Corações Partidos

Capítulo 17 — Nas Sombras da Corrupção e a Verdade Revelada

por Isabela Santos

Capítulo 17 — Nas Sombras da Corrupção e a Verdade Revelada

O endereço que Clara havia passado levava Marina a um prédio imponente na Barra da Tijuca, um labirinto de concreto e vidro que refletia a ostentação e o poder. O Dr. Almeida, segundo os boatos, era um advogado renomado, conhecido por sua discrição e por defender clientes de reputação duvidosa. Marina sabia que a chance de se infiltrar em seu escritório seria pequena, mas a urgência da situação a impelia. Rafael corria um perigo iminente, e ela não podia permitir que a armadilha de Sofia se fechasse.

Marina estacionou o carro a algumas quadras de distância e decidiu se aproximar a pé. O crepúsculo pintava o céu com tons alaranjados e roxos, mas a atmosfera ao redor do prédio era fria e impessoal. Ela observou a entrada principal, os seguranças atentos, as câmeras de vigilância. Uma abordagem direta seria suicídio. Precisava de um plano.

Lembrou-se de um antigo contato de Rafael, um hacker talentoso que ele havia ajudado no passado. Em troca, ele se tornara um aliado, sempre disposto a oferecer seus serviços. Marina pegou o celular, o coração batendo forte. Ligou para ele.

“Leo, sou eu, Marina. Preciso de um favor urgente. Preciso de acesso a um sistema. O sistema de segurança de um escritório de advocacia na Barra. Endereço: [endereço que Clara forneceu]. É sobre o Dr. Almeida.”

Leo, a voz sempre calma e profissional, respondeu prontamente. “Dr. Almeida, hm? Tenho um pouco de informação sobre ele. Um sujeito com muitos esqueletos no armário. Posso tentar. Preciso de quanto tempo?”

“O mais rápido possível, Leo. Sofia está planejando algo contra Rafael. Ouvi dizer que ela se encontra com Almeida amanhã à noite. Preciso de gravações, de qualquer coisa que possa provar a armação dela. Documentos, conversas… o que você puder conseguir.”

“Entendido. Vou começar a trabalhar nisso. Deixe-me alguns minutos para investigar as vulnerabilidades. Mais tarde, te passo um acesso temporário para uma câmera específica, ou talvez para os arquivos do servidor. Mas você terá que ser muito cuidadosa, Marina. Invadir um sistema como esse pode ser perigoso.”

“Eu sei. E te devo muito, Leo.”

“Não se preocupe com isso. Só me diga quando tiver algo. E lembre-se: discrição é a chave. Não deixe que eles te vejam, não deixe que te escutem.”

Marina agradeceu e desligou. Sentou-se em um banco próximo, observando o prédio, sentindo a adrenalina percorrer suas veias. A cada minuto que passava, a imagem de Rafael, em uma cela fria, a assombrava. Ela precisava ser forte, precisava ser inteligente.

As horas se arrastaram. Leo manteve contato, enviando atualizações sobre seu progresso. Ele descobriu que o Dr. Almeida realmente recebia clientes em seu escritório em horários não convencionais, e que uma sala específica, a sala de reuniões principal, possuía um sistema de gravação de áudio e vídeo de última geração. O problema era o acesso a essas gravações.

“Consegui um acesso temporário à sala de reuniões, Marina”, Leo enviou em uma mensagem. “Consegui desativar o alarme de presença por uma hora. Você terá que estar lá e ser rápida. A câmera é discreta, embutida no teto. O microfone também. Eles não vão notar. Mas você tem que entrar e sair sem ser vista. E o que você coletar, eu consigo baixar remotamente.”

O plano era arriscado. Marina teria que entrar no prédio, encontrar a sala de reuniões e esperar que a porta se abrisse para que ela pudesse entrar sorrateiramente, sem ser detectada. A vigilância do prédio era intensa.

Na manhã seguinte, Marina voltou ao local. Desta vez, ela se disfarçou, usando um boné, óculos escuros e roupas neutras. Ela se misturou à multidão de pessoas que entravam e saíam do prédio, observando os horários de troca dos seguranças, os padrões de movimento. Ela esperou por horas, o nervosismo crescendo a cada instante.

Por volta das 19h, ela viu Sofia chegar. Vestida com um tailleur impecável, o rosto impassível, ela entrou no prédio e seguiu direto para o elevador privativo que levava aos escritórios de Almeida. Momentos depois, um homem de terno escuro, que Marina supôs ser o Dr. Almeida, também se dirigiu para a mesma direção.

“Agora é a minha chance”, Marina murmurou para si mesma, o coração disparado.

Ela se aproximou da porta do elevador no momento em que outra pessoa, um funcionário apressado, saiu, deixando a porta entreaberta por um breve instante. Marina se esgueirou para dentro, apertando o botão do andar de Almeida. A viagem foi tensa, cada segundo parecendo uma eternidade. Ao chegar, ela saiu discretamente, usando o mapa mental que Leo havia enviado para guiá-la pelos corredores silenciosos.

A sala de reuniões era luxuosa, com uma grande mesa de mogno no centro, poltronas de couro e um sistema de projeção moderno. Marina se escondeu atrás de uma cortina pesada, observando a porta. O tempo estava correndo.

Pouco depois, a porta se abriu e Sofia entrou, seguida por Dr. Almeida. Marina sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Ver Sofia tão perto, tão confiante, era perturbador.

“Almeida, você tem certeza de que tudo está pronto?”, Sofia perguntou, a voz fria e calculista.

“Absolutamente, Sra. Sofia. Os documentos estão todos preparados. Os depoimentos falsos, assinados e autenticados. A denúncia será formalizada amanhã. Ele não terá como se defender. O desfalque é substancial, e as provas, incontestáveis.”

Marina apertou os punhos, a raiva borbulhando em seu interior. Tão perto. Tão perto de ouvir a verdade, a confissão de Sofia.

“E a Marina? Ela está sob controle?”, Almeida perguntou, um sorriso cruel nos lábios.

“Ela acredita que está livre. Acredita que me enganou. Mas ela está mais presa do que nunca. Sem Rafael, ela não é nada. E quando ele for preso, ela desmoronará. É a vingança perfeita.” Sofia riu, um som gélido que fez Marina se encolher.

“É um plano brilhante, Sra. Sofia. E o meu pagamento será em dobro quando tudo estiver concluído.”

“Claro. Você receberá cada centavo. E mais um bônus quando a prisão for efetuada.”

Marina sentiu as lágrimas brotarem em seus olhos, mas não de tristeza, e sim de ódio. Ela gravava tudo com o pequeno gravador que Leo havia adaptado para ela. Cada palavra de Sofia, cada detalhe da armação, era uma prova inegável.

A conversa continuou por mais alguns minutos, com Sofia dando instruções detalhadas a Almeida sobre como proceder. Marina se manteve imóvel, a respiração suspensa, rezando para que eles não a descobrissem.

Finalmente, a reunião terminou. Sofia e Almeida se levantaram e saíram da sala. Assim que a porta se fechou, Marina emergiu de seu esconderijo. Correu para o centro da sala, ativando o modo de download em seu celular. Leo já estava preparado.

“Leo, consegui. Tenho tudo. As gravações de áudio e vídeo. Consegue baixar?”

“Estou baixando agora, Marina. Devo ter tudo em menos de cinco minutos. Você precisa sair daí. Agora.”

Marina correu para fora da sala de reuniões, o coração disparado. Ela refazou o caminho de volta, a adrenalina a impulsionando. Cada corredor parecia mais longo, cada som a fazia sobressaltar. Ela conseguiu chegar à saída sem ser vista, o alívio a inundando quando se viu do lado de fora do prédio.

Sentou-se em seu carro, as mãos tremendo enquanto dirigia para longe. Ela tinha as provas. A verdade havia sido revelada, desenterrada das sombras da corrupção e da maldade. Sofia estava prestes a ter seu jogo virado contra ela. E Rafael… Rafael estava mais perto da liberdade do que nunca.

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