Amor nas Alturas II

Capítulo 16

por Valentina Oliveira

Com certeza! Prepare-se para mergulhar nas profundezas de "Amor nas Alturas II". Aqui estão os capítulos que você solicitou, repletos de paixão, drama e reviravoltas que só o coração brasileiro sabe sentir.

Amor nas Alturas II Romance Romântico Autor: Valentina Oliveira

Capítulo 16 — O Sussurro da Verdade no Coração da Tempestade

O céu noturno desabava sobre a cidade, um manto de chumbo salpicado por relâmpagos que rasgavam o breu em fachos furiosos. A chuva caía com a violência de um dilúvio, batendo nas vidraças da mansão dos Montenegro como se quisesse entrar, um prenúncio sombrio do temporal que se formava não só lá fora, mas também dentro da alma de Helena. Ela estava sentada na poltrona de veludo carmesim, o olhar perdido na dança frenética das gotas de chuva contra o vidro. Em suas mãos, o envelope amarelado parecia um segredo perigoso, um veneno destilado em papel. As palavras ali contidas, descobertas na agitação da fuga de Mariana, eram um eco do passado que ela jamais pensara em revisitar.

"Minha querida Helena, se estiver lendo isto, significa que a verdade finalmente a alcançou. A tragédia que nos assolou, a perda do seu pai, não foi um acidente. Foi um plano arquitetado nas sombras, com mãos que você jamais suspeitaria. Victor Montenegro, seu tão admirado cunhado, o homem que você confiou cegamente, é o responsável. Ele orquestrou tudo, desde a sabotagem do avião até a manipulação da memória de seu pai para incriminar o próprio irmão, meu pai. Ele queria o controle da empresa, o poder, e não hesitou em sacrificar vidas para obtê-lo. As provas estão guardadas em um cofre, no escritório de meu pai, na antiga residência dos Vasconcelos. A senha é a data em que você e Victor se casaram. Por favor, Helena, confie em mim. Eu a amo mais do que tudo neste mundo. Seu, sempre seu, Rafael."

Um arrepio percorreu sua espinha, gelado e penetrante. Rafael. As palavras de Rafael, o homem que ela amava com a intensidade de um vulcão adormecido, agora pareciam um farol em meio à escuridão que a envolvia há tantos anos. A lembrança da morte de seu pai, o acidente que a consumiu em luto e desespero, ganhava contornos grotescos, disformes. Victor. O homem que sempre a tratou com uma gentileza calculada, que se tornou seu pilar de força após a perda, o mesmo Victor que agora, com o brilho cruel da traição, a assombrava em cada palavra escrita.

O som de passos na escada fez seu coração disparar. Era Victor. Ela rapidamente escondeu o envelope na manga do vestido, tentando disfarçar a perturbação que a tomava. Ele entrou no salão, o cabelo úmido da chuva, um sorriso que já não lhe parecia mais o refúgio de antes, mas uma máscara fria e calculista.

"Helena, minha querida. Que susto você me deu! Fiquei preocupado quando não a encontrei no quarto. O tempo está terrível, não é? Deveríamos ter partido antes." Ele a abraçou, e por um instante, o cheiro familiar de seu perfume, misturado ao odor da chuva, a sufocou. Ela se afastou, o corpo tenso.

"Estava apenas admirando a… beleza da tempestade, Victor", disse ela, tentando manter a voz firme. Seus olhos, porém, traíam a agitação interna.

Victor a observou com uma atenção que a fez sentir-se exposta. Havia um brilho sutil em seus olhos, um interrogatório silencioso que ela não sabia decifrar. "Você parece pálida, Helena. Está se sentindo bem? A viagem deve ter sido exaustiva."

"Estou bem. Só um pouco cansada", ela respondeu, buscando desviar o olhar. Seus dedos apertavam discretamente o papel em sua manga. Ela precisava agir. Precisava ir à antiga residência dos Vasconcelos. Precisava encontrar aquelas provas.

Naquela mesma noite, enquanto Victor acreditava que Helena dormia profundamente, ela se movia com a furtividade de um fantasma. Vestia roupas escuras e discretas, o coração batendo descompassado no peito. A chuva ainda caía, mas a tempestade lá fora parecia mais branda comparada ao furacão que se alastrava em seu interior. Ela pegou o carro que Rafael havia deixado para ela, um modelo discreto e potente, perfeito para sumir nas sombras.

A antiga residência dos Vasconcelos, um casarão imponente e outrora repleto de vida, agora jazia em silêncio, um guardião de memórias e segredos. Helena estacionou o carro a uma distância segura, o olhar fixo nas janelas escuras, nas paredes que pareciam engolir a pouca luz que a lua escondida entre as nuvens permitia. A cidade era um mar de luzes distantes, mas ali, naquele local isolado, pairava uma solidão palpável.

Ela desceu do carro, a chuva fina molhando seu cabelo e rosto. A cerca de ferro forjado, ainda imponente, era um obstáculo, mas não intransponível. Ela sabia de um ponto fraco, uma parte menos visível onde as grades estavam levemente deslocadas. Com esforço, conseguiu passar, sentindo os arranhões nas roupas e na pele. Cada movimento era calculado, cada som abafado pela umidade do ar.

Ao se aproximar da porta dos fundos, um arrepio percorreu seu corpo. Era a porta que dava para os antigos aposentos de seu pai, onde tantas lembranças felizes e dolorosas a assombravam. O ar ali era pesado, impregnado com o cheiro de poeira e tempo. Ela sabia que a antiga governanta, Dona Clara, sempre deixava uma cópia da chave reserva escondida sob um vaso de samambaia murcha no alpendre. Sua mão tremeu ao procurar. Ali estava.

A porta rangeu ao ser aberta, um som baixo e gutural que ecoou em seus ouvidos como um trovão. O interior estava escuro, apenas frestas de luz prateada invadiam o ambiente, revelando o contorno dos móveis cobertos por lençóis brancos. Helena acendeu a lanterna do celular, o facho de luz dançando sobre os objetos, cada um deles um fragmento de sua infância, de sua família. O piano de cauda, onde seu pai costumava tocar melodias que a embalavam; as estantes de livros, repletas das histórias que ele tanto amava.

Ela sabia que precisava ir direto ao escritório de seu pai. Era uma sala imponente, com uma grande mesa de mogno, estantes repletas de documentos e um cofre embutido na parede, atrás de uma pintura a óleo de um paisagem serena. A pintura foi a primeira coisa que ela removeu, revelando a porta metálica do cofre. O coração de Helena martelava no peito, a respiração ofegante. A senha. A data do casamento dela com Victor. Ela digitou os números com dedos trêmulos. 14081998.

Um clique suave. A porta do cofre se abriu, revelando o interior, um nicho escuro onde repousavam algumas caixas. Ela pegou a primeira, sentindo o peso da verdade. Documentos. Contratos. E-mails. Ela os folheou rapidamente, cada linha lida confirmando o pesadelo que Rafael havia lhe revelado. O plano de Victor para desviar fundos, as ordens para sabotar o avião, as manipulações para incriminar o próprio irmão. Era tudo verdade. A face sorridente de Victor, o homem que ela amava como um irmão, agora se desfazia, revelando o monstro por trás da máscara.

Em uma das caixas, encontrou um pequeno gravador de voz. Hesitante, pressionou o play. A voz de seu pai, rouca e cheia de dor, preencheu o silêncio. "Victor, por que você fez isso? Eu confiei em você. Por que arruinar tudo? Por que me incriminar? A empresa… nossas famílias… não entendo…" A gravação terminava ali, um testemunho pungente de sua última conversa.

Lágrimas quentes escorriam pelo rosto de Helena, não apenas de tristeza, mas de raiva. Uma raiva justa, que a impulsionava a lutar. Ela guardou os documentos e o gravador em uma bolsa discreta. Precisava sair dali antes que alguém notasse sua ausência. Ao fechar o cofre, o som do clique parecia selar o destino de Victor Montenegro. A tempestade lá fora começava a cessar, mas a real tempestade, a que se desatava em sua alma, estava apenas começando. Ela sabia que não poderia mais fugir da verdade. Tinha o dever de expô-la, de trazer justiça para seu pai e para todos os que foram vítimas da ganância de Victor. O jogo dos segredos havia acabado. Agora, era a hora da vingança, uma vingança movida pelo amor e pela dor.

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