Paixão e Traição

Capítulo 12 — As Ruínas do Coração

por Valentina Oliveira

Capítulo 12 — As Ruínas do Coração

O silêncio dentro do carro era quase ensurdecedor, preenchido apenas pelo ronco constante do motor e pelo som de sua própria respiração irregular. Helena dirigia sem rumo aparente, deixando a estrada de terra batida da fazenda se transformar gradualmente em asfalto. Cada quilômetro percorrido era um passo a mais para longe do purgatório que ela chamara de lar nos últimos anos. As lágrimas, antes contidas em um esforço hercúleo, agora rolavam livremente por seu rosto, lavando não apenas a dor, mas também a raiva e a confusão.

A imagem de Roberto, com os olhos marejados e a voz embargada, se sobrepunha à de Sofia, com seu sorriso enigmático e suas palavras venenosas. Ela se sentia traída em duas frentes, dilacerada por aqueles que um dia amou e confiou. A confissão de Roberto sobre a doença de Laura fora um golpe devastador, jogando uma sombra sombria sobre o futuro da menina e expondo a crueldade do plano de Sofia. Ela não conseguia conceber como alguém pudesse usar a doença de uma criança como moeda de troca em um jogo tão perverso.

"Por que, Sofia? Por que você fez isso?", sussurrou Helena para o volante, a pergunta pairando no ar como um grito mudo. As lembranças de suas conversas, de seus risos compartilhados, agora pareciam grotescas, uma paródia de amizade. Cada conselho, cada gesto de apoio, cada momento de confidência, tudo se revelava agora como uma peça calculada em um jogo macabro.

Ela passou a mão pelos cabelos, sentindo o emaranhado de fios úmidos de suor e lágrimas. O nó em seu estômago apertava a cada nova lembrança. A noite em que Roberto lhe confessou seu amor, com a intensidade que a fez acreditar em contos de fadas. A forma como ele a olhava, como se ela fosse a única mulher no mundo. Teria tudo sido uma mentira? Ou seria o amor dele a única verdade em meio a um oceano de falsidades?

A mente de Helena era um turbilhão de perguntas sem respostas. Ela se sentia desamparada, como uma nau sem leme em meio a uma tempestade. A fazenda, que antes representava segurança e pertencimento, agora parecia um campo minado de memórias dolorosas. Cada canto, cada objeto, cada cheiro, tudo remetia a uma ilusão desfeita.

Dirigiu por horas, sem se importar com o destino. As paisagens embaçadas pela janela do carro eram um borrão de verdes e azuis que não registravam em sua mente. Seu único foco era seguir em frente, para longe de tudo o que a prendia àquele pesadelo.

De repente, um pensamento a atingiu com a força de um raio: Laura. A menina, tão frágil e inocente, era a única razão pela qual Helena hesitou em se entregar ao desespero total. Roberto mencionara que Laura estava doente, mas não dera detalhes. O que seria da menina agora, longe dela, em meio a toda aquela confusão?

A culpa a atingiu como um punhal. Ela abandonara Laura em um momento de necessidade. Roberto podia ser um manipulador, Sofia um monstro, mas Laura era uma criança inocente, sofrendo com a doença e com a dinâmica destrutiva de sua família.

Com um suspiro profundo, Helena procurou seu celular na bolsa. Seus dedos tremiam ao discar o número de Roberto. Ela esperou com o coração acelerado, ouvindo os bipes longos e irritantes. Finalmente, a voz dele atendeu, carregada de apreensão.

"Helena? Onde você está? Você está bem?"

A voz dele, embora soasse desesperada, também carregava um tom de alívio. Helena sentiu uma pontada de algo que se assemelhava à compaixão, misturada à mágoa.

"Eu estou dirigindo, Roberto. Sem rumo. Mas eu preciso saber sobre Laura. O que ela tem? O que está acontecendo?"

Houve uma pausa do outro lado da linha. Roberto parecia hesitar, como se as palavras lhe faltassem. "Laura... ela tem uma condição rara. Uma doença autoimune que tem sido muito difícil de controlar. Ela tem passado por muitos tratamentos, e... e Sofia tem sido uma presença constante em sua vida, ajudando com os cuidados."

A menção de Sofia, mesmo em relação a Laura, fez o sangue de Helena ferver. "Então Sofia sabia o tempo todo? Ela usou a doença da Laura para se aproximar de você, para te manipular?"

"Sim", a voz de Roberto soou sombria. "Ela descobriu sobre a doença antes de mim. Ela é uma médica talentosa, Helena. Ela usou o conhecimento dela para se tornar indispensável. E para me prender a ela."

Helena fechou os olhos, a dor em seu peito se intensificando. A ideia de Sofia cuidando de Laura, de se aproveitar da fragilidade da menina para seus próprios fins, era repugnante.

"E você? O que você fez?", perguntou Helena, a voz embargada.

"Eu fui fraco, Helena. Eu me deixei levar. Eu estava desesperado com a doença de Laura, e Sofia ofereceu uma solução. Uma solução que, na verdade, era apenas mais uma das suas manipulações. Ela queria te afastar, me manter preso a ela. Ela orquestrou tudo, desde o início."

O peso das mentiras, das manipulações, de toda a crueldade, recaiu sobre Helena. Ela se sentia aniquilada. Aquele amor que Roberto dizia sentir, a confiança que depositara nele, tudo se desmoronava em ruínas.

"Eu não posso acreditar que você permitiu isso, Roberto", disse Helena, a voz trêmula. "Que você se deixou usar assim. Que você permitiu que essa mulher destruísse a nossa vida."

"Eu sei que errei, Helena. Eu errei feio. Mas eu a amo. Eu a amo mais do que tudo. E eu não posso viver sem você." As palavras de Roberto eram sinceras, mas o dano estava feito. A confiança, uma vez quebrada, era difícil de reconstruir.

"Eu não sei se posso acreditar em você, Roberto", Helena confessou. "Você me machucou demais. Todos nós fomos machucados por essa situação."

Ela pensou em Laura, em seus olhos inocentes e no sorriso que sempre a derretia. A menina era a vítima mais indefesa de toda aquela tragédia.

"Eu preciso pensar, Roberto. Eu preciso de tempo. Eu não sei se posso voltar para você. Não agora. Talvez nunca."

Um soluço escapou da garganta de Roberto. "Helena, por favor. Não diga isso. Pense em Laura. Pense em nós."

"Eu estou pensando em Laura", disse Helena, a voz mais firme. "E é por causa dela que eu não posso mais viver em mentiras. Eu preciso de um ambiente saudável para ela, e isso não é o que temos."

Ela sabia que precisava fazer uma escolha. Voltar para Roberto significava mergulhar novamente no mar de incertezas e manipulações. Permanecer longe significava abandonar a esperança de um futuro com ele, mas talvez encontrar a paz que tanto almejava.

"Eu vou para um lugar seguro, Roberto", disse Helena. "Eu preciso de tempo para me recompor. Para pensar no que é melhor para mim e, principalmente, para Laura."

Roberto hesitou, e então, com um suspiro resignado, disse: "Eu te entendo, Helena. Eu te amo. E se você precisa de tempo, eu vou respeitar isso. Mas saiba que eu estarei aqui, esperando por você. E farei o que for preciso para reconquistar a sua confiança."

Helena desligou o telefone, sentindo um vazio imenso no peito. As palavras de Roberto eram reconfortantes, mas a dor da traição ainda a consumia. Ela olhou para a estrada à frente, um caminho longo e incerto. As ruínas do seu coração estavam à mostra, mas, pela primeira vez, ela sentia a necessidade de reconstruí-las, tijolo por tijolo, com a força que residia em si mesma. A luta pela sua própria felicidade, e pela de Laura, apenas começara.

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