Corações Partidos

Capítulo 6

por Isabela Santos

Absolutamente! Prepare-se para mergulhar de volta no turbilhão de emoções de "Corações Partidos". Aqui estão os próximos cinco capítulos, repletos de paixão, drama e os dilemas que assolam nossos personagens.

Capítulo 6 — O Beijo Roubado e a Revelação Inesperada

O ar rarefeito da noite, impregnado com o perfume adocicado das acácias em flor, parecia cúmplice da tensão que pairava entre Clara e Rafael. A festa de inauguração da galeria de arte de Marcos, embora vibrante e repleta de burburinho social, tornara-se um cenário de silêncios eloquentes e olhares que diziam mais que mil palavras. Clara, com o vestido azul-noite que realçava a pele alva e os olhos marejados de uma melancolia não expressa, sentia o peso da presença de Rafael a poucos metros de distância. Ele, com seu terno impecável e o sorriso polido que raramente alcançava a profundidade de seus olhos, parecia um predador atento, cada movimento calculado.

Ela tentava se concentrar nas obras expostas, nas cores vibrantes que pareciam zombar da sua própria palidez interior, mas sua atenção era magneticamente atraída para ele. Rafael, por sua vez, observava-a de um canto estratégico, disfarçando sua fixação com conversas aparentemente casuais com outros convidados. Cada vez que os olhares deles se cruzavam, uma corrente elétrica percorria Clara, fazendo seu coração disparar em um ritmo desgovernado. Era a dança perigosa que eles vinham travando desde o reencontro, um flerte velado, carregado de um passado que se recusava a ser enterrado.

Marcos, o anfitrião, um homem de modos refinados e um sorriso que escondia uma ambição voraz, circulava entre os convidados, garantindo que tudo estivesse perfeito. Ele lançava olhares furtivos para Clara, um misto de orgulho e possessividade em seus olhos escuros. Sabia que ela era a joia rara, o troféu que validava seu sucesso, mas algo na serenidade forçada de Clara o incomodava. Era como se uma bruma invisível a envolvesse, e ele, apesar de todos os seus esforços, não conseguisse dissipá-la.

De repente, em um movimento rápido e quase imperceptível, Rafael se aproximou de Clara. Ela estava parada diante de uma escultura abstrata, o reflexo das luzes dançando em seus olhos.

“Você parece longe, Clara”, ele sussurrou, a voz rouca e perigosamente próxima.

Clara sobressaltou-se, virando-se bruscamente. O choque de seus corpos, o leve roçar dos braços, pareceu incendiar o ar entre eles.

“Rafael… você me assustou”, ela respondeu, a voz um pouco trêmula. Tentou se afastar, mas ele segurou seu pulso delicadamente.

“Desculpe. Mas não pude deixar de notar seu olhar perdido. Algo a incomoda?”, a pergunta era genuína, mas a forma como ele a olhava, tão intensamente, a desarmava.

“Não é nada. Só estou um pouco… cansada”, ela mentiu, desviando o olhar para a multidão.

Rafael sorriu, um sorriso que não chegava aos olhos. “Cansada? Ou talvez apenas se lembrando de tempos mais simples?” Ele se inclinou um pouco mais, seu hálito quente em sua pele. “Tempos em que a única coisa que importava era… nós?”

O coração de Clara deu um salto. A ousadia dele a pegou de surpresa. Ele estava brincando com fogo, e ela sabia que se não tivesse cuidado, se deixaria queimar.

“Rafael, por favor. Estamos em uma festa”, ela sussurrou, tentando manter a compostura.

Mas Rafael não estava mais brincando. Seus olhos fixaram-se nos dela, e neles Clara viu a mesma paixão avassaladora que um dia a consumira. Um desejo contido, uma saudade que parecia transbordar. Num impulso, quase sem controle, ele levou a mão ao rosto dela, acariciando sua bochecha com o polegar.

“Clara… eu não consigo”, ele murmurou, a voz embargada pela emoção. “Não consigo fingir que não te vejo, que não te quero. Não agora, não mais.”

E então, antes que Clara pudesse reagir, antes que pudesse sequer pensar em se afastar, Rafael a beijou. Um beijo roubado, urgente, que explodiu na quietude da noite. Foi um beijo que falava de anos de saudade, de sentimentos reprimidos, de uma paixão que se recusava a morrer. Clara sentiu suas pernas fraquejarem, sua mente girar. Por um instante, esqueceu Marcos, esqueceu tudo. Era apenas Rafael, o toque de seus lábios, o calor de seu corpo.

O beijo foi interrompido por uma voz irritada e familiar.

“Rafael! O que você pensa que está fazendo?”

Era Marcos. Seus olhos, antes polidos, agora faiscavam de raiva contida. Ele se aproximara sem que nenhum dos dois percebesse, a pose relaxada de antes desaparecida, substituída por uma tensão palpável.

Rafael se afastou de Clara, um leve sorriso de desafio nos lábios. “Apenas cumprimentando uma velha amiga, Marcos. Ou você tem algum problema com isso?”

Marcos deu um passo à frente, o punho cerrado. “Amiga? Clara é a minha noiva, Rafael. E esse comportamento é inaceitável.”

Clara sentiu o sangue gelar. A palavra “noiva” dita por Marcos soou como uma sentença, um grilhão a mais em sua alma já aflita. Ela olhou para Rafael, que a encarava com uma mistura de dor e algo que parecia um choque. Ele não sabia. Ele não fazia ideia de que ela estava noiva de Marcos.

“Noiva?”, Rafael repetiu, a voz baixa, quase inaudível. O desafio em seus olhos se transformou em incredulidade. “Clara, você… você está noiva de Marcos?”

Clara sentiu um nó na garganta. A verdade, tão dolorosa e inevitável, pesava sobre ela. O beijo roubado, o momento de fuga, tudo desmoronou diante da realidade crua.

“Sim, Rafael. Eu estou. Há seis meses”, ela respondeu, a voz embargada, olhando-o nos olhos.

O rosto de Rafael se contraiu, uma dor profunda estampada em suas feições. Ele deu um passo para trás, como se tivesse sido atingido por um golpe físico. A intensidade em seus olhos diminuiu, substituída por uma decepção cortante.

“Seis meses… E você não me disse nada?”, ele perguntou, a voz embargada pela mágoa.

“Eu não sabia como…”, Clara começou, mas as palavras morreram em seus lábios.

Marcos, sentindo a fragilidade do momento, interveio com um braço protetor em volta da cintura de Clara. “Ela não tinha por que te dizer nada, Rafael. Você apareceu do nada, como um fantasma do passado. E agora tenta arruinar o nosso futuro.”

Rafael olhou para Marcos, depois para Clara, o conflito em seus olhos era agonizante. Ele parecia um homem perdido, confrontado com uma verdade que destruía todas as suas esperanças.

“Um fantasma… talvez eu seja mesmo. Um fantasma de um amor que você escolheu deixar para trás, Clara”, ele disse, a voz carregada de uma amargura que fez o coração de Clara se apertar ainda mais. Ele se virou e, com um último olhar que perfurou a alma de Clara, desapareceu na multidão.

Clara ficou parada, o beijo de Rafael ainda queimando em seus lábios, a mão de Marcos apertando sua cintura com força. A festa, antes vibrante, agora parecia um palco de tragédia. Ela havia perdido Rafael de novo, mas desta vez, a culpa era dela. Ela tinha escolhido um caminho, e agora, o preço dessa escolha estava se mostrando mais cruel do que jamais imaginara. A noite, que prometia brilho, havia se tornado sombria e implacável.

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