Cap. 12 / 25

O Desejo Proibido

Capítulo 12 — A Teia de Mentiras e a Sedução Sombria

por Camila Costa

Capítulo 12 — A Teia de Mentiras e a Sedução Sombria

O sol da manhã irrompeu pela janela, trazendo consigo a promessa de um novo dia, mas para Helena, a claridade parecia apenas expor ainda mais as sombras que a envolviam. A noite anterior havia sido um turbilhão de emoções, com a descoberta do bilhete de sua mãe e as palavras de Arthur ecoando em sua alma. O amor que sentira pela figura etérea de sua mãe agora se misturava a uma determinação crescente de desvendar os mistérios que a cercavam. No entanto, a vida, com sua cruel ironia, parecia determinada a jogar novas armadilhas em seu caminho.

Ao descer para o café da manhã, encontrou o pai já na sala, imerso na leitura de um jornal. Ele a cumprimentou com um sorriso cansado, mas genuíno.

"Bom dia, minha flor. Dormiu bem?"

"Bom dia, pai. Dormi sim, obrigada." Helena sentou-se à mesa, a mente fervilhando com pensamentos. A conversa com Arthur sobre o passado de sua mãe havia aberto uma porta, mas ela sentia que havia muito mais a ser descoberto.

Enquanto tomava seu café, uma figura familiar surgiu na entrada da sala. Era Ricardo, o sócio de Arthur, um homem de fala mansa e olhar astuto, que sempre parecia estar um passo à frente. Ele a cumprimentou com um sorriso polido, mas Helena sentiu uma pontada de desconfiança. Havia algo em Ricardo que a incomodava, uma aura de falsidade que ela não conseguia explicar.

"Bom dia, Arthur. Helena." Ricardo fez uma leve reverência em direção a ela. "Espero não estar interrompendo nada."

"De forma alguma, Ricardo. Sente-se conosco. Helena estava apenas me contando sobre os planos para a próxima coleção." Arthur tentou soar leve, mas Helena percebeu a tensão sutil em sua voz.

Ricardo sorriu, um sorriso que não alcançava seus olhos. "Ah, a nova coleção! Uma empreitada ambiciosa. Tenho certeza de que será um sucesso, Helena. Sua visão é sempre tão... inovadora."

As palavras de Ricardo, embora parecessem elogiosas, soaram para Helena como uma tentativa de sondagem. Ele parecia querer extrair informações, medir seu preparo. Ela respondeu com a cortesia que lhe era natural, mas manteve suas emoções sob controle.

"Obrigada, Ricardo. Estamos trabalhando duro para que tudo saia como planejado."

A conversa fluiu superficialmente, mas Helena sentia a energia sutil de Ricardo tentando penetrar nas defesas de seu pai. Ele mencionou alguns acordos comerciais, alguns investimentos arriscados, e Helena percebeu que Arthur, apesar de sua experiência, parecia relutante em algumas de suas propostas. Havia algo que ele não contava a Ricardo, algo que o deixava apreensivo.

Mais tarde, naquele mesmo dia, Helena estava em seu ateliê, absorta em esboços e tecidos. A inspiração parecia fluir com mais intensidade agora, alimentada pela necessidade de dar vazão às emoções que a dominavam. Foi então que a porta do ateliê se abriu e Ricardo entrou, sem ser anunciado.

"Helena, com licença. Queria conversar com você sobre um assunto delicado."

Helena levantou os olhos, surpresa pela invasão em seu espaço criativo. "Ricardo? O que você quer?"

Ele se aproximou, com um ar de confidência. "Sei que as coisas não têm sido fáceis para Arthur ultimamente. As finanças da empresa... não estão tão sólidas quanto ele gostaria de admitir."

Helena franziu a testa. "O que você quer dizer?"

Ricardo sentou-se em uma poltrona próxima, o olhar fixo nela. "Arthur se sente pressionado. Ele precisa de um empréstimo grande, e eu estou disposto a ajudá-lo. Mas... há um preço."

Ele fez uma pausa, observando a reação dela. Helena sentiu um arrepio percorrer sua espinha. "Um preço? Que tipo de preço?"

"Um acordo entre nós, Helena. Algo que possa me garantir a estabilidade que preciso. E o que você tem a oferecer é... sua beleza, sua inteligência. Um certo... comprometimento."

O sangue de Helena gelou. A proposta de Ricardo era descarada, uma tentativa de sedução disfarçada de negócio. Ela se levantou abruptamente, o coração acelerado.

"Você enlouqueceu, Ricardo? Como pode dizer uma coisa dessas?"

Ele riu, um som baixo e rouco. "Não se faça de inocente, Helena. Eu vejo como você olha para mim. Vejo a faísca em seus olhos. E sei que você também tem seus desejos, seus segredos. Todos nós temos."

Ele se aproximou dela, e Helena recuou, o olhar fixo em seus olhos escuros e calculistas. Aquele homem era perigoso, uma serpente que se escondia nas sombras da empresa de seu pai.

"Eu não sou como você pensa, Ricardo. E nunca aceitaria um acordo assim."

"Ah, mas você vai," ele sussurrou, a voz carregada de uma promessa sombria. "Você vai, porque precisa. Precisa proteger seu pai, precisa garantir o futuro. E eu estarei aqui, pronto para lhe dar o que você precisa. Em troca, é claro, de sua... lealdade."

Ele se inclinou, o hálito quente em seu rosto, e Helena sentiu um misto de repulsa e um medo primitivo. Por um instante, ela viu em seus olhos um reflexo de algo que a assustava, uma luxúria disfarçada de poder.

De repente, a porta do ateliê se abriu novamente. Era Arthur, com uma expressão preocupada.

"Helena? O que está acontecendo aqui?"

Ricardo se afastou de Helena com um sorriso forçado, como se nada tivesse acontecido. "Apenas uma conversa amigável, Arthur. Helena estava me mostrando seus últimos trabalhos."

Arthur olhou de um para o outro, a desconfiança evidente em seu olhar. Ele sentia que algo estava errado, mas não conseguia identificar o quê.

"Eu... preciso ir," Helena disse, a voz trêmula. Ela não conseguia mais ficar naquele ambiente.

Saiu do ateliê, deixando pai e Ricardo para trás, o coração disparado, a mente em caos. A proposta de Ricardo era um insulto, mas também uma revelação. Ele era uma ameaça, não apenas para ela, mas para seu pai e para a estabilidade da empresa.

Naquela noite, Helena não conseguia dormir. A imagem de Ricardo, seu olhar predador, sua proposta vil, não saíam de sua mente. Ela sabia que precisava proteger seu pai, mas como? Ricardo era um homem manipulador, com conexões e influência. E o pior de tudo, ele parecia saber de algo, ou fingir saber, sobre os desejos e vulnerabilidades dela.

Ela se lembrou das palavras de seu pai sobre o passado de sua mãe, sobre as escolhas difíceis que a vida nos impõe. Talvez aquela fosse a sua escolha difícil. Proteger a família, mesmo que isso significasse se expor a um perigo iminente.

Revisou mentalmente as informações que tinha sobre Ricardo. Ele era um parceiro de negócios de longa data de seu pai, um homem que sempre pareceu leal, mas que agora revelava uma faceta sombria e perigosa. Ela precisava descobrir mais sobre ele, sobre seus negócios, sobre suas intenções.

O desejo proibido, que antes parecia ser apenas uma atração incontrolável, agora se misturava a um sentimento de urgência e perigo. Helena percebeu que estava presa em uma teia de mentiras e ambições, e que para sobreviver, ela precisaria ser mais forte e mais esperta do que jamais imaginou. A sedução sombria de Ricardo não era um convite, mas um aviso. E ela estava determinada a não se deixar abater.

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