O Príncipe das Sombras

Capítulo 13 — A Convocação do Conselho Sombrio

por Valentina Oliveira

Capítulo 13 — A Convocação do Conselho Sombrio

A vitória contra as manifestações sombrias na clareira deixou Helena e Kael mais confiantes, mas também cientes da escalada da ameaça. A Sombra não se manifestava mais apenas nas profundezas da mente de Kael, mas de forma mais ativa e perigosa. Kael sabia que a luta precisava ir além das memórias ancestrais e dos medos individuais. Era hora de enfrentar a fonte da escuridão que afligia seu reino e que agora se estendia para o mundo de Helena.

“A Sombra não age sozinha,” Kael explicou a Helena, enquanto examinavam um mapa antigo, desdobrado sobre uma pedra plana. As linhas finas e os símbolos arcaicos contavam a história de seu reino, de suas fronteiras e dos locais de poder. “Há aqueles que servem à escuridão, que se alimentam do caos e da desordem. Eles formam o que chamamos de Conselho Sombrio. São seres que, em eras passadas, foram corrompidos pela Sombra, perdendo sua própria luz em troca de poder.”

Helena sentiu um arrepio. “Você quer dizer que existem outros como… a Sombra em você?”

“Não exatamente,” Kael corrigiu, seu olhar sério. “A Sombra em mim é um legado, uma força que eu luto para controlar. Mas os membros do Conselho Sombrio escolheram abraçar a escuridão. Eles a veneram, a servem. E agora, eles sentem a nossa união, a nossa força crescente, e a veem como uma ameaça. Eles tentarão nos impedir.”

Ele apontou para um local específico no mapa, marcado com um símbolo que lembravam espinhos entrelaçados. “Este é o Coração da Sombra, o lugar onde o Conselho Sombrio se reúne. É lá que a energia escura é mais concentrada, e é de lá que eles planejam seus ataques. Precisamos ir até lá. Precisamos enfrentá-los.”

Helena sentiu o peso da decisão. A ideia de enfrentar um grupo de seres corrompidos, reunidos em um local de poder sombrio, era aterradora. Mas ela olhou para Kael, para a determinação em seus olhos, e soube que não hesitaria. “Como podemos derrotá-los?” ela perguntou, sua voz surpreendentemente calma. “Se eles se alimentam da escuridão, o que podemos oferecer?”

Kael sorriu, um sorriso que não alcançava totalmente seus olhos, mas que era reconfortante. “A luz, Helena. Sempre a luz. A luz que você carrega, a luz que nós dois compartilhamos. Eles esperam medo, mas encontrarão esperança. Eles esperam ódio, mas encontrarão compaixão. E eles esperam desespero, mas encontrarão a força inabalável do amor.”

Ele a pegou pela mão, e um calor familiar percorreu seus braços. “O juramento de sangue nos uniu. Agora, precisamos que essa união seja vista. Precisamos que a nossa luz brilhe tão intensamente que apague as sombras deles, nem que seja por um momento.”

A jornada para o Coração da Sombra foi árdua e sombria. A paisagem mudou gradualmente, as árvores se tornaram retorcidas e escuras, a terra parecia estéril e desolada. O ar estava impregnado de uma energia pesada, que oprimia a alma. Helena sentia a presença do mal ao seu redor, uma sensação constante de ser observada. Kael, porém, parecia mais em casa, sua armadura negra misturando-se à escuridão, sua presença emanando uma aura de proteção.

Ao chegarem a uma vasta caverna, cuja entrada parecia uma boca aberta na terra, Kael parou. “Estamos perto,” ele sussurrou, sua voz baixa e tensa. “Sinto a energia deles. Eles sabem que estamos aqui.”

Eles adentraram a caverna, guiados apenas pela fraca luz que emanava da armadura de Kael e de uma pequena tocha que Helena carregava. As paredes da caverna pulsavam com uma energia escura, e sombras dançavam nas profundezas, tomando formas ameaçadoras.

No centro da caverna, em uma vasta câmara natural, um círculo de figuras sombrias se reunia. Eram seres de aparências diversas, mas todos emanavam uma aura de malevolência pura. No centro do círculo, uma figura mais alta e imponente, envolta em vestes negras que pareciam absorver toda a luz, pairava acima de um altar de pedra escura.

“Príncipe Kael,” a voz da figura central ecoou, profunda e sibilante, como o arrastar de garras em pedra. “Você se atreve a trazer uma mortal para o nosso santuário? Uma criatura frágil, que não compreende a verdadeira natureza do poder.”

Helena sentiu o olhar penetrante da figura sobre ela, uma sensação de ser sondada, de ter seus medos expostos. Mas ela se manteve firme, de pé ao lado de Kael, seu olhar fixo nos inimigos.

“Eu trago a luz, Mordred,” Kael respondeu, sua voz firme, sem vacilação. “Eu trago a esperança que vocês tentaram extinguir. E esta ‘criatura frágil’, como você a chama, é mais forte do que vocês jamais poderão ser.”

Mordred soltou uma risada rouca e sem humor. “A força do amor? Uma ilusão para os fracos. O poder real reside na escuridão, na capacidade de dominar, de destruir. E você, Kael, está destinado a servir a essa escuridão, assim como nós.”

Um dos membros do Conselho, um ser com olhos que brilhavam como brasas, deu um passo à frente. “O juramento de sangue! Eu sinto a conexão entre você e a mortal. Um vínculo profano, que enfraquece sua linhagem e o torna vulnerável.”

“É um vínculo de amor,” Helena declarou, sua voz ecoando pela caverna. “E o amor é a força mais poderosa que existe. Ele não enfraquece, ele fortalece.”

Mordred levantou uma mão, e a energia escura na caverna se intensificou. As sombras se agitaram, e formas espectrais começaram a se materializar ao redor deles. Era um ataque mental, uma projeção de seus piores medos. Helena viu flashes de sua família em perigo, de Kael sucumbindo à Sombra, de seu mundo sendo consumido pela escuridão.

Mas Kael agarrou sua mão com firmeza. “Não ceda, Helena! Lembre-se do juramento. Lembre-se do nosso amor.”

Helena fechou os olhos por um instante, respirando fundo. Ela se concentrou na sensação da mão de Kael em sua, na força que emanava dele, em todo o amor que eles compartilhavam. E então, ela abriu os olhos, e uma luz suave começou a emanar de seu corpo, expandindo-se pela caverna.

A luz de Helena atingiu as sombras que os rodeavam, fazendo com que elas recuassem, sibilando de dor. A energia escura na caverna diminuiu, e o ataque mental foi quebrado.

“Impossível!” Mordred exclamou, sua voz agora tingida de surpresa e raiva. “Como uma mera mortal pode possuir tal luz?”

“Ela não é mera mortal,” Kael disse, sua voz ecoando com autoridade. “Ela é a guardiã da luz, a esperança que sempre existiu, mesmo nas horas mais sombrias. E juntos, nós somos invencíveis.”

Os membros do Conselho Sombrio começaram a murmurar entre si, a confiança diminuindo. A luz de Helena e a determinação de Kael estavam abalando os alicerces de seu poder.

Mordred, vendo seu domínio ser ameaçado, ergueu a mão em um gesto de fúria. “Não importa! Vocês não podem deter o avanço da escuridão para sempre!”

Mas Kael já estava se movendo. Com um grito de guerra, ele avançou, sua espada brilhando com uma luz intensa, não de destruição, mas de purificação. Os membros do Conselho Sombrio, apavorados com a força que ele emanava, começaram a se dispersar, desaparecendo nas profundezas da caverna. Mordred, sozinho no centro, lançou um olhar de puro ódio para Kael e Helena, antes de se virar e desaparecer em uma nuvem de fumaça negra.

A caverna ficou em silêncio, a energia escura dissipada. A luz de Helena ainda brilhava suavemente, iluminando o caminho de volta. Kael se virou para ela, seus olhos azuis cheios de admiração e amor.

“Você nos salvou, Helena,” ele disse, sua voz embargada. “Sua luz… ela é a chave.”

Helena sorriu, exausta, mas vitoriosa. “Nós nos salvamos, Kael. Juntos.”

Eles deixaram a caverna, o Coração da Sombra agora um lugar de silêncio e vazio. A ameaça do Conselho Sombrio havia sido neutralizada por enquanto, mas ambos sabiam que essa era apenas uma batalha em uma guerra muito maior. A Sombra ainda espreitava, e Mordred certamente retornaria. Mas agora, eles tinham a certeza de que, unidos, eram capazes de enfrentar qualquer escuridão.

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