Corações Partidos

Capítulo 8 — O Dilema e a Chantagem Sombria

por Isabela Santos

Capítulo 8 — O Dilema e a Chantagem Sombria

A noite havia roubado a pouca serenidade que Clara possuía. De volta ao luxuoso apartamento de Marcos, o silêncio era opressor, quebrado apenas pelos murmúrios distantes da cidade. Marcos, com um copo de uísque na mão, observava-a com um olhar penetrante, a fúria de antes substituída por uma frieza calculista que a deixava arrepiada.

“Você tem muito a me explicar, Clara”, ele disse, a voz baixa e controlada, mais assustadora do que qualquer grito.

Clara sentou-se no sofá de couro, as mãos entrelaçadas em seu colo, tentando reunir a coragem que parecia ter lhe abandonado. “Não há nada para explicar, Marcos. Rafael e eu éramos amigos de infância. Ele apareceu de surpresa, tivemos uma conversa breve.”

Marcos riu, um som sem humor. “Conversa breve? Eu vi o beijo, Clara. E vi o olhar que você deu para ele. Um olhar que você nunca me deu.”

O comentário a atingiu como um soco no estômago. Era verdade. Aquele olhar, a entrega momentânea, era algo que Marcos jamais havia despertado nela. “Eu… eu estava confusa. Ele me pegou de surpresa. Você sabe o quanto ele significou para mim no passado.”

“No passado, Clara. E você está prestes a se casar comigo. Você é a minha noiva. E eu não tolero traições, sejam elas físicas ou emocionais.” Ele tomou um gole de uísque, os olhos fixos nela. “Você me deve lealdade. E eu exijo isso.”

Clara sentiu um nó na garganta. Lealdade. Era uma palavra que soava oca em seus lábios. Ela havia traído a si mesma, a sua própria felicidade. “Eu sei, Marcos. E eu sinto muito se te magoei.”

“Você não me magoou, Clara. Você me decepcionou”, ele corrigiu, o tom gélido. “E agora, você precisa provar que merece a minha confiança.”

Ele se aproximou dela, ajoelhando-se em frente ao sofá. O gesto era íntimo, mas a intenção era ameaçadora. “Você vai esquecer Rafael. De vez. Ele não é mais parte da sua vida. Ele é um perigo para o nosso futuro.”

“Mas eu não posso simplesmente apagar o que sinto!”, Clara protestou, a voz embargada.

Marcos suspirou, como se estivesse lidando com uma criança teimosa. “Você pode, Clara. Você tem que. Para o seu próprio bem. E para o meu.” Ele segurou o queixo dela, forçando-a a olhar para ele. “Você quer o conforto, a segurança. Você quer a vida que construímos juntos. Certo?”

Clara assentiu lentamente, a garganta apertada. Ela não queria, mas sentia que não tinha outra opção.

“Então, você vai fazer o que eu digo”, Marcos continuou. “Você vai cortar todo e qualquer contato com Rafael. E se ele tentar se aproximar, você o rejeitará. Sem hesitação. Você é minha, Clara. E eu não compartilho o que é meu.”

O tom possessivo dele a aterrorizou. Ela nunca havia percebido o quão perigoso Marcos podia ser quando contrariado. E agora, com a presença de Rafael, ele se sentia ameaçado.

“E se eu não quiser?”, Clara sussurrou, uma faísca de rebeldia surgindo em seu interior.

Marcos sorriu, um sorriso cruel que não alcançou seus olhos. “Ah, Clara. Você sabe que não tem escolha. Lembra-se do acordo que fizemos? Lembro-me de cada palavra. E posso garantir que você não quer que o meu pai saiba de certas coisas que aconteceram no passado, não é?”

O sangue de Clara gelou. A chantagem. Era isso que ele estava usando contra ela. O segredo que ela carregava, que poderia destruir sua reputação e a vida de sua família, estava agora nas mãos de Marcos.

“Você não ousaria, Marcos”, ela disse, a voz trêmula.

“Ousaria, Clara. E ousarei muito mais se você me desobedecer. Eu tenho a prova. E posso garantir que a imprensa adoraria saber de uma noiva com um passado tão… escandaloso.” Ele se levantou, dando um passo para trás. “Então, qual é a sua decisão? O amor bandido e a ruína, ou o nosso futuro, seguro e próspero?”

Clara se encolheu no sofá, sentindo-se presa em uma teia de aranha. Ela sabia que Rafael não era apenas um fantasma do passado. Ele era a sua única chance de felicidade, a sua chance de viver uma vida autêntica. Mas o preço dessa autenticidade parecia ser alto demais.

“Eu… eu farei o que você pedir”, ela murmurou, a voz quebrada.

Marcos assentiu, satisfeito. “Excelente. Agora, vá se recompor. Amanhã será um dia importante. Precisamos discutir os detalhes do casamento. E é bom que você esteja com um sorriso no rosto, para que todos acreditem na nossa felicidade.”

Ele se virou e saiu do quarto, deixando Clara sozinha com seus medos e a amarga sensação de derrota. Ela fechou os olhos, tentando em vão afastar a imagem de Rafael, do seu olhar de decepção. Ela havia escolhido a segurança, mas agora sentia que havia perdido tudo o que realmente importava. A chantagem de Marcos a aprisionara, e a liberdade que Rafael representava parecia inalcançável. A noite se estendia, longa e sombria, prenunciando dias ainda mais difíceis.

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