Amar foi meu Erro II

Capítulo 8 — O Encontro na Fundação e as Palavras Venenosas

por Ana Clara Ferreira

Capítulo 8 — O Encontro na Fundação e as Palavras Venenosas

A sede da Fundação Alcântara era um edifício imponente, uma arquitetura clássica que exalava poder e tradição. Clara e Rafael caminharam lado a lado, a apreensão crescendo a cada passo. A chuva fina que caía lá fora parecia ecoar o clima de incerteza que os envolvia. Clara sentia o olhar de Rafael sobre ela, o apoio silencioso que ele lhe oferecia. Ele estava ali por ela, e isso, por si só, era um bálsamo.

Ao adentrarem o amplo saguão, foram recebidos por uma recepcionista impecável, que os conduziu a uma sala de reuniões luxuosa e fria. Sofia já os esperava, sentada à cabeceira de uma longa mesa de mogno, um sorriso polido e calculista no rosto. Ao lado dela, um homem mais velho, de aparência severa e olhar penetrante, a observava com atenção. Clara não o reconheceu.

"Senhorita Clara, Senhor Rafael", Sofia cumprimentou, a voz suave, mas com um tom de autoridade subjacente. "Que bom que puderam vir. Este é o Senhor Almeida, nosso advogado e conselheiro da fundação."

O Senhor Almeida apenas assentiu com a cabeça, um gesto formal e distante.

Clara sentou-se ao lado de Rafael, sentindo a tensão no ar aumentar. Sofia começou a falar, deslizando sobre a importância da Fundação Alcântara, seu papel na comunidade e a dedicação de Helena à causa. Ela mencionava detalhes específicos, nomes de artistas apoiados, eventos passados, como se quisesse demonstrar uma intimidade profunda com a vida de Helena.

"Sua tia-avó, Helena", Sofia continuou, dirigindo-se a Clara com um olhar penetrante, "era uma mulher de visão. Ela acreditava fervorosamente no poder da arte para transcender barreiras e unir pessoas. Compartilhávamos essa crença, e é por isso que me sinto honrada em dar continuidade ao trabalho dela."

Havia uma sutileza nas palavras de Sofia, uma insinuação que Clara não conseguia decifrar completamente, mas que a incomodava profundamente. Era como se Sofia estivesse reivindicando um lugar na história de Helena, um lugar que, Clara sentia, não lhe pertencia.

"Agradeço por me receber, Senhorita Sofia", Clara disse, tentando manter a voz firme. "Mas, como eu disse no convite, meu principal interesse é entender o que exatamente o meu legado tem a ver com a Fundação Alcântara, e por que Helena me incluiu em seus planos desta forma."

Sofia sorriu, um sorriso que não alcançava seus olhos. "Claro. Helena era uma mulher muito perspicaz. Ela sabia que o legado dela, as joias, a casa, teriam um propósito maior. E ela viu em você, Clara, a sensibilidade e a inteligência necessárias para administrar esses bens de acordo com seus desejos. E, é claro, em Rafael, ela via um guardião, alguém com quem você poderia contar para… orientação."

As palavras "orientação" e "guardião" soaram estranhas, quase como um aviso velado. Rafael apertou a mão de Clara por baixo da mesa, um gesto de apoio.

"Senhorita Sofia", Rafael interveio, a voz calma, mas com uma firmeza que chamou a atenção de todos. "Eu tenho algumas perguntas sobre o envolvimento de minha família no passado da sua. Meu pai e o pai de Clara, o Senhor Ferreira, eram sócios. E, segundo o que me foi dito, houve um desentendimento que… culminou na ruína de ambos."

O rosto de Sofia permaneceu impassível, mas o Senhor Almeida piscou levemente, uma reação quase imperceptível.

"O passado é um lugar complicado, Senhor Rafael", Sofia disse, a voz mantendo a suavidade. "Os negócios, as amizades, as rivalidades… tudo isso pode se misturar de formas inesperadas. Helena sempre foi muito reservada sobre os detalhes da sociedade entre o seu pai e o Senhor Ferreira. Ela dizia que o mais importante era seguir em frente, focar no futuro."

"Mas o futuro que Helena construiu", Clara insistiu, "parece estar intrinsecamente ligado a um passado que ela tentou esconder. Por que ela me deixou esse legado? Por que o Senhor Rafael está envolvido? E qual é o seu papel em tudo isso, Senhorita Sofia?"

Sofia inclinou a cabeça, um gesto que parecia de sabedoria, mas que Clara percebeu como manipulação. "Helena, em sua sabedoria, previu que a verdade viria à tona. Ela sabia que o legado dela não era apenas sobre bens materiais, mas sobre um segredo. Um segredo que ela confiava a mim, e que, eventualmente, seria revelado a você. O Senhor Rafael entra nessa equação como um elo com o passado, um lembrete do que foi perdido e do que precisa ser recuperado."

"Recuperado?", Rafael repetiu, a voz tensa. "O que precisa ser recuperado, Sofia?"

Sofia sorriu, um sorriso vitorioso. "Ah, Senhor Rafael, essa é a questão central, não é? Helena me deixou instruções claras. E o senhor Almeida, como nosso advogado, está aqui para garantir que tudo seja feito de acordo com a vontade dela."

O Senhor Almeida abriu uma pasta sobre a mesa, retirando alguns documentos. "O testamento de Helena é bastante específico quanto ao destino de seus bens, Clara. Além da casa e das joias, há também uma quantia considerável em dinheiro, destinada a ser investida em projetos da Fundação Alcântara, sob a sua supervisão, em conjunto com a diretoria da fundação. E, em relação a Rafael… Helena estipulou que ele teria direito a uma parte dos lucros de uma empresa específica, a 'Aurora Tech', uma empresa que, coincidentemente, pertence em parte à sua família, Sofia."

O ar na sala ficou pesado. Clara sentiu um frio na espinha. "Aurora Tech? Eu nunca ouvi falar dessa empresa."

"É um investimento mais recente, Clara", Sofia explicou, a voz casual. "Algo que Helena apostou. E o Senhor Rafael, por sua vez, tem um interesse histórico na empresa, devido à sociedade de seu pai com o Senhor Ferreira. Helena acreditava que essa empresa guardava as chaves para… a verdade."

As palavras de Sofia eram venenosas, carregadas de insinuações. Clara sentiu uma onda de raiva e desconfiança crescer dentro dela. Sofia estava manipulando a situação, distorcendo os fatos para servir aos seus próprios interesses. O olhar de Rafael era de pura indignação.

"Você está insinuando que meu pai e o Senhor Ferreira estavam envolvidos em algo ilícito, Sofia?", Rafael perguntou, a voz perigosamente baixa.

"Não estou insinuando nada, Senhor Rafael", Sofia respondeu, levantando as mãos em um gesto de inocência. "Estou apenas relatando o que Helena me confiou. Ela sentia que algo estava errado, que algo valioso foi perdido. E que a Aurora Tech poderia ser a chave para desvendar essa perda."

O Senhor Almeida pigarreou. "Senhorita Clara, o testamento também estipula que, caso você decida não seguir com os termos, todo o legado, incluindo a casa e as joias, passará para a guarda da Fundação Alcântara, sob a direção da Senhorita Sofia. E, no caso de Rafael, sua participação na Aurora Tech seria… reavaliada."

Clara olhou para Rafael, vendo a fúria contida em seus olhos. Ele estava sendo manipulado, assim como ela. Sofia estava usando o testamento de Helena para controlar tudo, para se beneficiar e para afastar Rafael do que, talvez, fosse seu por direito.

"Isso é um absurdo!", Clara exclamou, levantando-se da cadeira. "Você está usando o nome da minha tia-avó para seus próprios fins, Sofia!"

Sofia apenas sorriu, um sorriso frio e calculista. "Eu estou apenas seguindo as instruções de Helena, Clara. Ela confiou a mim o seu legado. E eu não decepcionarei."

Rafael também se levantou, colocando-se ao lado de Clara. "Nós vamos descobrir a verdade, Sofia. E quando descobrirmos, você terá muito a responder."

Ao saírem da sala de reuniões, Clara sentiu o peso da gravidade da situação. Sofia não era apenas uma secretária ou uma administradora. Ela era uma manipuladora, uma arquiteta de planos sombrios. E o legado de Helena, que deveria ser um conforto, agora se tornava um campo de batalha. O caminho para desvendar os segredos do passado estava apenas começando, e Clara sabia que Rafael era a única pessoa em quem ela podia confiar para enfrentar essa teia de mentiras e manipulações.

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