Cap. 1 / 21

Amores que Doem

Amores que Doem

por Isabela Santos

Amores que Doem

Por Isabela Santos

Capítulo 1 — O Baile das Máscaras e o Encontro Inesperado

O ar da noite carioca, carregado de um perfume adocicado de jasmim e sal, parecia pulsar com uma eletricidade própria. A mansão dos Vasconcelos, um casarão colonial debruçado sobre a Baía de Guanabara, transformou-se, naquela noite, num palco de sedução e mistério. As luzes douradas dos lustres de cristal banhavam o salão principal, onde centenas de rostos mascarados dançavam ao som vibrante de uma orquestra. Gargalhadas ecoavam, sussurros cúmplices cruzavam o salão, e a promessa de segredos desvendados pairava no ar como um véu sutil.

Clara Vasconcelos, a anfitriã da noite, movia-se entre os convidados com a graça de uma bailarina e a compostura que sua posição exigia. Sua máscara de seda preta, adornada com pequenas plumas, escondia apenas parcialmente a beleza estonteante de seus olhos cor de mel, agora tingidos por uma melancolia quase imperceptível. Aos vinte e oito anos, Clara era a personificação da mulher de sucesso: à frente de uma próspera galeria de arte, herdeira de um nome respeitado e, teoricamente, dona de uma vida impecável. Mas sob a superfície polida, um turbilhão de sentimentos a consumia. O fim recente de um noivado longo e promissor com Eduardo, um homem que ela acreditava amar, a deixara com um vazio que nenhuma conquista profissional conseguia preencher.

Ela pegou uma taça de champanhe, o brilho das bolhas espelhando as estrelas que começavam a pontilhar o céu escuro. O baile, uma tradição anual da família, era mais uma obrigação social do que um deleite. Cada sorriso forçado, cada conversa superficial, era um lembrete do que ela sentia ter perdido, ou talvez, do que nunca realmente teve.

"Magnífico, não é, Clara?", uma voz grave e rouca a tirou de seus pensamentos.

Ela se virou, encontrando um homem alto, envolto em um terno escuro impecável. Sua máscara era simples, preta, cobrindo apenas a metade superior do rosto, revelando um maxilar firme e lábios bem desenhados. Havia algo em seu olhar, mesmo escondido pela máscara, que a intrigou. Uma intensidade que parecia atravessar a barreira do disfarce.

"Sempre um espetáculo, Senhor...?", ela arriscou, um sorriso elegante despontando em seus lábios.

"Lucas. Lucas Montenegro", ele respondeu, estendendo a mão. Sua voz era como um convite para um mergulho profundo, um misto de perigo e fascínio.

O aperto de mão de Lucas foi firme, um toque que enviou um arrepio inesperado por sua espinha. Clara sentiu-se exposta, como se ele pudesse ler seus pensamentos mais íntimos por trás da máscara.

"Prazer, Senhor Montenegro. Espero que esteja apreciando a noite", disse ela, tentando manter a compostura.

"Mais do que esperava", ele a olhou diretamente nos olhos, e por um instante, Clara sentiu o tempo parar. Havia uma profundidade ali, uma história não contada que a atraiu irresistivelmente. "Vejo que a anfitriã também tem seus momentos de contemplação. A beleza da noite, talvez?"

O tom dele era leve, mas carregado de um subtexto que a fez corar sutilmente. Ela não estava acostumada com essa ousadia, com essa percepção tão direta.

"A beleza de tudo, o mar, as estrelas... e a companhia", ela respondeu, surpreendendo a si mesma com a audácia.

Lucas sorriu, um sorriso que se refletiu em seus olhos. "A companhia é sempre o elemento mais interessante, não acha? Capaz de transformar o mais comum em extraordinário."

Eles caminharam juntos pelo salão, a música agora mais suave, um tango que convidava à proximidade. Clara sentiu-se estranhamente à vontade ao lado dele, como se o véu da máscara fosse uma licença para ser quem ela realmente era, despojada das expectativas e das convenções sociais.

"Você parece carregar o peso do mundo nos ombros, Clara", Lucas comentou, sua voz baixa e conspiratória.

Ela parou, surpresa com sua observação. "Ser anfitriã tem suas responsabilidades."

"Não falo das responsabilidades. Falo do que vai além delas. De algo que murcha a alma, como uma flor que não recebe sol."

Clara riu, um riso genuíno, mas tingido de uma tristeza que ela não conseguia disfarçar. "Talvez eu esteja no inverno da minha alma, Senhor Montenegro."

Lucas parou também, virando-se para encará-la. Sua máscara parecia agora um convite para um mergulho ainda mais profundo em seus olhos. "O inverno é apenas uma estação. A primavera sempre retorna." Ele a olhou com uma intensidade que a deixou sem fôlego. "E às vezes, um calor inesperado pode acelerar o degelo."

Houve um silêncio carregado de expectativa entre eles. A música parecia ter cessado, o burburinho dos outros convidados se dissipou. Clara sentiu o coração disparar, uma sensação que não experimentava há anos. Era perigoso. Era proibido. E era inebriante.

"E quem seria esse calor inesperado?", ela sussurrou, a voz quase inaudível.

Lucas deu um passo à frente, diminuindo a distância entre eles. Ela podia sentir o calor que emanava dele, um calor que parecia aquecer não apenas sua pele, mas também sua alma adormecida.

"Talvez seja alguém que enxerga além da máscara", ele disse, seus olhos fixos nos dela.

Naquele momento, um burburinho de vozes mais altas irrompeu na porta principal. A atenção de Clara se desviou por um instante, e quando ela voltou a olhar para Lucas, ele já havia se afastado, misturando-se à multidão com a mesma discrição com que aparecera.

A noite continuou, mas para Clara, o brilho havia mudado. Aquele encontro fugaz, aquele olhar intenso, aquela conversa que a desnudara de sua armadura, deixaram uma marca indelével. Ela continuou a cumprir seus deveres de anfitriã, mas seus pensamentos voltavam-se repetidamente para o homem misterioso que se apresentou como Lucas Montenegro. Quem era ele? Por que ele a via de uma maneira tão diferente? E, mais importante, o que aquele breve encontro significava para o seu futuro?

Mais tarde, enquanto os últimos convidados se despediam, Clara caminhou até a varanda, o ar fresco da noite acariciando seu rosto. A lua cheia banhava a baía com uma luz prateada, pintando o mar em tons de azul e cinza. Ela suspirou, um suspiro pesado de confusão e esperança. Aquele baile, que começara como uma obrigação, havia se transformado em algo muito mais complexo. Havia um mistério agora, um fio condutor que a puxava para algo desconhecido. E no fundo de seu coração, uma pequena chama de curiosidade e anseio começava a arder, um fogo que ela não sabia se deveria alimentar ou apagar. O homem de olhar intenso e voz rouca havia plantado uma semente, e Clara sentia, com uma mistura de apreensão e excitação, que essa semente estava prestes a germinar. A noite das máscaras, ela sabia, havia apenas começado a revelar seus verdadeiros disfarces.

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