O Príncipe das Sombras

Claro! Prepare-se para mergulhar nas profundezas de "O Príncipe das Sombras", onde o amor, a traição e a esperança se entrelaçam em uma narrativa vibrante.

por Valentina Oliveira

Claro! Prepare-se para mergulhar nas profundezas de "O Príncipe das Sombras", onde o amor, a traição e a esperança se entrelaçam em uma narrativa vibrante.

Capítulo 16 — A Fagulha na Escuridão Eterna

O ar na Câmara dos Anciãos estava pesado, denso com a fumaça acre dos incensos e o cheiro metálico de sangue seco. Lorde Valerius, o Grande Conselheiro, mantinha a postura impecável, os olhos perscrutando cada sombra que dançava nas paredes de obsidiana. Ao seu lado, a Rainha Lyra, com o semblante pálido e a dignidade ferida, observava a cena com uma angústia contida que ameaçava romper sua armadura de realeza. O corpo de sua filha, a Princesa Elara, jazia envolto em panos de seda negra, um espetáculo sombrio que contrastava com a glória outrora vibrante de seu semblante. O ritual de sacrifício fora concluído, um preço terrível pago pela sobrevivência do reino, mas o silêncio que se seguiu era mais ensurdecedor do que qualquer grito de dor.

"A profecia se cumpriu", a voz de Valerius ecoou, rouca como um sussurro de cemitérios. "Elara nos salvou. Sua essência divina se fundiu com o Véu Sombrio, selando as fendas que ameaçavam consumir nosso mundo."

Lyra apertou os punhos, as unhas cravando-se nas palmas de suas mãos. "Salvou-nos? A que custo, Valerius? Minha filha… meu sol… entregue à escuridão que ela tanto temia." A dor em sua voz era um lamento genuíno, capaz de fazer as pedras da câmara chorarem. Ela se ajoelhou ao lado do corpo, os dedos tremendo ao tocar a frieza da seda. Lembrou-se dos risos de Elara, do brilho em seus olhos quando falava de flores e do céu azul, um contraste gritante com a eterna noite que agora a envolvia.

"O sacrifício era inevitável, Majestade", insistiu Valerius, seu tom firme, mas com uma nuance de compaixão que Lyra, em seu luto, mal conseguia registrar. "A Guardiã cumpriu seu dever. O Rei das Sombras, Atheron, foi contido. Ele não pode mais lançar sua influência sobre nós."

Um murmúrio de alívio percorreu os poucos conselheiros presentes, homens e mulheres de rostos marcados pelo tempo e pela responsabilidade. Mas para Lyra, o alívio era um conceito distante, ofuscado pela perda insuportável. Ela fechou os olhos, tentando desesperadamente conjurar a imagem de Elara, não a noiva do véu sombrio, mas a menina vibrante que corria pelos jardins do palácio.

"E Atheron?", perguntou Lyra, a voz embargada, mas com um fio de esperança teimosa. "Onde ele está agora? Ele foi verdadeiramente derrotado?"

Valerius hesitou. "Seu poder foi contido. Ele está aprisionado nas profundezas do Submundo, um reino de sombras eternas. Mas sua essência… Atheron é um ser antigo, Majestade. A derrota completa é um conceito elusivo para sua natureza."

"Elusivo?", Lyra repetiu, sentindo um arrepio percorrer sua espinha. "Isso quer dizer que ele pode retornar?"

"O sacrifício de Elara o manteve selado. Sua alma, agora parte do Véu, serve como a barreira final. Mas a força do Véu pode ser testada. A escuridão nunca dorme, Majestade. Ela sempre busca uma brecha."

Lyra se levantou, a determinação substituindo a dor em seus olhos. "Então, meu sacrifício não foi o fim. Foi um começo." Ela se virou para Valerius, a Rainha renascendo da mãe enlutada. "Se Elara selou Atheron com sua essência, então sua essência ainda existe. E se sua essência ainda existe, então ela não pode estar completamente perdida."

Valerius a olhou com surpresa, e então com uma centelha de admiração. "Majestade, o que está insinuando?"

"Estou insinuando que minha filha não se deixou consumir por completo", disse Lyra, a voz ganhando força. "Ela era forte. Ela era corajosa. E eu a conheço melhor do que ninguém. Há uma parte dela que ainda resiste. Uma fagulha de sua luz que Atheron não conseguiu apagar."

Os conselheiros trocaram olhares apreensivos. A rainha estava falando em termos que beiravam a heresia, desafiando a finalidade do ritual sagrado.

"A profecia diz que o sacrifício selaria o Rei das Sombras, não que o destruiria", disse um dos conselheiros, um homem idoso com uma barba grisalha e olhos cansados. "Mas a essência da Princesa Elara, agora parte do Véu… o que pode ser feito?"

"Não podemos reverter o sacrifício", Valerius declarou, firme. "Seria profanar o ato e libertar Atheron imediatamente. A alma da Princesa Elara está entrelaçada com a própria estrutura do Véu Sombrio. Seria como tentar separar uma gota de água do oceano."

Lyra caminhou até uma das grandes janelas de obsidiana, observando a paisagem noturna de seu reino, um mar de sombras pontilhado por luzes fracas. "Então, não tentaremos reverter. Tentaremos alcançar. Se Elara está no Véu, eu encontrarei um caminho para alcançá-la. Se sua essência ainda vive, eu a despertarei."

"Mas como, Majestade?", questionou Valerius, a preocupação em sua voz genuína. "O Véu Sombrio é um lugar de desespero e esquecimento. As almas que se fundem a ele perdem sua identidade, seu eu. A Princesa Elara se tornaria uma com a escuridão."

"Nem todas as almas sucumbem, Valerius. A sua alma, por exemplo, é de uma força incomum", Lyra disse, virando-se para ele, um brilho de desafio nos olhos. "Lembro-me de histórias que você contou sobre as fronteiras do Véu, sobre os ecos de almas perdidas que ainda sussurram no vazio. Se há um eco, há uma memória. Se há uma memória, há uma essência."

Um silêncio tenso pairou na câmara. A rainha estava propondo uma jornada ao desconhecido, um ato de fé e desespero que desafiava toda a lógica.

"Eu irei atrás dela", Lyra declarou, a voz ressoando com uma resolução inabalável. "Se Elara deu sua vida para nos salvar, eu darei a minha para resgatá-la. Encontrarei um caminho para o Véu. E trarei minha filha de volta."

Valerius se aproximou, seu olhar fixo no dela. "Majestade, é uma busca perigosa. O Véu Sombrio não tolera os vivos. Os poucos que ousaram adentrar suas profundezas nunca retornaram. E você estaria entrando em um território onde Atheron é o senhor."

"Eu não tenho medo", Lyra respondeu, a força em sua voz uma arma em si mesma. "O amor de uma mãe é mais forte que qualquer escuridão. E se minha filha me deu a vida, eu a recuperarei. Prometo." Ela ergueu o olhar para o teto da câmara, como se estivesse falando com as estrelas invisíveis. "Elara, minha filha, eu vou te encontrar. Eu vou te trazer para casa."

O sol começava a nascer, pintando o céu de tons rosados e dourados, um espetáculo que parecia zombar da escuridão que havia engolido a princesa. Mas na Rainha Lyra, uma nova luz havia se acendido, uma fagulha de esperança que prometia desafiar a escuridão eterna.

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