buscando clareza, mas encontrou apenas mais confusão e a dolorosa constatação de que o amor, mesmo impossível, nunca morre completamente.

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