Cap. 10 / 25

O Desejo Proibido

Capítulo 10 — O Véu da Culpa

por Camila Costa

Capítulo 10 — O Véu da Culpa

A noite em Paraty desceu com a suavidade de um manto escuro, pontilhada por estrelas tímidas que lutavam para romper a névoa úmida. O cheiro de maresia se misturava ao aroma adocicado das flores noturnas, criando uma atmosfera envolvente que, para Helena, era ao mesmo tempo reconfortante e perturbadora. A tarde de sol no mar, a presença de Miguel, a mão de Ricardo na sua – tudo havia sido um bálsamo momentâneo, uma pausa ilusória na tempestade que a envolvia.

De volta à pousada, o silêncio parecia ter se intensificado. Miguel, cansado das aventuras do dia, adormeceu rapidamente. Helena e Ricardo se encontraram na sala de estar, a atmosfera carregada de expectativas e de um medo latente. A promessa de Ricardo de contar tudo pairava no ar, um fio tênue que os ligava ao passado e os impulsionava para um futuro incerto.

Ricardo sentou-se na poltrona de couro gasta, o olhar fixo em Helena. Havia uma determinação em seus olhos que ela não via antes, uma resolução forjada pela necessidade de fechar um ciclo e, talvez, reconquistar a confiança que ele havia perdido.

“Helena”, ele começou, a voz rouca, mas firme. “Eu sei que você quer saber a verdade completa. E você merece saber. O que aconteceu com André e com aquelas pessoas… foi mais sombrio do que eu imaginei.”

Ele respirou fundo, como se juntasse forças para reviver memórias dolorosas. “André estava envolvido em algo muito perigoso. Ele se meteu com pessoas que lidavam com… lavagem de dinheiro. Ele acreditava que poderia ganhar muito rápido, que seria uma forma de sair das dívidas e de provar o seu valor para você, para todos.”

Helena ouviu em silêncio, o coração apertado. A imagem de André, seu André, o homem com quem ela dividiu tantos sonhos, envolvido em atividades ilícitas, era difícil de processar.

“Eu soube através de um contato”, Ricardo continuou, o véu da culpa em seus olhos visível. “Um contato que trabalhava para eles. Ele me avisou que André estava se tornando um risco, que ele estava querendo recuar, mas que eles não o deixariam sair facilmente. Eu tentei avisar o André, mandei mensagens, liguei. Mas ele não me respondia. Ele estava cada vez mais isolado, obcecado em resolver seus problemas sozinho.”

“E você?”, Helena perguntou, a voz embargada. “Você sabia que ele estava em perigo e não fez nada?”

“Eu fiz o que pude, Helena! Eu tentei! Mas eles eram implacáveis. Eu sabia que se eu me envolvesse diretamente, se eu tentasse intervir, eu seria o próximo. Minhas próprias economias, o futuro da minha família… tudo estaria em risco. Eu me senti impotente. E depois… depois aconteceu o que aconteceu.”

Ricardo fez uma pausa, a dor em sua voz transbordando. “Eu soube que André havia desaparecido. Que ele havia sido levado. Tentei investigar, mas eles eram muito bons em encobrir seus rastros. E eu estava assustado demais para ir mais longe. Eu me tornei cúmplice do silêncio, Helena. E esse silêncio me corrói até hoje.”

Helena sentiu as lágrimas escorrerem por seu rosto. A tragédia que havia separado André dela, e que ela havia atribuído à sua própria falha, ao afastamento dele, era muito mais complexa e sombria do que ela jamais imaginara. A culpa que ela carregara por anos, de não ter sido suficiente, de não ter conseguido manter o casamento, agora se misturava à dor pela verdade sobre André.

“E o que aconteceu com essas pessoas?”, ela perguntou, a voz trêmula. “Elas continuam por aí?”

Ricardo balançou a cabeça. “Não que eu saiba. Houve uma grande operação policial pouco tempo depois. Muitos deles foram presos. Parece que a rede deles foi desmantelada. Mas a incerteza sobre o que realmente aconteceu com André… isso nunca me deixou em paz.”

O silêncio caiu sobre eles, pesado e opressor. Helena sentiu o peso da história, a teia de mentiras e medos que haviam distanciado tantas pessoas. Ela olhou para Ricardo, vendo nele não apenas o homem que a havia magoado com seu silêncio, mas o homem que também havia sido vítima das circunstâncias, o homem que carregava a culpa de suas próprias fraquezas.

“Eu sinto muito, Ricardo”, ela sussurrou, a voz embargada pela emoção. “Sinto muito por tudo que você passou. E sinto muito por André.”

Ricardo estendeu a mão, e Helena, após um momento de hesitação, a aceitou. O toque dele era um conforto, um reconhecimento de que ambos haviam sofrido, cada um à sua maneira.

“Eu sei que pedir perdão é pedir muito”, Ricardo disse, seus olhos encontrando os dela. “Mas eu preciso que você saiba que eu me arrependo. E que, se houver uma chance, eu quero tentar fazer as coisas certas. Eu quero construir algo novo com você, algo baseado na verdade e na confiança.”

Helena o olhou, o coração em um turbilhão de emoções. A dor da verdade sobre André era imensa, mas a confissão de Ricardo, a sua vulnerabilidade, a sua aparente sinceridade, também a tocavam profundamente. Ela sentiu que o amor que sentia por ele, por mais complicado que fosse, não havia desaparecido. Apenas havia sido obscurecido pelos segredos e pela culpa.

“Eu não sei, Ricardo”, ela disse, a voz hesitante. “Eu preciso de tempo. Preciso de tempo para processar tudo isso. Para entender se consigo seguir em frente, com você, depois de tudo.”

Ele assentiu, compreensivo. “Eu entendo. Leve o tempo que precisar. Mas saiba que eu não vou desistir de você. Eu esperei por você por tantos anos, Helena. E agora que te reencontrei, eu não vou te deixar ir.”

Ele se aproximou e, com um gesto delicado, afastou uma mecha de cabelo do rosto dela. Seus olhos se encontraram, e naquele olhar, Helena viu um misto de desejo, esperança e uma dor antiga que parecia ecoar a sua própria.

“Eu te amo, Helena”, ele sussurrou, a voz carregada de emoção.

E, pela primeira vez, Helena sentiu que podia acreditar nele. A verdade, por mais dolorosa que fosse, havia aberto um caminho. O véu da culpa, que cobria a todos eles, começava a se dissipar, revelando um futuro incerto, mas cheio de possibilidades. Ela não sabia o que o amanhã traria, mas sabia que, pela primeira vez em muito tempo, ela não estava mais sozinha em sua escuridão. E talvez, apenas talvez, o desejo proibido que ela sentia por Ricardo, agora liberto dos segredos, pudesse encontrar um caminho para a luz.

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