O Milionário Solitário

O Milionário Solitário

por Camila Costa

O Milionário Solitário

Por Camila Costa

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Capítulo 11 — O Convite Inesperado

O silêncio que se instalou na mansão de Eduardo era, por vezes, mais ensurdecedor que qualquer barulho. Depois daquela tarde em que Sofia o visitou, algo parecia ter mudado. Não a mansão, claro, que continuava a mesma joia fria e imponente incrustada na serra, mas algo dentro dele. Uma rachadura sutil no muro de gelo que ele construíra em volta do próprio coração. Ele a observava de longe, nos poucos momentos em que ela se permitia ser vista, absorta em suas tarefas na biblioteca, com uma serenidade que o intrigava e, admitia a si mesmo, o perturbava.

Sofia, por sua vez, sentia-se cada vez mais cativada pela grandiosidade sombria daquele lugar. A biblioteca, com seus livros antigos e o cheiro de couro e papel, era um refúgio. Cada volume era uma janela para outros mundos, e naquele silêncio erudito, ela podia, por um instante, esquecer o peso da sua própria história. O contraste entre a opulência desmedida de Eduardo e a sua própria simplicidade era gritante, e, no entanto, havia uma estranha ressonância entre eles. Uma solidão compartilhada, talvez, em meio a tanta gente e a tantos posses.

A semana avançava em um ritmo lento e preguiçoso, pontuada apenas pelos passeios solitários de Eduardo pelos vastos jardins, os olhos fixos em algum ponto distante, e os momentos em que Sofia se perdia entre as estantes, a luz suave do sol filtrando-se pelas janelas empoeiradas. A governanta, Dona Aurora, uma senhora de fala mansa e olhar perspicaz, observava os dois com uma curiosidade velada, um leve sorriso brincando nos cantos dos lábios. Ela via a melancolia nos olhos do patrão, uma melancolia que parecia se dissipar um pouco quando o olhar dele pousava em Sofia.

Na sexta-feira à noite, Eduardo estava em seu escritório, a vastidão de madeira escura e objetos de arte acentuando a sensação de isolamento. Ele folheava documentos sem realmente lê-los, a mente divagando. A imagem de Sofia, tão natural e autêntica em meio a tanta artificialidade, o assombrava. Ele, o homem que possuía tudo, sentia uma carência que o dinheiro não podia preencher. E ela, a moça de origem humilde, parecia ter uma força interior que ele admirava.

De repente, ele se levantou, um impulso repentino tomando conta dele. Caminhou até a porta do escritório e a abriu, o som do ranger da madeira ecoando no silêncio. Dona Aurora, que passava pelo corredor com uma bandeja de chá, parou, surpresa.

"Dona Aurora", a voz de Eduardo soou rouca, um pouco hesitante. "Onde está a senhorita Sofia?"

"Na biblioteca, senhor Eduardo. Como de costume", respondeu ela, com a serenidade habitual.

Ele assentiu, um gesto quase imperceptível. "Prepare um chá para mim. E… por favor, leve uma xícara para a biblioteca. Com biscoitos. Aqueles que ela parece gostar."

Dona Aurora sorriu, um brilho nos olhos. "Imediatamente, senhor."

Eduardo caminhou em direção à biblioteca, o coração batendo um pouco mais rápido. Ele não sabia exatamente o que queria dizer, o que queria fazer. Apenas sentia a necessidade de… interagir. De quebrar o gelo que os separava.

Ao chegar à porta da biblioteca, ele hesitou por um instante. O som suave de um violino ecoava lá de dentro. Uma melodia melancólica, mas bela. Ele a reconheceu vagamente, algo clássico, talvez Bach. Empurrou a porta suavemente e entrou.

Sofia estava sentada em uma poltrona antiga, um pequeno violino em suas mãos, os olhos fechados, completamente imersa na música. A luz fraca da luminária criava um halo em torno de seus cabelos escuros, e seu rosto, em repouso, transmitia uma paz que Eduardo nunca tinha visto em si mesmo. A melodia terminou, e ela abriu os olhos, sobressaltando-se ao vê-lo ali.

"Senhor Eduardo!", exclamou, colocando o violino no colo. "Não sabia que estava aqui."

"Eu… eu senti um pouco de curiosidade", ele disse, a voz ainda um pouco grave, mas menos tensa. "É uma bela melodia."

"Obrigada", ela respondeu, um leve rubor tingindo suas bochechas. "É um pequeno consolo para mim."

Nesse momento, Dona Aurora entrou com a bandeja de chá, colocando-a em uma mesinha próxima. "Seu chá, senhor Eduardo. E um para a senhorita Sofia, com os biscoitos que ela tanto aprecia."

Sofia sorriu para a governanta. "Muito obrigada, Dona Aurora."

"De nada, minha jovem." Dona Aurora saiu discretamente, deixando os dois a sós.

Eduardo serviu-se de uma xícara de chá, o vapor subindo em espirais. Ele observava Sofia, que pegava um biscoito, a delicadeza de seus movimentos o cativando.

"Você toca muito bem", ele comentou, depois de um silêncio confortável. "Há quanto tempo?"

"Desde criança", ela respondeu, com um suspiro suave. "Era o jeito da minha mãe de me acalmar. E depois se tornou o meu."

Houve outro momento de silêncio. Eduardo sentia a necessidade de dizer algo mais, de se aproximar. Ele sabia que não podia mais se dar ao luxo de se esconder atrás de muros de solidão.

"Sofia", ele começou, e o nome dela em seus lábios soou diferente, mais suave, mais… pessoal. Ela o olhou, os olhos curiosos. "Tenho estado… pensativo. Sobre muitas coisas."

Ele hesitou, reunindo coragem. "Este fim de semana, receberei alguns convidados. Nada muito formal, apenas um jantar. Gostaria que você… participasse."

Sofia arregalou os olhos, surpresa. "Eu? Mas… eu não sou… não sou uma socialite, senhor Eduardo. Não tenho nada a ver com esse mundo."

"Não se trata de ser socialite", ele insistiu, sua voz ganhando uma urgência incomum. "Trata-se de… companhia. De compartilhar um momento. Você tem sido uma presença… tranquilizadora aqui. E eu… eu preciso disso."

Ele olhou para ela, a intensidade em seus olhos clara. Sofia sentiu um nó na garganta. A oferta era inesperada, e a vulnerabilidade em seu olhar era algo que ela nunca imaginara ver no temido e distante Eduardo Montenegro.

"Eu… eu não sei o que dizer", ela murmurou, sem conseguir sustentar o olhar dele.

"Diga que sim", ele respondeu, a voz baixa, quase um sussurro. "Por favor, Sofia. Diga que sim."

Ela ergueu os olhos, encontrando os dele. Havia uma súplica silenciosa ali, uma fragilidade que a tocou profundamente. Ela viu além do milionário, do homem poderoso. Viu o homem solitário.

Um pequeno sorriso surgiu em seus lábios. "Se o senhor Eduardo Montenegro me convida para um jantar, quem sou eu para recusar?", ela disse, uma pontada de humor tingindo suas palavras.

O alívio em Eduardo foi palpável. Um leve sorriso se formou em seus lábios, genuíno e raro. "Obrigado, Sofia. Tenho certeza de que você vai se sentir… confortável."

"Espero que sim", ela respondeu, sentindo uma mistura de apreensão e uma estranha excitação. Aquele jantar prometia ser mais do que apenas uma refeição. Seria um teste. Para ambos.

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