Amor Impossível III

Capítulo 8 — O Dilema Sombrio Entre o Dever e o Desejo

por Ana Clara Ferreira

Capítulo 8 — O Dilema Sombrio Entre o Dever e o Desejo

O peso do encontro com Rafael se estendia por todos os cantos da vida de Clara. Cada canto da cidade, cada som familiar, a lembrava dele. Eduardo, alheio à tempestade que se formava em sua noiva, continuava com seus planos, cada vez mais focado em selar o acordo que os uniria. Para ele, a volta de Clara era um sinal de que ela estava finalmente aceitando seu destino.

“Clara, meu amor, como você está? Notei que anda um pouco distante desde que voltou. Algum problema com a adaptação?” Eduardo a abraçou forte, seu cheiro caro e sua pose de homem de negócios inundando o ambiente.

Clara tentou sorrir, um sorriso forçado que não alcançou seus olhos. “Estou bem, Eduardo. Apenas… o Brasil é um choque depois de tanto tempo fora. Muita coisa para processar.”

“Eu sei, querida. Mas você não está sozinha. Estou aqui para você, para tudo. O nosso casamento será uma celebração de tudo que construímos juntos. E o acordo, ele nos trará a estabilidade que ambos merecemos.” Ele beijou sua testa, um gesto que, antes, a acalmava, mas que agora a deixava com uma sensação de aprisionamento.

“O acordo, Eduardo… sobre o acordo…” Clara hesitou. As palavras de Antoine em Paris ressoavam em sua mente. Ela precisava honrar quem ela realmente era. E ser a noiva de Eduardo, escondendo a verdade em seu coração, não era quem ela era. “Eu preciso pensar sobre o nosso futuro. Sobre… tudo.”

Eduardo franziu a testa, a sua habitual compostura ligeiramente abalada. “Pensar sobre o quê, Clara? Já decidimos tudo. Nosso futuro está traçado. O que está te incomodando? É algo relacionado ao Rafael? Eu sei que vocês tiveram um passado intenso, mas você escolheu a mim. Escolheu a estabilidade, a segurança.”

A menção de Rafael, vindo de Eduardo, foi como um golpe. Ele sabia. Sabia do passado, mas parecia não entender a força dos sentimentos que ele ainda despertava. Ou talvez, ele entendesse, e por isso o acordo era tão importante para ele, para garantir que ela estivesse sob seu controle.

“Não é só sobre o Rafael, Eduardo. É sobre mim. Sobre o que eu quero. Sobre o que eu sinto.” A voz de Clara ganhava firmeza, uma força que ela não sabia que possuía. “Não posso me casar com você apenas por conveniência, ou por um acordo. O amor precisa estar presente.”

Eduardo riu, uma risada seca e sem humor. “Amor? Clara, amor é um luxo que poucos podem ter. Nós estamos construindo algo sólido, duradouro. O sentimento, ele virá. Ou talvez, você já o tenha por mim, mas está confundindo com a nostalgia de um amor que não deu certo.” Ele a segurou pelos braços. “Não faça uma loucura, Clara. Não desperdice o que temos. Pense nas consequências.”

As consequências. A frase ecoou na mente de Clara. As consequências para sua família, para a empresa, para ela mesma. O acordo com Eduardo era uma teia complexa que envolvia mais do que apenas os dois. Havia a necessidade de unir as empresas, de proteger seus pais de escândulos. Mas a que preço? O preço de sua própria alma?

Naquela noite, Clara não conseguiu dormir. As palavras de Eduardo, a imagem de Rafael com o filho, o conselho de Antoine em Paris… tudo se misturava em uma confusão mental agonizante. Ela pegou o telefone e discou o número que estava gravado em sua memória, em seu coração.

“Alô?” A voz de Rafael, sonolenta, atendeu.

“Rafael, sou eu, Clara.”

Houve um silêncio do outro lado, um silêncio carregado de surpresa e, talvez, de esperança. “Clara… que bom que ligou. Pensei que não mais nos veríamos depois do parque.”

“Eu preciso falar com você. Pessoalmente. E preciso que seja… discreto.”

“Claro. Onde e quando?” A urgência em sua voz era palpável.

“Amanhã, no mesmo parque. No mesmo horário. Mas eu vou sozinha.”

“Entendido. Te espero.”

O dia seguinte amanheceu nublado, mas para Clara, o céu parecia um reflexo de seu estado de espírito. Ela foi ao parque, o coração acelerado, a apreensão tomando conta de seu ser. Rafael já a esperava, em um canto mais afastado, longe dos olhares curiosos. Ele parecia mais relaxado do que no dia anterior, mas a intensidade em seus olhos permanecia.

“Clara, você veio.”

“Eu precisava vir.” Ela respirou fundo. “Rafael, eu preciso te contar uma coisa. Uma coisa que mudou tudo. A razão pela qual eu fui embora sem dizer nada.”

Rafael a olhou com atenção, a expectativa em seu rosto. “Eu sempre esperei que um dia você me contasse.”

“Quando eu descobri que estava grávida… eu entrei em pânico. Eu era jovem, você estava prestes a assumir a empresa, a sua vida estava prestes a mudar de rumo. Eu pensei que… que a criança seria um fardo para você. Que eu te obrigaria a fazer algo que não queria.” As palavras saíram com dificuldade, cada sílaba carregada de dor. “E então… eu perdi o bebê. A gravidez não evoluiu. Foi um choque terrível, e eu me senti… completamente sozinha. Fui covarde. Tentei esquecer tudo, tentar seguir em frente. E então, apareceu o Eduardo. Ele me ofereceu estabilidade, segurança. Algo que eu sentia que precisava desesperadamente. E ele sabia do meu passado com você. Ele me fez um acordo.”

Rafael a ouvia em silêncio, sua expressão se tornando cada vez mais sombria. Quando Clara terminou de falar, ele respirou fundo, um suspiro que parecia carregar o peso de anos de incompreensão e dor.

“Você perdeu o bebê… Clara, por que você não me contou? Eu teria estado ao seu lado. Teria assumido a responsabilidade, o amor que sinto por você nunca mudaria isso. Eu teria largado tudo para ficar com você e nosso filho.” A voz dele era embargada pela emoção.

“Eu não queria ser um fardo, Rafael. Eu fui tão egoísta. Eu estava tão assustada.” Clara começou a chorar. “E agora… agora eu estou noiva dele. Ele me fez um acordo. Preciso me casar com ele para proteger a minha família, para unir as empresas. Mas eu não o amo, Rafael. E você… você tem o Pedro. E eu não quero atrapalhar a sua nova vida.”

Rafael se aproximou, segurando o rosto de Clara entre as mãos. “Não diga isso, Clara. O que tínhamos… o que temos… isso não se apaga. E o Pedro… ele é meu filho, sim, mas não é o único amor que o meu coração guarda. O amor que sinto por você é diferente, é profundo, é eterno. E o acordo… você não pode se casar com ele, Clara. Não pode sacrificar sua felicidade por um acordo. Você merece mais do que isso. Você merece o amor, a verdade, a liberdade.”

Os olhos de Rafael encontraram os dela, cheios de uma paixão avassaladora que Clara não via há muito tempo. Naquele momento, sob o céu nublado de São Paulo, ela sentiu uma fagulha de esperança. A possibilidade de um amor impossível, que parecia ter sido sepultado, renascer. Mas o dilema era cruel. Dever ou desejo? Proteção familiar ou a busca por um amor verdadeiro? A decisão que ela tomara em Paris, de buscar a verdade dentro de si, estava prestes a ser testada em seu mais alto grau.

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