Paixão Transbordante

Capítulo 12 — A Farsa da Conquista e o Chamado da Razão

por Camila Costa

Capítulo 12 — A Farsa da Conquista e o Chamado da Razão

Os dias que se seguiram à noite da revelação foram um teste cruel para a sanidade de Isabella. Cada olhar de Rafael era uma facada, cada palavra dele, uma tortura. Ele, por sua vez, parecia determinado a seguir com o plano, sua máscara de sedutor implacável mais bem ajustada do que nunca. A frieza que ele exibira na noite do confronto, a justificação fria para suas ações, tudo isso o tornava um adversário formidável, um lobo em pele de cordeiro.

Isabella se sentia presa em uma teia de mentiras, cada movimento calculado para alimentá-la. Rafael intensificou seus "avanços", com jantares românticos em restaurantes sofisticados, flores entregues em seu escritório, declarações apaixonadas que agora soavam vazias e ensaiadas. Ela respondia com um sorriso forçado, os olhos fixos em um ponto distante, a mente a mil. A farsa da conquista era evidente, e ela se sentia humilhada por ter sido tão facilmente enganada.

"Você está linda hoje, meu amor", Rafael disse em uma noite, enquanto a conduzia para dentro de um carro com motorista. A palavra "amor" saiu de seus lábios com uma naturalidade assustadora, como se fosse a coisa mais genuína do mundo.

Isabella apenas acenou com a cabeça, o estômago revirado. "Obrigada, Rafael." A voz dela era um sussurro seco, desprovido de qualquer emoção.

Ele a observou de relance, um leve franzir de testa cruzando sua testa impecável. "Está tudo bem? Você parece… distante."

"Só cansada", ela respondeu, forçando um sorriso. "O trabalho tem sido intenso."

No fundo, Isabella se perguntava se ele era um mestre da manipulação ou se, de alguma forma, ele ainda sentia algo por ela, mesmo que disfarçado pela necessidade de cumprir seu acordo. A incerteza a consumia. Ela tentava se apegar à razão, à lógica que a dizia que tudo era uma armadilha, mas o coração, teimoso e ingênuo, ainda se agarrava a fragmentos de esperança, a memórias de momentos que pareciam ter sido reais.

O pior era a pressão de seu pai. O Sr. Almeida, sentindo que o plano estava avançando, intensificou suas visitas e suas conversas persuasivas. Ele falava sobre o futuro, sobre a união das empresas, sobre a importância da aliança com a família de Rafael.

"Isabella, minha filha", ele disse um dia, sentando-se em sua poltrona favorita na sala de estar, um copo de conhaque na mão. "Você está fazendo um trabalho maravilhoso. Rafael é um homem ambicioso, um excelente partido. Essa união trará imensos benefícios para todos nós."

Isabella o encarou, os olhos duros. "Benefícios para quem, pai? Para você? Ou para mim, que estou sendo vendida como uma mercadoria?"

O Sr. Almeida riu, um som seco e desprovido de humor. "Não seja sentimental, Isabella. O amor é um luxo. O que importa são os negócios, o poder. E você está cumprindo seu dever para com a família."

"Meu dever é me casar com um homem que me enganou?", ela retrucou, a voz embargada pela raiva e pela frustração.

"Ele fez o que precisava fazer, assim como você. Vocês dois são inteligentes o suficiente para entender que, às vezes, precisamos fazer sacrifícios", disse o Sr. Almeida, seu olhar gélido. "Agora, vá. Saia com Rafael. Mantenha as aparências. Falta pouco."

Suas palavras a deixaram ainda mais desanimada. Ela se sentia encurralada, sem saída. Rafael continuava seu jogo de sedução, e seu pai, com sua manipulação fria, a empurrava para o abismo.

Em uma noite de terça-feira, enquanto jantavam em um restaurante com vista para a Baía de Guanabara, Rafael fez a pergunta que Isabella tanto temia e, ao mesmo tempo, esperava. Ele segurou a mão dela sobre a mesa, os olhos fixos nos dela.

"Isabella", ele começou, a voz um pouco mais baixa, um tom que parecia genuíno, "sei que as coisas não foram fáceis entre nós. Mas eu… eu sinto algo forte por você. Algo que vai além do plano do seu pai."

O coração de Isabella disparou. Era uma armadilha? Ou era ele? Ela o encarou, buscando em seus olhos uma resposta, uma verdade que não pudesse ser facilmente disfarçada. "Rafael, eu não sei mais o que pensar. Você me disse que tudo isso fazia parte de um acordo."

Ele apertou a mão dela. "E fazia. Mas as coisas mudaram. Você mudou as coisas, Isabella. Você me fez ver que existe algo mais importante do que a vingança." Ele hesitou por um momento, como se buscasse as palavras certas. "Eu quero… eu quero que você seja minha. Não como parte de um acordo, mas porque eu a amo."

As palavras "eu a amo" pairaram no ar, carregadas de uma intensidade que Isabella não conseguia ignorar. Por um instante, ela se permitiu acreditar. A forma como ele a olhava, a sinceridade em sua voz… poderia ser real? Poderia ele ter se apaixonado por ela, apesar de tudo?

A razão, porém, deu um grito de alerta. Ela se lembrou da confissão dele, da frieza com que admitiu ter se aproveitado dela. E se fosse apenas mais uma jogada, uma tentativa de ganhar sua confiança para completar o plano? Seu pai estaria sorrindo vitoriosamente nesse momento.

"Rafael", ela disse, a voz trêmula, retirando a mão da dele, "eu não posso. Eu não confio mais em você. Você me machucou demais."

A decepção passou pelos olhos de Rafael, rápida como um relâmpago. Ele parecia genuinamente ferido. "Isabella, eu sei que o que eu fiz foi errado. Mas eu estou tentando consertar as coisas. Por favor, me dê uma chance."

Ela balançou a cabeça, lágrimas começando a se formar em seus olhos. "Não é que você não tenha tentado consertar. É que você nunca disse a verdade desde o começo. E agora, eu não sei mais o que é verdade e o que é mentira."

Ela se levantou abruptamente, o guardanapo caindo no chão. "Eu preciso ir."

Rafael tentou segurá-la, mas ela se esquivou. "Isabella, espere!"

"Não há mais nada a dizer, Rafael. Você fez sua escolha. E eu farei a minha." Com isso, ela se virou e saiu do restaurante, deixando um Rafael atônito para trás.

Enquanto se apressava pelas ruas iluminadas da cidade, Isabella sentia um misto de alívio e desespero. Ela havia resistido à farsa, recusado a proposta, mas o preço era o risco de ficar sozinha, de enfrentar a fúria de seu pai e a possibilidade de ter deixado escapar uma chance real de amor. A razão lhe dizia que havia feito a coisa certa, mas o coração chorava pela incerteza e pela dor. O chamado da razão havia vencido, mas a batalha pela sua felicidade estava longe de terminar.

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