Corações Partidos

Capítulo 7 — A Confrontação e a Verdade Velada

por Isabela Santos

Capítulo 7 — A Confrontação e a Verdade Velada

A partida abrupta de Rafael deixou um rastro de constrangimento e mágoa na atmosfera da galeria. Clara sentiu os olhares curiosos e julgadores sobre ela, mas sua atenção estava voltada para a tempestade que se formava dentro de seu peito. A mão de Marcos em sua cintura, antes um gesto de proteção, agora parecia um laço apertado, prendendo-a a uma realidade que ela mal conseguia suportar.

“Você está bem, querida?”, Marcos perguntou, sua voz suave e preocupada, mas Clara percebeu uma nota de satisfação disfarçada em seus olhos. Ele sabia que Rafael era uma ameaça, e a partida dele era, de certa forma, um alívio para ele.

Clara forçou um sorriso fraco. “Estou bem, Marcos. Só… um pouco abalada.” Ela se afastou dele gentilmente, precisando de espaço para respirar. “Preciso de um pouco de ar.”

Ela saiu para a varanda da galeria, buscando o refúgio da noite estrelada. O vento fresco em seu rosto era um bálsamo, mas não conseguia apagar a imagem do olhar de Rafael, da dor e da decepção que ele sentiu ao descobrir sobre seu noivado. Aquele beijo, tão intenso e arrebatador, havia sido um erro, um delírio momentâneo que agora se refletia em seu coração partido.

Ela se encostou no parapeito, os olhos perdidos na imensidão do céu. Pensava em Rafael, no amor que eles compartilharam, nas promessas sussurradas sob o luar de tantos anos atrás. Ele representava a liberdade, a paixão, a vida que ela sempre sonhou. E agora, ela estava prestes a se casar com Marcos, um homem que lhe oferecia segurança, estabilidade, mas que nunca conseguiu acender a chama em seu coração.

Enquanto seus pensamentos a levavam para longe, ouviu passos se aproximando. Seu coração disparou. Seria Rafael? Teria ele voltado?

“Clara?”

Era a voz dele. Não uma pergunta, mas uma constatação, carregada de uma tristeza palpável. Ela se virou, e lá estava ele, parado na entrada da varanda, a figura esguia recortada contra a luz interna da galeria. Seus olhos, antes cheios de fogo, agora pareciam apagados, feridos.

“Rafael…”, ela sussurrou, a voz mal audível.

Ele se aproximou lentamente, cada passo ecoando o silêncio entre eles. “Por que você não me contou, Clara? Por que me deixou acreditar… por que me deixou te beijar, sabendo que você é noiva de outro homem?”

A dor em sua voz era um eco da dor que ela sentia. Clara não sabia por onde começar, como explicar a teia de mentiras e convenções que a aprisionavam.

“Eu… eu não sei o que dizer”, ela murmurou, lágrimas começando a rolar por seu rosto. “É tudo tão complicado.”

“Complicado?”, Rafael repetiu, um tom de amargura em sua voz. “Pareceu bem simples para mim. Você escolheu. Você escolheu a segurança, a estabilidade. E eu… eu sou apenas um lembrete do que você deixou para trás.”

“Não é isso, Rafael! Você sabe que não é!”, ela exclamou, a voz embargada pela emoção. “Eu nunca te esqueci. Nunca amei ninguém como amei você.”

Ele deu um sorriso triste. “Mas amou outro, Clara. Amou e se casou. Ou quase isso.”

“Eu não o amo, Rafael!”, ela disse, dando um passo em sua direção, desesperada para que ele acreditasse nela. “Eu não amo o Marcos. Eu aceitei o pedido dele por medo. Por não ter mais forças para lutar.”

Rafael a olhou, a esperança renascendo lentamente em seus olhos. “Medo? Medo de quê, Clara? Medo de mim? Medo de nós?”

“Medo de tudo!”, ela desabafou, as lágrimas correndo livremente. “Medo de decepcionar minha família, medo de não ter um lugar no mundo, medo de ser sozinha. Marcos me ofereceu um porto seguro, e eu, na minha fraqueza, me agarrei a ele.”

Ele a ouvia atentamente, a expressão suavizando com cada palavra dela. Aquele era o momento. O momento de ser honesta, de expor toda a verdade, por mais dolorosa que fosse.

“Rafael, quando você foi embora… eu fiquei devastada. Eu perdi meu chão. Tentei te seguir, te encontrar, mas você tinha sumido. E então, Marcos apareceu. Ele foi paciente, me deu tempo, me fez sentir segura. Mas nunca foi amor. Nunca.”

Ele estendeu a mão e limpou uma lágrima do rosto dela. “E agora? O que você quer agora, Clara?”

A pergunta era direta, implacável. Clara sabia que precisava ser honesta consigo mesma e com ele.

“Eu quero você, Rafael. Eu sempre quis você. Mas… estou presa. Presa em uma promessa, presa em uma vida que não é minha.”

Rafael a abraçou forte, apertando-a contra si. Clara sentiu o calor dele, o cheiro que a trazia de volta a tantos momentos felizes. Mas o abraço, por mais reconfortante que fosse, não dissipava a realidade.

“Você não está presa, Clara”, ele disse, a voz firme, embora embargada. “Você só precisa decidir o que quer de verdade. E eu… eu vou te esperar. Mas não para sempre.”

A promessa dele era um bálsamo, mas também uma faca de dois gumes. Ela sabia que não poderia depender dele para sempre, que precisava encontrar a coragem para se libertar.

De repente, a porta da varanda se abriu novamente. Era Marcos. Ele viu Clara nos braços de Rafael e seu rosto se fechou em uma máscara de fúria e decepção.

“Clara! O que significa isso?”

Clara se afastou de Rafael instantaneamente, o pânico tomando conta dela. “Marcos! Eu… eu estava apenas… conversando com ele.”

“Conversando?”, Marcos ironizou, o tom carregado de desprezo. “Ou talvez reatando velhos laços?” Ele olhou para Rafael, os olhos faiscando. “Você! Pensei que tivesse te avisado para ficar longe dela.”

Rafael se colocou entre Clara e Marcos, a postura defensiva. “Eu não estou com ela, Marcos. Mas ela é livre para conversar com quem quiser. E eu não tenho nada a ver com seus planos.”

“Meus planos?”, Marcos riu, um riso amargo. “Meus planos incluem casar com a Clara. E você, Rafael, é apenas um obstáculo que será removido.”

As palavras de Marcos ecoaram na noite, carregadas de uma ameaça velada. Clara sentiu um arrepio de medo percorrer sua espinha. Ela sabia que Marcos era um homem de recursos, capaz de tudo para conseguir o que queria.

“Marcos, por favor, não diga isso”, Clara implorou, tentando apaziguar a situação.

“Não diga isso? E o que você diz, Clara? Você está aqui, nos braços de outro homem, minutos depois de ele ter te beijado na minha festa. E espera que eu acredite que você não tem nada a ver com isso?”

Rafael olhou para Clara, a dor voltando aos seus olhos. “Você disse que não o amava.”

“E não amo!”, Clara respondeu, a voz firme. “Mas eu também não posso simplesmente… desaparecer. Eu tenho responsabilidades.”

“Responsabilidades… Ou medo, Clara? Medo de enfrentar a verdade?”, Rafael perguntou, a voz agora fria e distante. “Se você está presa, então fique presa. Mas não espere que eu fique esperando por alguém que não tem coragem de ser livre.”

Com um último olhar de mágoa, Rafael se virou e saiu da varanda, desaparecendo na escuridão. Clara observou-o partir, o coração apertado. Ela sabia que havia perdido uma chance, talvez a última, de se libertar.

Marcos se aproximou dela, o rosto endurecido. “Você o ama, não é? Você ainda o ama.”

Clara não respondeu, apenas olhou para o céu estrelado, sentindo-se mais sozinha do que nunca. A verdade estava exposta, crua e dolorosa. Ela amava Rafael, mas estava presa em uma armadilha de convenções e medos, e as consequências dessa escolha começavam a se tornar insuportáveis.

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