O Milionário Solitário

Capítulo 15 — A Sombra do Passado

por Camila Costa

Capítulo 15 — A Sombra do Passado

Os dias que se seguiram ao beijo foram marcados por uma delicadeza e uma proximidade que Sofia nunca havia experimentado. Eduardo parecia mais leve, mais presente. Os olhares que trocavam eram carregados de cumplicidade, os sorrisos eram mais frequentes e genuínos. Ele a convidava para passear pelos jardins, compartilhava histórias sobre sua infância, sobre seus sonhos esquecidos. Sofia, por sua vez, sentia-se cada vez mais à vontade, mais conectada àquele homem atormentado, mas gentil, que se revelava a cada dia.

No entanto, a tranquilidade era uma flor frágil, facilmente pisoteada pelas sombras do passado. Em uma tarde ensolarada, enquanto Eduardo e Sofia conversavam perto do lago, um carro preto e reluzente parou no portão principal da mansão. Uma figura elegante desceu, vestida com um tailleur impecável, o cabelo preso em um coque severo. Era Helena Montenegro, a irmã mais velha de Eduardo.

Sofia sentiu um arrepio percorrer sua espinha. A energia de Helena era palpável, uma mistura de frieza e autoridade que parecia sugar o ar ao seu redor. Ela havia ouvido falar de Helena, a mulher de negócios implacável, que havia herdado a veia ambiciosa do pai.

Eduardo, ao avistar a irmã, sentiu um peso familiar no peito. "Helena", ele disse, com um tom que misturava surpresa e uma pontada de resignação. "O que a traz aqui?"

"Eduardo, querido", Helena disse, com um sorriso forçado que não alcançava seus olhos frios. Ela varreu o ambiente com o olhar, detendo-se em Sofia por um instante, um olhar de desdém rápido, mas inconfundível. "Só queria ver como meu irmão adorado está. E… quem é a nova companhia da casa."

A insinuação na voz de Helena era clara. Sofia sentiu o rosto esquentar, mas manteve a compostura, oferecendo um aceno de cabeça discreto.

"Esta é Sofia Ribeiro, minha hóspede", disse Eduardo, com firmeza, defendendo-a implicitamente. "Sofia, esta é minha irmã, Helena."

Helena estendeu a mão para Sofia, um gesto que parecia mais uma formalidade do que uma saudação. "Prazer em conhecê-la, senhorita Ribeiro. Ou devo chamá-la de… protegida do Eduardo?"

A frieza na voz de Helena era cortante. Sofia apertou a mão dela, tentando não demonstrar o desconforto. "É um prazer, senhora Montenegro."

Enquanto se dirigiam para dentro da mansão, Helena mantinha um braço em torno do de Eduardo, uma demonstração possessiva de familiaridade. Ela parecia analisar cada detalhe da casa, como se estivesse medindo o declínio de seu irmão.

"Eu ouvi rumores, Eduardo", disse Helena, em um tom mais baixo, mas ainda audível. "Rumores sobre você e… uma moça de origem humilde. Confesso que fiquei surpresa. Pensei que você tivesse mais discernimento."

Eduardo apertou o maxilar. "Sofia é uma pessoa maravilhosa, Helena. E ela me faz bem."

"Ah, sim, o 'bem'", Helena riu, um som seco e sem alegria. "O 'bem' que te distrai dos seus negócios, do seu futuro. O 'bem' que te faz esquecer quem você é. Lembre-se, Eduardo, você tem um nome a zelar. Um império. Você não pode se dar ao luxo de se deixar levar por… sentimentalismos baratos."

As palavras de Helena atingiram Sofia como golpes. Ela sentiu uma pontada de dor e humilhação. Via a angústia nos olhos de Eduardo, a luta interna que a presença da irmã despertava nele.

Dona Aurora, que os observava discretamente, aproximou-se com uma bandeja de chá. "Senhora Helena, seu chá. Com os biscoitos que o senhor Eduardo preparou especialmente para a ocasião."

O rosto de Helena se suavizou ligeiramente ao ver os biscoitos. Ela sabia que eram os favoritos de Eduardo, feitos com uma receita antiga da família. Era um ponto fraco que ela, às vezes, explorava.

Sentaram-se na sala de estar. Helena, com sua perspicácia aguçada, percebeu a mudança em Eduardo desde a última vez que o vira. A aura de desespero parecia ter diminuído, substituída por uma serenidade que ela não conseguia compreender. E ela sabia que a causa era Sofia.

"Então, senhorita Ribeiro", Helena disse, virando-se para Sofia com um sorriso calculista. "Imagino que você esteja bastante… encantada com a vida aqui. Tão diferente do seu passado, não é mesmo?"

Sofia respirou fundo. Ela não seria intimidada. "Minha vida sempre foi simples, senhora Montenegro. Mas isso não significa que não tenha valor."

"Ah, valor", Helena riu novamente. "O valor de quem vive à sombra dos outros? De quem se aproveita da boa vontade alheia?"

Eduardo levantou-se abruptamente, seu rosto pálido de raiva. "Helena, já chega! Você não tem o direito de falar assim com Sofia. Ela é minha convidada, e a trate com o respeito que ela merece!"

"Respeito?", Helena sibilou, seus olhos faiscando. "O respeito que você demonstra por mim ao se deixar levar por essa… distração? Você sabe o que está em jogo, Eduardo. A fusão com a empresa do seu pai. É tudo o que ele sempre quis. E você está arriscando tudo por causa de uma… paixão passageira."

A menção do pai, falecido há anos, atingiu Eduardo em cheio. Ele sabia que Helena estava certa em parte. A fusão era crucial para o futuro do império que seu pai construíra com tanto esforço. Mas ele não podia simplesmente descartar o que sentia por Sofia.

"Eu não estou arriscando nada, Helena", disse Eduardo, sua voz firme, embora com uma nota de cansaço. "Eu estou encontrando um novo caminho. Um caminho onde a felicidade não é negociável."

Helena o encarou, uma mistura de fúria e frustração em seus olhos. Ela sabia que não conseguiria manipulá-lo facilmente. "Você está sendo tolo, Eduardo. Essa mulher não te trará nada além de problemas. Ela não pertence a este mundo."

"Ela pertence ao meu mundo, Helena. E é só isso que importa", respondeu Eduardo, um brilho de desafio em seus olhos.

Sofia observava a cena, o coração apertado. Ela via a dor nos olhos de Eduardo, a pressão que Helena estava exercendo sobre ele. Ela sabia que sua presença ali, por mais genuína que fosse, estava se tornando um ponto de conflito entre os irmãos.

Helena levantou-se, seu olhar fixo em Eduardo. "Eu vim te avisar, Eduardo. Não me force a tomar medidas drásticas. Pense bem no que está fazendo. Pense no nome Montenegro."

Com um último olhar gélido para Sofia, Helena se virou e saiu da sala, deixando um rastro de tensão no ar.

Eduardo ficou parado por um longo momento, os punhos cerrados. Sofia aproximou-se dele, hesitante.

"Eduardo…", ela começou, a voz suave.

Ele se virou para ela, seus olhos cheios de uma dor profunda. "Ela está certa, Sofia. Não é fácil. Minha família… eles nunca vão aceitar você."

"Eu não me importo com o que eles pensam", disse Sofia, segurando a mão dele. "Eu me importo com o que você sente. E com o que eu sinto."

Eduardo apertou a mão dela, sentindo um fio de esperança em meio à tempestade. A sombra do passado, representada por Helena, havia lançado sua escuridão sobre eles. Mas a força do sentimento que os unia, a coragem de Sofia e a vulnerabilidade recém-descoberta de Eduardo, eram uma luz que, talvez, pudesse dissipar as trevas. A luta, no entanto, estava apenas começando.

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