Cap. 15 / 21

Amores que Doem

Capítulo 15 — A Noite da Verdade: Sombras e Revelações

por Isabela Santos

Capítulo 15 — A Noite da Verdade: Sombras e Revelações

A mansão de Valério, situada em um ponto isolado da costa, era um monumento à ostentação e ao poder. Cercada por muros altos e um jardim impecável, ela se erguia como um bastião impenetrável, guardando segredos e negócios escusos. Mariana, escondida nas sombras do carro de Rafael, sentiu um arrepio de medo percorrer seu corpo. A ousadia daquele plano, a perigosa proximidade com a verdade, a deixava em um estado de alerta máximo.

Rafael, com a habilidade de quem já se movera em círculos perigosos, desativou um dos sistemas de segurança de forma surpreendentemente rápida. Ele parecia ter se transformado em outra pessoa, um homem determinado e focado, movido por um propósito que o cegava para os riscos.

“Fique aqui no carro. Se eu não voltar em uma hora, vá embora e não olhe para trás,” ele sussurrou, a voz tensa.

“Não, Rafael. Eu vou com você,” Mariana respondeu, sua voz firme apesar do tremor em suas mãos. “Você não vai fazer isso sozinho.”

Ele a olhou, uma mistura de surpresa e relutância em seus olhos. “Mariana, é muito perigoso.”

“E você acha que eu estou mais segura aqui sozinha?” Ela o confrontou, a determinação ganhando espaço sobre o medo. “Eu não posso te deixar ir sem saber que você está seguro. E eu preciso ver isso com meus próprios olhos. Preciso entender.”

Rafael hesitou por um momento, como se ponderasse a força da convicção dela. Finalmente, ele assentiu. “Tudo bem. Mas você fica atrás de mim. E obedece a tudo que eu disser. Sem questionar.”

Eles se moveram pelas sombras, contornando a mansão. A noite estava estrelada, mas a lua parecia se esconder, como se temesse presenciar o que estava por vir. Rafael a guiou por uma porta lateral menos vigiada, e eles se encontraram no interior luxuoso e sombrio da casa. O silêncio era quase absoluto, quebrado apenas pelo som distante de vozes abafadas vindo de um salão principal.

Eles se esgueiraram pelos corredores, o coração de Mariana batendo descompassado no peito. Cada sombra parecia esconder um perigo, cada ruído, uma ameaça. Rafael se movia com uma agilidade surpreendente, seus olhos vasculhando cada canto, atento a qualquer movimento. Ele sabia exatamente onde ir, como se tivesse planejado aquilo há muito tempo.

Chegaram à porta do salão principal, e Rafael fez um sinal para Mariana se esconder atrás de uma grande cortina. Ele abriu a porta apenas o suficiente para espiar. Lá dentro, em uma mesa suntuosa, Valério estava sentado com outros homens, todos vestidos em ternos impecáveis, o ar impregnado pelo cheiro de charutos caros e bebidas finas. Eles discutiam negócios, mas o tom era de intriga e ameaça.

“…e o acordo com a família Montenegro está selado,” disse Valério, sua voz grave e autoritária. “O controle daquela rota marítima nos trará lucros inimagináveis. E quanto ao pequeno Rafael, ele não será mais um problema.”

O estômago de Mariana se revirou. Ela sentiu Rafael se mover ao seu lado, seu corpo tenso como uma corda de arco. Ele estava gravando tudo em um pequeno dispositivo escondido em seu bolso.

“E o que faremos com ele?” perguntou um dos homens, um homem corpulento com uma cicatriz no rosto.

Valério riu, um som frio e desprovido de humor. “O que vocês acham? Um pequeno acidente. Afinal, ele é tão descuidado quanto o pai. Um despiste no mar, uma tempestade repentina… ninguém vai desconfiar de nada. Ele será apenas mais uma vítima da própria imprudência.”

Mariana sentiu as lágrimas brotarem em seus olhos. A confirmação do que ela temia. Não fora um acidente. Fora um plano frio e calculado para eliminar Rafael e sua família. A raiva a consumiu, uma raiva justificada pela crueldade daquela confissão.

Rafael, percebendo a gravidade da situação, se afastou lentamente, puxando Mariana consigo. Eles precisavam sair dali, e rápido. Mas, ao se virarem, esbarraram em um vaso de porcelana que caiu no chão com um estrondo ensurdecedor.

As vozes no salão cessaram abruptamente. Um silêncio de morte se instalou, seguido por gritos de alerta.

“Quem está aí?!” Valério rugiu, sua voz transbordando fúria.

Rafael agarrou a mão de Mariana e correu. Os homens de Valério saíram em disparada do salão, seus passos ecoando pelo corredor. A perseguição começou. Eles correram pelos corredores labirínticos da mansão, o som de seus passos e dos perseguidores cada vez mais próximos. Mariana tropeçou, quase caindo, mas Rafael a segurou firmemente.

“Não olhe para trás! Continue correndo!” ele gritou, sua voz uma mistura de desespero e adrenalina.

Eles alcançaram a porta lateral, mas os homens de Valério estavam logo atrás. Rafael empurrou Mariana para fora, para a escuridão da noite.

“Vá para o carro! Agora!” ele ordenou.

Mas, antes que Mariana pudesse se mover, um dos homens agarrou Rafael por trás, enquanto outro se voltava para ela. Mariana gritou, aterrorizada. Ela viu o homem investir contra Rafael, uma faca brilhando em sua mão.

Num impulso de desespero, movida por um instinto de proteção que ela não sabia que possuía, Mariana agarrou uma pedra pesada do jardim e a arremessou com toda a força contra o homem que atacava Rafael. O impacto foi certeiro, e o homem caiu no chão, soltando Rafael.

Rafael, aproveitando a oportunidade, se livrou dos outros e correu em direção a Mariana. Juntos, eles se viraram e correram em direção ao carro, os gritos de Valério e seus homens ecoando atrás deles.

Eles conseguiram entrar no carro e Rafael, com as mãos tremendo, deu a partida. Os pneus cantaram na terra enquanto eles aceleravam pela estrada, deixando a mansão de Valério e a escuridão para trás.

Por vários minutos, ninguém falou. O silêncio era preenchido apenas pela respiração ofegante e o som do motor. Mariana tremia incontrolavelmente, o choque a dominando. Ela olhou para Rafael, seu rosto iluminado pela luz fraca do painel. Ele parecia exausto, mas havia um brilho de triunfo em seus olhos.

“Você conseguiu, Rafael,” ela sussurrou, a voz embargada. “Você tem as provas.”

Ele assentiu, apertando o dispositivo de gravação com força. “Sim. A verdade está aqui. Agora, Valério não poderá mais se esconder.”

Ele parou o carro em um local seguro, longe de olhares curiosos. Mariana se virou para ele, sentindo uma mistura avassaladora de alívio, medo e uma emoção que ela não conseguia nomear.

“Mariana,” Rafael disse, sua voz rouca. Ele a olhou com uma intensidade que a fez prender a respiração. “Você me salvou. De novo.”

“Não, Rafael. Nós nos salvamos,” ela respondeu, sentindo a necessidade de se aproximar dele, de confortá-lo.

Ele a puxou para perto, e desta vez, não houve hesitação. Eles se abraçaram, um abraço apertado, cheio de alívio, de gratidão, e de algo mais profundo. Naquele abraço, em meio à escuridão da noite e às revelações chocantes, a linha entre o passado e o presente se tornou ainda mais tênue. O amor que um dia os unira, a paixão que os consumira, parecia ter encontrado um novo fôlego na aventura perigosa que acabaram de viver. Mariana sabia que havia cruzado uma linha perigosa, que havia se arriscado a perder André. Mas, naquele momento, envolta nos braços de Rafael, sentindo a força e a fragilidade dele, ela se sentiu conectada a uma parte de si mesma que estava adormecida há muito tempo. A noite da verdade havia revelado não apenas a crueldade de Valério, mas também a complexidade dos seus próprios sentimentos, e o perigo que ela corria ao se deixar levar pela tentação de um amor que, apesar de tudo, ainda a chamava.

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