Amar foi meu Erro II

Capítulo 9 — A Busca pela Verdade e a Tentação do Passado

por Ana Clara Ferreira

Capítulo 9 — A Busca pela Verdade e a Tentação do Passado

De volta ao apartamento de Clara, o silêncio parecia mais pesado do que nunca. A chuva continuava a cair, implacável, batendo contra as janelas como um prenúncio de tempestade. Clara andava de um lado para o outro na sala, a mente fervilhando com as palavras venenosas de Sofia e as insinuações sobre o passado. A Aurora Tech. Uma empresa que ela nunca ouvira falar, mas que parecia ser a chave para tudo.

"Não é possível, Rafael", Clara disse, parando de frente para ele. Seus olhos estavam marejados, a frustração e a raiva lutando dentro dela. "Sofia está mentindo. Ela está distorcendo tudo. O que ela insinuou sobre nossos pais… é inaceitável."

Rafael se aproximou, pegando suas mãos. Seus olhos, antes cheios de raiva, agora transmitiam uma profunda preocupação. "Eu sei, Clara. Ela é uma manipuladora. Mas nós não podemos simplesmente ignorar o que ela disse. A Aurora Tech… isso é algo que precisamos investigar. Se o seu pai e o meu pai estavam envolvidos, então é nosso direito saber o que aconteceu."

"Mas como? Não temos nenhuma pista. Helena nunca mencionou essa empresa. E Sofia só a trouxe à tona para nos assustar, para nos manipular a ceder ao testamento dela."

"Talvez não tenhamos pistas diretas, mas temos o nome. E temos o Senhor Almeida. Ele é o advogado de Helena, ele sabe o que está no testamento original. Precisamos falar com ele, Clara. E precisamos tentar descobrir mais sobre essa Aurora Tech. Por conta própria."

Os dias seguintes foram um turbilhão de investigações discretas. Clara e Rafael passaram horas em bibliotecas, arquivos públicos, pesquisando registros de empresas antigas. A Aurora Tech parecia ter sido uma startup promissora, fundada há mais de vinte anos, mas que desaparecera do radar rapidamente. As informações eram escassas, como se a empresa tivesse sido apagada da história.

Durante esse tempo, a proximidade entre Clara e Rafael se intensificou. As noites eram passadas em conversas profundas, compartilhando medos, esperanças e as poucas pistas que encontravam. O beijo no café, a confissão no apartamento dele, tudo isso pairava no ar, uma atração inegável que os envolvia em um abraço de cumplicidade e desejo. Uma noite, depois de mais uma frustrante tarde de pesquisa, eles estavam sentados no sofá, cansados e desanimados.

"Eu sinto que estamos correndo em círculos", Clara desabafou, esfregando as têmporas. "Sofia tem tudo a nosso favor. Ela tem o controle, ela tem o advogado, e ela tem o testamento. Se não encontrarmos algo concreto logo…"

Rafael a puxou para perto, o braço em volta de seus ombros. "Não desista, Clara. Nós vamos encontrar. Helena não seria tão determinada em nos colocar juntos, em nos ligar a essa empresa, se não houvesse um motivo importante. Ela confiava em nós, mesmo que não nos dissesse tudo."

Ele a puxou para mais perto, e Clara não resistiu. O olhar dele, intenso e cheio de promessa, a desarmava. O cheiro dele, a familiaridade de seu toque, a memória do beijo que reacendeu algo adormecido em seu peito, tudo isso a impulsionava.

"Eu… eu não sei se consigo lidar com tudo isso, Rafael", ela sussurrou, a voz trêmula. "É muito. O passado, o presente, o futuro… e você. Tudo ao mesmo tempo."

"Eu sei que é difícil", ele respondeu, o queixo apoiado em sua cabeça. "Mas você não está sozinha. E se tudo isso for demais… talvez possamos apenas… esquecer por um momento. Esquecer a Aurora Tech, esquecer Sofia. Esquecer o passado. E apenas… ser nós."

A tentação era avassaladora. A necessidade de conforto, de refúgio, de um momento de esquecimento em meio ao caos, era irresistível. Clara ergueu o olhar para ele, e viu nele a mesma necessidade, o mesmo anseio. A atração que os unia era poderosa, um vulcão adormecido que ameaçava entrar em erupção a qualquer momento.

Rafael a beijou, um beijo suave no início, exploratório, como se quisesse ter certeza de que ela estava ali, presente. Clara respondeu, a hesitação se dissolvendo no calor do momento. O beijo se aprofundou, carregado de emoção reprimida, de saudade, de um desejo que crescia a cada toque. As mãos de Rafael percorreram suas costas, puxando-a para mais perto, e Clara sentiu seu corpo responder com uma intensidade que a surpreendeu.

Ela se permitiu ser levada pela correnteza, abraçando o conforto e a paixão que Rafael lhe oferecia. Esqueceram o passado, esqueceram as preocupações, e se entregaram ao momento presente. Naquele abraço, naquele beijo, encontraram um refúgio, um momento de paz em meio à tempestade. A paixão que reacendera entre eles era um fogo perigoso, mas também era a única coisa que parecia capaz de aquecê-los diante do frio da incerteza.

Na manhã seguinte, porém, a realidade bateu à porta. Clara recebeu uma ligação do Senhor Almeida. Ele se ofereceu para uma conversa privada, longe de Sofia, e Clara, sentindo um fio de esperança, aceitou. Rafael, é claro, insistiu em acompanhá-la.

O encontro com o Senhor Almeida aconteceu em um café discreto, longe dos olhares curiosos. O advogado, um homem mais jovem do que Clara imaginava, parecia genuinamente perturbado. Ele explicou que servia a Helena há anos, mas que as instruções de Sofia após a morte dela o deixaram desconfortável.

"Helena era uma mulher muito íntegra", o Senhor Almeida disse, a voz baixa. "E as ações de Sofia parecem contradizer a filosofia dela. Eu sempre achei que a ligação de Rafael com a Aurora Tech era mais profunda do que Sofia quer admitir."

Ele revelou que Helena, antes de falecer, havia deixado com ele alguns documentos adicionais, confidenciais, com instruções para que os entregasse a Clara e Rafael em um momento específico. Documentos esses que Sofia desconhecia.

"Helena suspeitava que algo estava errado com a Aurora Tech", o Senhor Almeida continuou, abrindo uma pasta que trouxera consigo. "Ela achava que o desaparecimento da empresa e a ruína dos pais de vocês estavam ligados. Ela queria que vocês descobrissem a verdade, juntos."

Ele entregou a Clara um envelope. Dentro, havia uma série de documentos, cartas antigas, e um pequeno pen drive. As cartas eram de Helena, escritas anos atrás, revelando suas suspeitas sobre um esquema de fraude e lavagem de dinheiro envolvendo a Aurora Tech, e como ela acreditava que o ex-sócio de seu pai, o pai de Rafael, e o pai de Clara, haviam sido vítimas, e não cúmplices.

"Helena estava investigando isso secretamente", o Senhor Almeida explicou. "Ela temia por sua própria segurança, e por isso confiou esses documentos a mim. Ela acreditava que Sofia, com sua influência sobre o pai, poderia estar envolvida em encobrir a verdade."

Clara e Rafael se entreolharam, a surpresa e a esperança misturadas em seus olhares. A busca pela verdade havia ganhado um novo fôlego. As palavras de Helena, escritas em sua própria caligrafia, eram um farol em meio à escuridão. A tentação do passado, o calor do momento presente, tudo isso parecia se dissipar diante da urgência de desvendar o que realmente aconteceu. A Aurora Tech não era apenas um nome; era um mistério, um crime, e talvez, a chave para a redenção de seus pais.

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