Cap. 24 / 21

Amores que Doem

Capítulo 24 — A Armadilha do Passado

por Isabela Santos

Capítulo 24 — A Armadilha do Passado

A decisão de Clara de expor a verdade sobre a fortuna de sua família e as artimanhas de Eduardo Montenegro foi recebida com uma mistura de alívio e apreensão por Leonardo e Dr. Almeida. A coragem de Clara em enfrentar o legado sombrio de sua família era inspiradora, mas o perigo que Eduardo representava era real e iminente.

"Precisamos de um plano sólido", Leonardo disse, enquanto examinava os documentos que Dr. Almeida havia reunido. "Eduardo é astuto. Ele não vai cair sem lutar. Precisamos ter certeza de que nossas provas são irrefutáveis e que estamos protegidos."

"Eu já tomei algumas precauções", Dr. Almeida informou, a voz calma, mas atenta. "Fiz cópias de todos os documentos e os depositei em um cofre seguro fora do país. E também notifiquei discretamente algumas autoridades de confiança sobre a investigação, para o caso de algo acontecer comigo ou com o Senhor Leonardo."

Clara sentiu um arrepio. A menção de "algo acontecer" era um lembrete sombrio da natureza perigosa de Eduardo. Ela olhou para Leonardo, que retribuiu o olhar com determinação.

"Não vamos deixar que ele nos intimide, Clara", Leonardo disse, sua voz firme. "Vamos expor tudo. A verdade prevalecerá."

Enquanto isso, Eduardo Montenegro não perdia tempo. A notícia de que Dr. Almeida estava reunindo provas contra ele e que Leonardo estava envolvido chegou aos seus ouvidos, e sua fúria se transformou em uma estratégia sinistra. Ele sabia que confrontar Leonardo diretamente seria arriscado, mas havia uma forma mais sutil e cruel de atingi-lo: através de Clara.

Eduardo sabia da história de Clara, de seu passado com Leonardo, da dor que a perda de um filho havia causado. Ele sabia que essa dor era uma ferida aberta, e decidiu explorá-la. Ele contatou um de seus antigos contatos, um homem com quem havia feito negócios escusos no passado, um homem conhecido por sua habilidade em fabricar informações e disseminar boatos.

"Preciso de um serviço sujo", Eduardo disse, a voz fria e calculista. "Preciso que você crie uma narrativa. Uma história que abale a confiança entre Leonardo e Clara. Uma história que os separe permanentemente."

O homem do outro lado da linha sorriu, um sorriso cruel. "O que exatamente você tem em mente, Senhor Montenegro?"

"Você se lembra da história do 'aborto' de Clara?", Eduardo perguntou, um brilho sombrio em seus olhos. "Aquela história que a fez se afastar de Leonardo? Preciso que você a traga de volta à tona. Mas desta vez, com um novo toque. Que sugira que o 'aborto' não foi uma escolha dela, mas algo que Leonardo sabia, ou até mesmo incentivou, para se livrar dela."

O homem riu baixinho. "Uma mentira bem tecida pode ser mais poderosa que a verdade, Senhor Montenegro. Especialmente quando toca nas feridas certas."

"Exato", Eduardo disse. "Preciso que essa história se espalhe. Que chegue aos ouvidos de Leonardo, de Clara, da sociedade. Que destrua qualquer chance de reconciliação entre eles. E que, de quebra, mine a reputação de Leonardo como um homem honrado."

Nos dias que se seguiram, a mansão dos Valdemar, e a vida de Clara, foram subitamente invadidas por uma onda de sussurros e olhares curiosos. A notícia, cuidadosamente plantada por Eduardo, começou a circular em círculos sociais, em conversas de bastidores, e, inevitavelmente, chegou aos ouvidos de Leonardo.

Um dos contatos de Leonardo, um jornalista de confiança, o abordou com relutância. "Leonardo, eu… eu ouvi algo… algo sobre Clara. Sobre o passado dela com você. Sobre… o bebê."

Leonardo sentiu um aperto no peito. Ele sabia que a verdade sobre o passado de Clara e o motivo de seu "aborto" era algo delicado, mas ele havia superado isso, ou assim pensava. "O que exatamente você ouviu?", ele perguntou, a voz tensa.

O jornalista hesitou. "Dizem que… que você sabia de tudo. Que o 'aborto' não foi uma escolha de Clara, mas algo que você incentivou para se livrar dela. Que você não a amava o suficiente para lidar com a situação."

A acusação atingiu Leonardo como um raio. Era a mentira mais cruel, mais vil que ele poderia imaginar. Ele sabia que era uma armadilha, orquestrada por Eduardo. Mas o dano já estava feito. A semente da dúvida havia sido plantada.

Ele correu para encontrar Clara, o coração acelerado. Ele precisava contar a ela, precisava que ela soubesse que ele sabia que era uma mentira.

Ele a encontrou em seu ateliê, o mesmo lugar onde ele havia descoberto a verdade sobre a fortuna de sua família. Clara parecia mais serena, mais determinada.

"Clara", ele disse, a voz embargada. "Precisamos conversar. Ouvi coisas terríveis. Coisas que estão sendo espalhadas sobre você, sobre nós."

Clara o olhou, a preocupação em seus olhos. "O quê? O que aconteceu?"

Leonardo contou a ela sobre a mentira, sobre a calúnia que estava circulando. "É uma armadilha, Clara. Eduardo está tentando nos destruir. Ele está distorcendo a verdade sobre o nosso passado para nos separar."

Clara ouviu atentamente, o rosto pálido. Ela sabia que essa mentira era a arma perfeita para feri-los. A dor que ela sentiu no passado, a culpa que a consumiu, agora seria usada contra ela, manipulada de forma tão cruel.

"Ele não vai conseguir, Leonardo", Clara disse, a voz firme, apesar do tremor que a percorria. "Nós sabemos a verdade. E a verdade é mais forte do que as mentiras dele."

"Eu sei", Leonardo respondeu, apertando suas mãos. "Mas precisamos ter cuidado. Ele é perigoso. E essa mentira… ela pode atingir você mais do que a mim."

Naquela noite, enquanto Clara e Leonardo tentavam se reconfortar mutuamente, Eduardo Montenegro brindava à sua estratégia. Ele sabia que a verdade sobre a fortuna de sua família era um problema, mas a destruição do amor entre Leonardo e Clara era um objetivo mais prazeroso, um ato de vingança pessoal contra o homem que ousara desafiá-lo. A armadilha estava montada, e o passado, em sua forma mais cruel, ameaçava engolir o presente.

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