O Príncipe das Sombras

Capítulo 14 — O Sacrifício da Guardiã e a Promessa de Retorno

por Valentina Oliveira

Capítulo 14 — O Sacrifício da Guardiã e a Promessa de Retorno

O retorno do Coração da Sombra foi agridoce. A vitória contra Mordred e seu conselho trouxe um alívio temporário, mas a batalha deixara marcas profundas. Helena sentia uma fraqueza incomum, como se parte de sua energia vital tivesse sido drenada na caverna escura. Kael, por sua vez, lutava para manter a Sombra sob controle, que parecia mais agitada após o confronto.

Na clareira, sob a luz suave da lua, Helena tossiu, um som fraco que alarmou Kael. Ele se virou, seu rosto marcado pela preocupação.

“Helena? Você está bem?” ele perguntou, aproximando-se dela, seus olhos azuis penetrando os dela em busca de respostas.

“Sim… apenas um pouco cansada,” ela respondeu, forçando um sorriso, mas a palidez de sua pele e a fadiga em seus olhos não enganavam Kael.

“Não, você não está,” ele disse, a voz tensa. Ele tocou seu rosto, sentindo o calor febril que a envolvia. “O que aconteceu na caverna? A luz que você emanou… foi poderosa, mas exigiu um preço. Eu sinto isso.”

Helena suspirou, sentando-se em um tronco caído. “Eu não sei, Kael. Era como se eu estivesse me esvaziando, mas precisava continuar. Precisava que a nossa luz fosse mais forte que a escuridão deles.”

Kael sentou-se ao lado dela, envolvendo-a em seus braços. Ele podia sentir a fragilidade dela, a energia vital que parecia estar se esvaindo lentamente. Seus próprios poderes de cura, geralmente potentes, pareciam insuficientes diante da força da energia sombria que havia sido utilizada por Helena.

“A Sombra… ela tem uma maneira de se alimentar da luz mais pura,” Kael murmurou, o desespero começando a tomar conta de sua voz. “O sacrifício que você fez… foi imenso. E a Sombra, por mais que tenhamos a repelido, sentiu a sua fragilidade.”

Dias se transformaram em semanas. A saúde de Helena piorava a cada dia. Ela ficava mais fraca, sua respiração mais superficial. Kael passava noites em claro ao seu lado, tentando de todas as formas reverter o processo, usando todo o seu conhecimento ancestral, mas nada parecia funcionar. A Sombra, que antes lutava para ser contida, agora parecia se fortalecer com a fraqueza de Helena, como um predador sentindo a presa vulnerável.

Em uma tarde chuvosa, enquanto as gotas batiam suavemente contra as folhas, Helena abriu os olhos e olhou para Kael, que estava sentado ao lado de sua cama improvisada. Havia uma serenidade em seu olhar, uma aceitação que cortou o coração de Kael como uma faca.

“Kael,” ela sussurrou, sua voz quase inaudível. “Eu sei que você está lutando. Eu sinto isso. Mas… não há mais nada que possamos fazer.”

“Não diga isso, Helena!” Kael implorou, pegando sua mão pálida e fria. “Eu não vou desistir de você. Eu jurei! O juramento de sangue… ele nos une para sempre.”

“E ele nos une para sempre, meu amor,” Helena disse, apertando levemente sua mão. “Mesmo que nossos caminhos se separem aqui. Você me deu mais amor e felicidade do que eu jamais imaginei. Você me mostrou quem eu sou. E eu não me arrependo de nada.”

Lágrimas rolavam livremente pelo rosto de Kael. Ele nunca havia se sentido tão impotente. Ele, o príncipe das sombras, o guerreiro que enfrentava as trevas, não conseguia salvar a luz que o guiava.

“Se a Sombra se alimenta da luz mais pura,” Helena continuou, sua voz ganhando um tom de determinação, “talvez haja uma maneira. Talvez eu precise dar o que ela mais quer, para que ela te liberte. Para que você possa seguir em frente e cumprir o seu destino.”

“Um sacrifício?” Kael exclamou, horrorizado. “Você não pode falar assim! Eu prefiro perecer com você do que viver sem você!”

“Não, Kael,” ela disse, sua voz ficando mais forte por um breve momento. “Você não vai perecer. Você vai viver. Você vai ser o rei que o seu povo precisa. Você vai banir a Sombra de vez. E você me honrará vivendo plenamente.”

Ela fechou os olhos por um momento, concentrando o que restava de sua energia. Quando os abriu novamente, seus olhos brilhavam com uma luz intensa, semelhante à que ela havia emanado na caverna, mas agora com uma doçura e uma melancolia avassaladoras.

“Eu vou me entregar à Sombra, Kael,” ela disse, sua voz agora firme, como um último suspiro de força. “Eu vou ser o sacrifício que ela anseia. E quando ela me consumir, você estará livre. Livre para ser você mesmo, sem o fardo de me perder, sem a Sombra se alimentando da minha luz.”

“NÃO!” Kael gritou, abraçando-a com toda a sua força. “Eu nunca vou permitir isso! Você é a minha luz, Helena! Eu não quero ser livre sem você! Eu quero lutar com você!”

“Você lutou por mim,” Helena sussurrou, acariciando seu rosto com a mão frágil. “E você venceu. Agora, eu preciso lutar pela sua liberdade. Pela sua vida. Lembra-se do nosso juramento de sangue? Ele não era apenas sobre nos unirmos, mas sobre nos protegermos. E este é o meu sacrifício para protegê-lo.”

Ela reuniu suas últimas forças e tocou a testa de Kael. Uma onda de energia suave, mas poderosa, emanou dela, e Kael sentiu uma clareza repentina, como se um véu tivesse sido retirado de sua mente. A Sombra dentro dele pareceu recuar, como se tivesse recebido o que desejava, mas de uma forma inesperada.

“A Sombra agora tem o que quer,” Helena disse, sua voz sumindo. “E você… você está livre. Livre para amar, livre para viver. E livre para se lembrar de mim. Lembrar-se do nosso amor. E nunca, jamais, deixar que a escuridão o consuma.”

Seus olhos se fecharam lentamente. A luz em seu olhar se apagou, e seu corpo, antes frágil, pareceu ficar ainda mais leve. Helena, a guardiã da luz, o amor de sua vida, havia partido.

Kael ficou ali, segurando-a, o mundo desmoronando ao seu redor. A dor era insuportável, um abismo de desespero que ameaçava engoli-lo. Mas então, ele se lembrou das últimas palavras dela. Livre para viver. E livre para se lembrar de mim.

Ele fechou os olhos, não para se entregar à escuridão, mas para honrar sua memória. Ele sentiu a Sombra dentro de si, mas agora ela parecia diferente, mais contida, quase adormecida. Ela tinha recebido o que queria, mas não da forma que esperava. O sacrifício de Helena não a havia fortalecido, mas a havia confundido, deixando-a em um estado de letargia temporária.

Quando Kael abriu os olhos novamente, o sol estava começando a nascer, pintando o céu de tons rosados e dourados. Era o amanhecer de um novo dia, um dia que ele teria que viver sem Helena. Mas ele não o faria em desespero. Ele o faria com a força dela, com o amor dela, e com a promessa de que um dia, ele encontraria uma maneira de trazê-la de volta. A guerra contra a Sombra não estava perdida. Estava apenas começando, e agora, Kael lutaria com a memória dela como sua guia, e com a promessa de seu retorno como sua esperança.

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