Cap. 19 / 21

Amores que Doem

Capítulo 19 — O Chamado da Matriarca

por Isabela Santos

Capítulo 19 — O Chamado da Matriarca

O sol da manhã entrava pelas janelas embaçadas do apartamento de Rafael, pintando o cômodo com tons dourados e frios. Ele ainda estava na cama, o corpo pesado, a mente exausta pelas emoções da noite anterior. As revelações sobre sua paternidade, o confronto com o Dr. Mendes, a dor da ausência de um pai de verdade, tudo isso se misturava em um turbilhão de pensamentos. A imagem de Ana, com seus olhos marejados, também pairava em sua memória. Ele sabia que a havia magoado, mas a necessidade de buscar a verdade sobre si mesmo era mais forte.

Um barulho persistente o tirou de seus devaneios. Seu celular. Ele o pegou na mesinha de cabeceira, a tela iluminada por uma chamada desconhecida. O nome "Helena Vasconcelos" surgiu, e um arrepio percorreu sua espinha. A matriarca. A mulher que, segundo Ana, havia orquestrado o silêncio e as mentiras.

Hesitante, Rafael atendeu. "Alô?"

A voz de Helena soou, fria e calculista, como sempre. "Rafael. Onde você está? Você sumiu a noite toda. E Ana me disse que você saiu depois de... bem, depois de tudo."

O tom de Helena, carregado de uma frieza que beirava a indiferença, fez Rafael sentir uma onda de irritação. "Eu estou bem, Helena. Apenas precisando de um tempo para pensar."

"Pensar?", ela repetiu, a voz tingida de impaciência. "O que há para pensar? A verdade é a verdade. E agora que ela veio à tona, precisamos lidar com isso. E eu preciso que você venha para cá imediatamente. Temos assuntos importantes a resolver."

Rafael suspirou. Ele sabia que Helena não o chamaria se não tivesse algo em mente, algo que, provavelmente, envolvia manter o controle sobre a narrativa. "Eu não sei se estou com cabeça para resolver nada agora, Helena."

"Rafael, não seja irracional", ela disse, a voz ganhando um tom de comando. "Você é um Vasconcelos. O nome da família está em jogo. E eu preciso que você se comporte como tal. Venha para cá. Agora."

O ultimato era claro. Helena exigia sua presença, e ele sabia que, por mais que quisesse se afastar, a figura dela era uma força que não podia ser ignorada facilmente. Ele não queria se submeter a mais um jogo de manipulação, mas a curiosidade, e talvez um resquício de dever familiar, o impulsionavam.

"Eu vou", Rafael disse, a voz resignada. "Mas não espere que eu concorde com qualquer coisa que o senhor disse. Eu preciso entender o seu lado. E eu vou ter minhas próprias respostas."

"As suas respostas são irrelevantes agora", Helena retrucou, a frieza voltando. "O que importa é a imagem da família. Nos encontramos na sala de estar. Em uma hora."

A ligação foi encerrada abruptamente. Rafael jogou o celular na cama, sentindo a náusea retornar. A matriarca dos Vasconcelos. A mulher que, aparentemente, havia orquestrado a sua vida a partir das sombras. Ele precisava confrontá-la, não apenas por si mesmo, mas por Ana, por seu pai adotivo, e por si mesmo.

Ele se levantou e tomou um banho rápido, tentando clarear a mente. A água morna ajudou a relaxar um pouco os músculos tensos, mas não o aliviou da ansiedade que o consumia. Vestiu-se com roupas casuais, mas com um ar de seriedade, e saiu do apartamento, o peso da mansão Vasconcelos e de seus segredos pairando sobre seus ombros.

Ao chegar, foi recebido pela governanta, que o guiou até a sala de estar. Helena estava lá, sentada em sua poltrona favorita, com uma xícara de chá nas mãos. Ao seu lado, em uma poltrona menos imponente, estava o Sr. Armando Vasconcelos, o homem que ele chamara de pai por toda a vida. Seus olhos, sempre gentis, agora carregavam uma expressão de tristeza profunda e resignação.

"Rafael, sente-se", Helena disse, apontando para uma poltrona vaga. A atmosfera na sala era tensa, carregada de um silêncio que parecia gritar segredos não contados.

Rafael sentou-se, o olhar fixo em Helena, mas sentindo o peso do olhar do Sr. Vasconcelos sobre ele. "Helena, você disse que precisávamos resolver assuntos importantes."

"E precisamos", ela respondeu, a voz controlada. "A verdade sobre a sua paternidade é algo que não pode mais ser escondido. E agora que você sabe, e que o Dr. Mendes, aparentemente, também falou demais, precisamos garantir que a imagem da família Vasconcelos permaneça intacta."

Rafael franziu a testa. "Imagem da família? É disso que você se preocupa? Não do fato de que eu vivi uma mentira por toda a minha vida?"

"A mentira, como você chama, nos deu uma vida feliz e estável", Helena rebateu, a voz firme. "O Sr. Vasconcelos, que está aqui ao meu lado, te amou como seu filho, e isso é o que importa. O Dr. Mendes cometeu um erro no passado, mas ele também reconheceu o que era melhor para você. Agora, o importante é seguir em frente, e garantir que essa história não cause mais danos."

O Sr. Vasconcelos finalmente se manifestou, a voz embargada. "Rafael, meu filho... eu sempre te amei. E o amor que eu tenho por você não se mede por laços de sangue. Eu escolhi ser seu pai, e me orgulho de cada momento que passamos juntos."

As palavras do Sr. Vasconcelos atingiram Rafael em cheio. A sinceridade em sua voz, a dor em seus olhos, o fizeram sentir uma pontada de culpa. Ele sabia que o homem à sua frente era inocente, uma vítima da teia de mentiras que Helena tecera.

"Eu sei, pai", Rafael disse, a voz embargada. "E eu te amo também. Mas você entende que eu preciso entender o que aconteceu? Que eu preciso saber por que tudo isso foi escondido de mim?"

Helena suspirou, como se estivesse se dirigindo a uma criança teimosa. "Não há muito mais para entender, Rafael. Helena e Antônio tiveram um breve romance. Ela engravidou. Ela se casou com o Sr. Vasconcelos, que a amava e a aceitou. Eles decidiram que o Sr. Vasconcelos seria o pai legal e afetivo. O Dr. Mendes se manteve à parte, por respeito à decisão deles."

"Respeito?", Rafael repetiu, a raiva começando a borbulhar novamente. "Ou medo? Medo de arruinar a sua reputação, Helena?"

Helena não se abalou. "Eu fiz o que era melhor para a família. E agora, o que é melhor é que essa história não venha à tona. Não quero que ninguém saiba que o Sr. Vasconcelos não é o seu pai biológico. Não quero que o Dr. Mendes seja associado a essa família de forma escandalosa."

Rafael olhou para o Sr. Vasconcelos, buscando um apoio, uma confirmação de seus sentimentos. O Sr. Vasconcelos assentiu levemente, seus olhos expressando uma mistura de dor e aceitação.

"Helena", Rafael começou, a voz firme e decidida. "Eu não posso mais viver em segredo. Eu preciso saber a verdade sobre quem eu sou. E eu preciso ter uma relação com o meu pai biológico. Ele é parte de mim, queira você ou não."

Helena o encarou, os olhos escuros como a noite. "Você está cometendo um erro, Rafael. Um erro que vai custar caro à nossa família."

"O custo de viver uma mentira já é alto demais, Helena", Rafael respondeu, levantando-se. "Eu não serei mais parte disso. Eu vou procurar o Dr. Mendes. E eu vou ter as minhas respostas."

Ele lançou um último olhar para o Sr. Vasconcelos, um olhar de gratidão e desculpas. "Pai, eu te amo. E você sempre será o meu pai. Mas eu preciso conhecer a verdade completa."

Com isso, Rafael se virou e saiu da sala, deixando Helena e o Sr. Vasconcelos imersos no silêncio pesado de seus segredos. A matriarca, determinada a manter o controle, e o pai adotivo, resignado à dor de um filho que buscava suas próprias origens. A chamada de Helena, que visava reforçar o véu do segredo, acabou por despertar ainda mais a sede de verdade em Rafael, e ele sabia que a sua jornada estava apenas começando.

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