Cap. 12 / 21

Amores que Doem

Capítulo 12 — Um Encontro Acidental, Corações Acelerados

por Isabela Santos

Capítulo 12 — Um Encontro Acidental, Corações Acelerados

O sol da manhã em Paraty beijava as pedras históricas com um calor suave, prometendo um dia de beleza e tranquilidade. No entanto, para Mariana, a manhã trazia consigo a ansiedade palpável do dia anterior. A noite mal dormida, povoada por lembranças de Rafael e a necessidade de ser honesta com André, deixara-a com olheiras discretas, mas visíveis, e um nó persistente no estômago. Ela precisava retomar sua rotina, sua vida, e, para isso, precisava aceitar que aquele encontro não era o fim do mundo, mas sim um lembrete de um passado que, por mais doloroso que fosse, também fora intensamente amado.

Ela decidiu que precisava de ar fresco, de algo que a tirasse da penumbra de seus pensamentos. Sabendo que André tinha um compromisso de trabalho pela manhã, ela decidiu fazer um passeio pela Praia do Pontal. A brisa do mar, salgada e revigorante, sempre fora um bálsamo para sua alma. As ondas quebrando na areia, o som suave das gaivotas, tudo isso a ajudava a se reconectar com a realidade, com o presente.

Enquanto caminhava pela orla, observando os barquinhos de pesca coloridos ancorados na água cristalina, ela tentava se concentrar na beleza ao seu redor. Os coqueiros balançavam suavemente, e o horizonte se estendia, um convite à contemplação. Foi então que, ao virar uma curva e se deparar com a pequena feira de artesanato montada ali, ela o viu.

Rafael.

Ele estava parado em frente a uma barraca, examinando com atenção um colar de conchas. Seu cabelo estava levemente molhado, como se ele também tivesse buscado refúgio na praia. A mesma camisa de linho azul, que ela lembrava ter admirado tantas vezes, envolvia seus ombros largos. Por um instante, o tempo pareceu parar. O barulho das ondas, as conversas ao redor, tudo se tornou um murmúrio distante.

Mariana sentiu o coração dar um salto perigoso no peito, um misto de pânico e uma atração irresistível. Ela parou, hesitando em dar mais um passo. Deveria se virar? Fingir que não o viu? Ou cumprimentá-lo, desta vez com mais naturalidade, como uma velha conhecida que por acaso se reencontra? A necessidade de fugir lutava contra um desejo estranho de se aproximar, de entender o que aquele reencontro significava.

Rafael, como se sentisse a presença dela, levantou os olhos. Seus olhares se cruzaram. Seus olhos, verdes e profundos, encontraram os dela, azuis e assustados. Um sorriso lento, quase imperceptível, surgiu em seus lábios. Ele largou o colar e começou a caminhar em sua direção, sem pressa, mas com uma determinação silenciosa que a fez prender a respiração.

Ela não podia fugir. Era tarde demais. E, de certa forma, uma parte dela não queria fugir.

“Mariana,” ele disse, sua voz suave, mas com um tom de reconhecimento que a fez corar. Ele parou a poucos passos dela, e a proximidade era eletrizante. Aquele mesmo perfume amadeirado que ela lembrava pairava no ar.

“Rafael,” ela conseguiu responder, a voz um pouco trêmula. Ela tentou manter a compostura, o profissionalismo que ele parecia emanar. “Que coincidência nos encontrarmos novamente.”

“Coincidências têm um jeito engraçado de acontecer, não é mesmo?” ele disse, os olhos fixos nos dela, uma fagulha de algo indecifrável dançando em seu olhar. “Você está aproveitando Paraty?”

“Sim, estou. É uma cidade linda. E você?”

“Estou resolvendo algumas coisas. Mas, confesso, a beleza daqui me distrai facilmente.” Ele fez uma pausa, seu olhar percorrendo o rosto dela, detendo-se nas olheiras discretas que ela tentava disfarçar. “Você parece… pensativa.”

Mariana sorriu sem graça. “Apenas aproveitando a paisagem.”

“A paisagem é realmente deslumbrante,” ele concordou, mas seus olhos não estavam no mar, mas nela. “Mas às vezes, as paisagens mais belas escondem algumas tempestades internas, não acha?”

A pergunta era direta, incômoda. Ela sentiu-se exposta novamente. “Talvez. Ou talvez apenas as paisagens nos convidem a refletir sobre nossas próprias tempestades.”

Um silêncio carregado se instalou entre eles, preenchido pelo som das ondas. A atmosfera era densa, carregada de emoções reprimidas, de perguntas não feitas e de respostas que eles, talvez, não estivessem prontos para dar.

“Mariana, eu…” Rafael começou, mas hesitou. O que ele queria dizer? Que sentia falta dela? Que o reencontro o desestabilizara? Que ele sabia que ela estava com outro homem?

Ela sentiu a necessidade de cortar o momento de tensão. “Eu preciso ir agora, Rafael. André… meu noivo… ele deve estar me esperando.” A palavra ‘noivo’ saiu com um peso deliberado, uma tentativa de estabelecer limites, de reafirmar seu presente.

O rosto de Rafael vacilou por um instante. A máscara de polidez se aprofundou, mas Mariana pôde ver a sombra de algo mais em seus olhos. Uma pontada de dor? Ciúmes? Ou apenas a constatação de que ela, de fato, havia seguido em frente?

“Seu noivo,” ele repetiu, a voz baixa, quase inaudível. “Claro. Meus cumprimentos a ele.” Ele deu um passo para trás, um gesto sutil de afastamento. “Foi… interessante te encontrar novamente, Mariana.”

“Igualmente, Rafael.” Ela sentiu uma pontada de arrependimento por ter sido tão brusca, mas a necessidade de se proteger, de proteger André, falava mais alto. Ela se virou e apressou o passo, sentindo os olhos dele acompanhando-a até que ela se perdesse em meio aos artesãos.

Enquanto caminhava rapidamente de volta para a pousada, Mariana sentiu o corpo formigando. O encontro fora breve, quase um piscar de olhos, mas a intensidade da troca de olhares, a corrente elétrica que emanava dele, a deixara desorientada. Ela sabia que André era o homem certo para ela, o porto seguro que a resgatara do naufrágio que fora seu relacionamento com Rafael. Mas o reencontro, aquele olhar que parecia ler sua alma, a incerteza que pairava sobre os sentimentos dele, tudo isso a abalara.

Chegando à pousada, ela encontrou André na sala de estar, revisando alguns documentos. Ele sorriu ao vê-la, o sorriso caloroso e genuíno que sempre a reconfortava.

“Voltou, meu amor? Como foi o passeio?”

Mariana sentou-se ao lado dele, respirando fundo. Ela não podia mais esconder. Precisava contar tudo, a ele e a si mesma.

“André, eu… eu te menti ontem. Não foi apenas um encontro. Eu te vi novamente hoje.”

Ele a olhou, seus olhos transmitindo preocupação, mas sem acusação. “O Rafael?”

Ela assentiu, sentindo as lágrimas se acumularem nos cantos dos olhos. “Sim. Na praia. Foi… intenso. E eu acho que ainda sinto algo por ele, André. Algo que me assusta porque eu não deveria sentir.”

André a puxou para si, envolvendo-a em seus braços. Ele não a repreendeu, não mostrou raiva. Apenas a acolheu.

“Mari, eu sei que você está confusa. E eu não vou te pressionar. Mas você precisa ser honesta consigo mesma. O que você sente por ele, é um amor do passado, uma nostalgia. O que você sente por mim é algo que está florescendo agora. E é real.”

“Mas e se eu não conseguir deixar o passado para trás?” ela sussurrou, sentindo o aperto de seu abraço.

“Você não precisa apagar o passado, Mari. Você precisa integrá-lo. E é aqui, comigo, que você vai encontrar a força para fazer isso. Eu não tenho medo do Rafael. Tenho medo de você se perder em suas próprias incertezas. E eu quero te ajudar a encontrar o caminho de volta.” Ele a soltou e a olhou nos olhos, a seriedade em seu semblante contrastando com a ternura em seu toque. “Eu te amo, Mariana. E meu amor não é passageiro. Ele está aqui, firme. Agora, a escolha é sua: se você vai permitir que as sombras do passado te envolvam, ou se vai caminhar para a luz que eu te ofereço.”

As palavras de André, ditas com tanta calma e convicção, ressoaram profundamente em Mariana. Ela sabia que ele estava certo. O amor que ela sentira por Rafael fora avassalador, destrutivo. O amor que ela sentia por André era um refúgio, uma promessa de paz. Mas a atração, a memória da intensidade, ainda a perturbavam. O fantasma do passado, agora visto de perto, exibia um rosto mais nítido, e a luta interna de Mariana estava apenas começando.

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