Cap. 16 / 25

O Desejo Proibido

O Desejo Proibido

por Camila Costa

O Desejo Proibido

Por Camila Costa

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Capítulo 16 — O Vazio de São Paulo e o Sussurro de um Passado

O táxi cortava a noite paulistana como uma faca quente na manteiga fria. As luzes da cidade, que antes pareciam promessas de um futuro vibrante, agora se dissolviam em borrões de neon, reflexos de uma melancolia que se instalara no peito de Clara. Cada quilômetro percorrido a afastava de um pesadelo que teimava em se desenrolar, e a cada esquina, a imagem de Rafael se sobrepunha ao borrão da cidade. O apartamento, antes refúgio de risadas e intimidades, agora ecoava com a ausência dele, um silêncio ensurdecedor que a sufocava.

Clara apertou o volante imaginário do carro, os nós dos dedos brancos de tensão. Aquele encontro com Leonardo, tão inesperado quanto perturbador, deixara-a desorientada. As palavras dele, carregadas de uma verdade cruel e não dita, giravam em sua mente como um carrossel doentio. "Sua mãe... ela não era quem você pensava, Clara." A frase martelava, implacável. Quem era sua mãe, afinal? Uma figura tão idealizada em sua memória, um farol de ternura e força. Leonardo, com seu olhar penetrante e a voz carregada de um segredo que parecia corroer sua alma, lançara uma sombra sobre tudo que ela acreditava.

"Ele não sabia o que estava dizendo", Clara tentava se convencer, mas a semente da dúvida já germinara, e a cada batida do coração, a raiz se aprofundava. A imagem de Rafael, seu amor, seu porto seguro, parecia se distanciar a cada pensamento. O que ele esconderia? Por que Leonardo, um homem que ela mal conhecia, teria inventado algo tão devastador? E se fosse verdade? A possibilidade, por mais remota que parecesse, era um veneno lento, corroendo sua sanidade.

Ao chegar em casa, a escuridão a abraçou como um sudário. O aroma familiar de jasmim e livros antigos, que antes a acalmava, agora parecia zombá-la. Ela ligou a luz da sala, e os objetos, antes testemunhas de momentos felizes, agora pareciam distantes, como se pertencessem a outra vida. O sofá onde ela e Rafael dividiam segredos, a poltrona onde ele lia com os olhos semicerrados, a mesa de centro com as marcas de taças de vinho... tudo parecia testemunhar a ausência dele, um fantasma que pairava no ar.

Clara caminhou pela casa, seus passos ecoando no silêncio. Parou diante da janela da sala, observando as luzes distantes de São Paulo. A metrópole, tão cheia de vida, parecia agora um deserto de concreto, um reflexo do vazio que a consumia. Ela buscou em sua memória o último encontro com Rafael. A despedida apressada, a promessa de um retorno breve, a ligação não atendida... o que teria acontecido? O medo, antes um sussurro distante, agora gritava em seus ouvidos, um prenúncio de algo terrível.

Ela se lembrou da conversa com sua mãe, poucos dias antes do desaparecimento de Rafael. As palavras de preocupação dela sobre os negócios de Rafael, os pressentimentos sombrios que Clara havia descartado como mero exagero maternal. Sua mãe, Dona Helena, sempre fora uma mulher intuitiva, com uma sensibilidade aguçada para as nuances do coração humano. Seria possível que ela tivesse pressentido algo que Clara, embriagada pelo amor, se recusara a ver?

Clara sentou-se no sofá, o corpo pesado de cansaço e angústia. A mão buscou instintivamente o celular no bolso. Sem número de Rafael, um bloqueio invisível parecia impedi-la de discar. O quê dizer? "Onde você está? Por que sumiu? Leonardo disse algo sobre minha mãe..." As palavras pareciam inadequadas, banais diante da gravidade da situação. Ela precisava de respostas, mas sentia-se paralisada pelo medo.

Lembrou-se de um detalhe que Leonardo havia mencionado, algo sobre um antigo sócio de seu pai, um homem chamado Eduardo Montenegro. Leonardo dissera que Montenegro guardava segredos obscuros sobre os negócios da família, segredos que poderiam ter repercussões até os dias de hoje. Clara nunca ouvira esse nome antes. Seria possível que esse Eduardo Montenegro tivesse alguma ligação com o sumiço de Rafael?

Uma onda de adrenalina percorreu seu corpo. Ela se levantou com determinação renovada. Precisava investigar. Precisava descobrir a verdade, por mais dolorosa que fosse. Ela se dirigiu ao escritório em casa, o lugar onde seu pai passava horas imerso em pilhas de documentos e projetos. Seu pai, Dr. Antônio, um homem justo e trabalhador, que sempre a ensinara a valorizar a honestidade e a perseverança. Se Leonardo estivesse certo, se houvesse um lado sombrio em sua família que ela desconhecia, seria aqui que as pistas estariam escondidas.

Ela abriu as gavetas, procurando por algo, qualquer coisa que a levasse a Montenegro ou a segredos sobre o passado. Papéis antigos, contratos, cartas... tudo parecia pertencer a um mundo distante, um mundo que ela agora via com outros olhos. Seus dedos percorriam os arquivos, cada toque uma busca desesperada. E então, em meio a documentos de negócios aparentemente rotineiros, seus olhos pousaram em uma pasta com um título discreto: "M. & M. Incorporadora". A letra era do seu pai.

Seu coração disparou. M&M... quem seria o outro M? Montenegro? Ela abriu a pasta com as mãos trêmulas. Dentro, havia contratos, relatórios financeiros, e algumas fotos antigas. Em uma das fotos, ela viu seu pai, mais jovem, sorrindo ao lado de outro homem. Um homem com um sorriso calculista e olhos frios. Abaixo da foto, uma legenda escrita a mão: "Antônio e Eduardo – O início de tudo."

Eduardo Montenegro.

A verdade, por mais fantasmagórica que fosse, começava a tomar forma. O vazio em seu peito se encheu de uma nova angústia, um medo gelado que a envolvia. O passado, antes um porto seguro, agora parecia uma armadilha, e o desejo de encontrar Rafael se misturava com a necessidade urgente de desvendar a teia de mentiras que envolvia sua família e, talvez, o próprio amor de sua vida. A noite em São Paulo, antes apenas uma paisagem de luzes, agora se tornava um labirinto de sombras, e Clara sabia que a jornada para a verdade seria mais perigosa do que ela jamais imaginara.

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