O Príncipe das Sombras

Capítulo 8 — A Travessia pelas Montanhas Gélidas

por Valentina Oliveira

Capítulo 8 — A Travessia pelas Montanhas Gélidas

O amanhecer em Vila Encantada era sempre um espetáculo de cores suaves e promessas de um novo dia. Mas para Helena, aquele amanhecer tinha um tom de despedida. A bagagem estava pronta, o cavalo preparado. Victor a aguardava nos portões da propriedade, sua figura imponente envolta em um manto escuro que parecia absorver a luz da manhã. Rael, com sua armadura reluzente e um olhar atento, já estava montado, pronto para liderar a expedição.

Dona Clara e Seu Joaquim, os pais adotivos de Helena, estavam ali, os olhos marejados. Dona Clara abraçou Helena com força.

"Minha flor, vá com cuidado. Lembre-se de tudo que conversamos. Proteja seu coração, mas não se esqueça de sua força", disse ela, a voz embargada.

Seu Joaquim colocou a mão no ombro de Helena. "Se cuide, minha filha. E você, Victor, cuide dela. Ela é o nosso bem mais precioso."

Victor assentiu, o olhar fixo em Helena. "Eu a protegerei, senhor Joaquim. Com minha própria vida."

Helena sentiu um nó na garganta. A saudade da segurança de sua casa já a apertava, mas a determinação de seguir em frente era maior. Ela se virou para seus pais, um sorriso triste no rosto.

"Eu voltarei logo. E trarei boas notícias."

Montaram em seus cavalos e partiram, deixando para trás a familiaridade da Vila Encantada e se dirigindo para o desconhecido. A estrada que levava às montanhas era árdua e repleta de perigos. Rael liderava o caminho com destreza, enquanto Victor e Helena seguiam lado a lado, seus olhares trocando palavras silenciosas de apoio e amor.

À medida que avançavam, o cenário mudava drasticamente. As colinas verdejantes deram lugar a picos rochosos e a vegetação foi se tornando escassa. O ar ficou mais frio, e o vento, mais cortante. Helena, acostumada ao clima ameno de Vila Encantada, sentia o frio penetrar em seus ossos. Victor percebeu o desconforto dela e, sem dizer uma palavra, tirou seu próprio manto e a envolveu com ele.

"É melhor?", perguntou ele, a voz suave, mas firme.

Helena sorriu, grata. "Muito melhor. Obrigada, Victor."

Os dias se transformaram em uma luta constante contra os elementos. A paisagem era de uma beleza selvagem e implacável. Picos nevados se erguiam contra o céu cinzento, e vales profundos, repletos de sombras, pareciam engolir a luz. O frio era excruciante, e a comida escasseava. Mas a cada desafio superado, o vínculo entre Helena e Victor se fortalecia. Eles compartilhavam o pouco que tinham, aqueciam um ao outro em noites gélidas, e consolavam-se mutuamente quando o cansaço e o desespero ameaçavam tomar conta.

Uma noite, acampados em uma caverna que oferecia um abrigo precário, Victor observou Helena enquanto ela dormia. A luz fraca da fogueira projetava sombras suaves em seu rosto. Ele sentiu uma pontada de medo. Era ele quem deveria protegê-la, mas naquele momento, era ela quem parecia trazer a luz para sua vida. Se algo acontecesse com ela, ele não sabia se conseguiria suportar.

"Você está pensando muito, meu senhor", disse Rael, surgindo das sombras. Ele havia se tornado uma presença quase constante, um guardião silencioso.

"Estou preocupado com Helena", confessou Victor. "Ela não está acostumada a isso. E se ela não resistir?"

Rael sentou-se ao lado dele, olhando para a fogueira. "A dama é mais forte do que aparenta. Ela tem um espírito resiliente. E o amor que ela sente por você… isso é uma força poderosa, meu senhor. Mais poderosa que qualquer frio ou qualquer perigo."

Victor assentiu, um raio de esperança iluminando seu rosto. "Você tem razão, Rael. O amor dela me dá força. E o meu amor por ela… me faz querer ser um homem melhor. Um homem digno dela."

Na manhã seguinte, o tempo piorou drasticamente. Uma nevasca feroz os atingiu em cheio, reduzindo a visibilidade a quase zero. O vento uivava com fúria, e os flocos de neve se acumulavam rapidamente, ameaçando soterrá-los.

"Precisamos encontrar abrigo!", gritou Rael, lutando contra o vento. "A nevasca está ficando mais forte!"

Victor pegou a mão de Helena. "Venha! Precisamos nos mover!"

Eles cavalgavam às cegas, o frio penetrando suas roupas, a neve cegando seus olhos. Helena tossia, o ar rarefeito dificultando sua respiração. Victor a segurou com firmeza, guiando seu cavalo com a força de seu próprio corpo.

De repente, o chão cedeu sob eles. Helena gritou quando seu cavalo perdeu o equilíbrio e caiu em uma ravina coberta de neve. Victor, em um reflexo rápido, se jogou de seu cavalo, tentando segurar Helena. Ele a alcançou no último instante, mas a queda foi brutal.

Quando a neve parou de cair e o silêncio tomou conta, Victor se levantou com dificuldade, o corpo dolorido. Ele procurou por Helena na neve.

"Helena! Helena, você está bem?", gritou ele, o pânico em sua voz.

Ele a encontrou a poucos metros de distância, caída na neve, imóvel. Seu coração parou. Ele correu até ela, ajoelhando-se ao seu lado. O rosto dela estava pálido, os lábios azuis. Ela não se mexia.

"Helena!", ele a sacudiu gentilmente. "Por favor, acorde!"

Rael se aproximou, o rosto sombrio. Ele examinou Helena. "Ela está viva, meu senhor. Mas está muito fria. E parece ter batido a cabeça na queda. Precisamos tirá-la daqui e encontrar um lugar quente."

Com um esforço hercúleo, Victor e Rael conseguiram tirar Helena da neve e levá-la para uma pequena fenda nas rochas que parecia oferecer algum refúgio. Eles a cobriram com todos os mantos que tinham, acenderam uma pequena fogueira com galhos secos que Rael encontrou, e Victor a abraçou com força, tentando transmitir o calor de seu corpo para o dela.

Horas se passaram. A nevasca continuava a rugir lá fora, mas dentro da pequena fenda, o calor da fogueira e o abraço de Victor traziam um pouco de conforto. Helena começou a se mexer, gemendo baixinho.

"Victor…", ela sussurrou, abrindo os olhos lentamente.

Victor a apertou com mais força. "Helena! Graças aos deuses, você acordou! Eu pensei que tivesse te perdido."

"Eu… eu estou com frio", disse ela, tremendo.

"Eu sei, meu amor. Mas você está segura agora. Estamos seguros." Victor beijou sua testa, sentindo o calor voltar lentamente à pele dela.

"Onde… onde estamos?", perguntou Helena, a voz fraca.

"Em uma caverna. A nevasca nos atingiu forte. Mas nós vamos ficar aqui até que passe. E então, continuaremos nossa busca."

Naquele momento, escondido nas profundezas da montanha, um antigo guardião de pedra, com olhos que brilhavam com uma luz azulada, observou a cena. Ele sentiu a força do amor que unia Victor e Helena, e o desespero que os envolvia. Ele também sentiu a pureza do coração de Helena. Talvez, apenas talvez, eles fossem dignos.

Os dias seguintes foram de recuperação. Helena, enfraquecida, mas determinada, se recuperava lentamente. Victor não a deixava sozinha, cuidando dela com uma ternura que desarmava sua própria armadura de príncipe sombrio. Rael, incansável, providenciava comida e mantinha a fogueira acesa.

Finalmente, a nevasca diminuiu, e o sol, tímido, apareceu entre as nuvens. A paisagem estava transformada, coberta por um manto branco e reluzente.

"A tempestade passou", disse Rael, olhando para fora. "E o céu está limpo. Se meus cálculos estiverem corretos, o templo que buscamos deve estar ali, além daquele pico."

Victor ajudou Helena a se levantar. Ela ainda estava fraca, mas seu olhar era firme. "Estamos prontas", disse ela.

Eles saíram da caverna e, sob o céu azul cristalino, avistaram o pico nevado que Rael apontara. No topo, parcialmente escondido pela neve, um antigo templo de pedra se erguia, emanando uma aura de poder ancestral. Era o Templo da Luz.

A jornada até lá seria árdua, mas eles estavam juntos. O frio, a neve, a queda… tudo isso parecia insignificante diante da esperança que agora brilhava intensamente em seus corações. Eles estavam mais perto do Cristal da Luz, e mais perto de quebrar a maldição que os assombrava. A luz começava a despontar nas montanhas gélidas.

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