Cap. 1 / 21

Alma Gêmea

Alma Gêmea

por Valentina Oliveira

Alma Gêmea

Romance Romântico

Autor: Valentina Oliveira

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Capítulo 1 — O Encontro Sob a Chuva de Verão

O asfalto cintilava sob a luz fraca dos postes, transformando a rua em um espelho opaco de um céu que, segundos atrás, despejava uma cortina de água com a fúria de quem não aguentava mais segurar as lágrimas. Era uma chuva de verão, daquelas que vêm de repente, sem aviso, pegando todos de surpresa e deixando um rastro de vida renovada nas folhas e no ar, um cheiro de terra molhada que era quase palpável. E ali, em meio àquela tempestade repentina, sob a marquise precária de uma livraria antiga de nome esquecido, o destino resolveu dar o seu primeiro e mais cruel dos seus truques.

Isabela se encolheu, apertando a bolsa contra o peito como se pudesse, de alguma forma, se proteger daquela água que teimava em encontrar brechas em seu guarda-chuva já desgastado e traiçoeiro. Aos vinte e oito anos, com os cabelos castanhos escuros, agora grudados em seu rosto por causa da umidade, e os olhos verdes, que costumavam brilhar com uma inteligência sagaz e uma pitada de melancolia, ela sentia a frustração borbulhar. A reunião de negócios havia se estendido mais do que o previsto, os prazos apertavam e a última coisa que ela precisava era de um aguaceiro torrencial que a impedisse de chegar em casa. O táxi que ela pedira parecia ter sido engolido pela própria cidade, e o desespero começava a dar lugar a uma irritação contida.

"Deus do céu, por que agora?", murmurou para si mesma, balançando a cabeça e tentando inutilmente desviar o olhar da figura que, de repente, surgiu da mesma cortina d'água, a alguns metros de distância.

Ele era alto, com ombros largos que pareciam desafiar a gravidade e a chuva. O cabelo escuro, molhado, grudava em sua testa, e gotas d'água escorriam pelo seu rosto, misturando-se às linhas fortes de sua mandíbula. Vestia uma camisa social de cor clara, agora transparente pela água, revelando um físico que não passava despercebido, e uma calça escura que se agarrava às suas pernas. Ele se aproximou, com um passo firme e seguro, como se a chuva fosse apenas um detalhe insignificante em sua jornada.

Ao chegar sob a marquise, ele sacudiu a cabeça com um gesto brusco, espalhando um spray de água em todas as direções, incluindo um pouco em Isabela. Ela o encarou, uma sobrancelha arqueada em reprovação, mas ele parecia alheio à sua presença, imerso em seus próprios pensamentos ou frustrações. Seus olhos, de um tom escuro que Isabela não conseguia discernir na penumbra da rua, varreram a rua com uma impaciência palpável.

"Poderia, por favor, ter mais cuidado?", a voz de Isabela saiu mais áspera do que ela pretendia, tingida pela irritação e pelo frio que começava a se instalar em seus ossos.

Ele se virou, e foi nesse momento que os olhos de Isabela o encontraram. Eram olhos profundos, de um azul penetrante, que pareciam carregar o peso de histórias não contadas, de paixões adormecidas e de uma intensidade que a fez prender a respiração por um instante. Um instante fugaz, mas que ecoou em seu peito como um trovão distante. O homem, com um leve sorriso que brincava em seus lábios, parecia mais divertido do que ofendido pela sua bronca.

"Minhas desculpas", ele disse, a voz rouca e grave, com um sotaque levemente diferente que Isabela não soube identificar de imediato, mas que soava como música em seus ouvidos. "Acho que a natureza resolveu nos dar um banho não solicitado." Ele estendeu a mão, mas Isabela hesitou por um momento antes de apertá-la. A mão dele era grande, quente e firme, transmitindo uma energia que a fez sentir uma corrente elétrica percorrer seu braço.

"Isabela", ela se apresentou, um pouco sem fôlego.

"Rafael", ele respondeu, o sorriso se alargando, revelando um vislumbre de dentes brancos. "E parece que o destino resolveu nos apresentar." Ele olhou para a rua, a chuva ainda caindo impiedosa. "Você está esperando por um táxi também?"

Isabela assentiu, sentindo um calor estranho se espalhar por seu corpo, um calor que nada tinha a ver com a umidade. "Sim. O meu parece ter desaparecido do mapa."

Rafael soltou uma risada baixa, um som que parecia aquecer o ambiente. "O meu também. Parece que estamos na mesma situação." Ele olhou para a livraria atrás dela. "Já esteve aqui antes? Nunca notei este lugar."

"Não", disse Isabela, virando-se para olhar a fachada desgastada da livraria. "Eu passo por aqui todos os dias para o trabalho, mas hoje a chuva me pegou de surpresa. Estava apenas me abrigando."

"Uma alma curiosa, então", Rafael comentou, seus olhos fixos nos dela. "Gosta de livros?"

Isabela sorriu, um sorriso genuíno desta vez. "Sou apaixonada por eles. Acredito que cada livro carrega um universo inteiro esperando para ser descoberto."

"Interessante", Rafael disse, um brilho nos olhos. "Eu, confesso, prefiro criar os meus próprios universos. Sou arquiteto."

"Arquiteto?", Isabela repetiu, surpresa e encantada. Aquele homem, com a chuva em seu rosto e a intensidade em seu olhar, era um criador de mundos. "Isso explica a sua postura de quem desafia a gravidade."

Rafael riu novamente, e desta vez, Isabela sentiu uma pontada de algo mais forte, algo que a fez querer prolongar aquela conversa, apesar do frio e da chuva. "Talvez. Ou talvez seja apenas a teimosia de quem não gosta de ser pego desprevenido pela vida." Ele olhou para o seu relógio. "Bem, parece que teremos que esperar um pouco mais. Não quer entrar na livraria enquanto isso? Posso lhe comprar um café, talvez?"

Isabela hesitou. Era precipitado, era impulsivo, era tudo aquilo que ela geralmente evitava em sua vida tão cuidadosamente planejada. Mas havia algo naquele homem, algo na forma como ele a olhava, na maneira como a chuva parecia realçar sua beleza selvagem, que a impelia a quebrar suas próprias regras.

"Um café seria maravilhoso", ela respondeu, sua voz soando um pouco mais suave agora, um convite tácito para um novo começo.

Ao entrarem na livraria, o cheiro de papel antigo e café fresco os envolveu, um refúgio acolhedor contra a tempestade lá fora. As prateleiras altas, abarrotadas de livros que pareciam sussurrar histórias antigas, criavam um ambiente íntimo e convidativo. A luz amarelada e suave criava sombras dançantes nos cantos, e o silêncio era quebrado apenas pelo som da chuva batendo na vidraça.

Rafael a guiou até um pequeno balcão de madeira escura, onde um senhor de cabelos grisalhos e óculos na ponta do nariz sorria para eles com simpatia. "Bem-vindos à nossa pequena ilha de tranquilidade", ele disse, sua voz um murmúrio suave.

Enquanto esperavam o café, Isabela sentiu o olhar de Rafael sobre ela, um olhar que a envolvia, a estudava, a convidava. Era um olhar que prometia segredos, paixões e um destino ainda não escrito. Naquele instante, sob a marquise de uma livraria esquecida, com a chuva como testemunha, Isabela sentiu que a vida, de repente, havia lhe apresentado um presente inesperado, um presente com o nome de Rafael. E ela sabia, com uma certeza que a assustou e a encantou ao mesmo tempo, que aquele encontro não seria apenas uma breve interrupção em seu dia, mas o prelúdio de algo muito maior.

O café chegou, quente e aromático, e as mãos deles se tocaram ao pegarem as xícaras. O contato foi breve, mas intenso, e um arrepio percorreu o corpo de Isabela. Rafael sorriu, um sorriso cheio de cumplicidade, e Isabela sentiu que, sob aquela chuva torrencial, algo novo e poderoso começava a florescer em sua alma. Era o prenúncio de uma tempestade, mas desta vez, uma tempestade de sentimentos que a prometiam levá-la para muito além do que ela jamais imaginou. O universo, realmente, tinha seus próprios planos, e naquele momento, o plano incluía um arquiteto de olhos azuis e uma mulher que amava livros, unidos pela força inesperada de uma chuva de verão.

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