Sua para Sempre II

Capítulo 5 — A Casa em Alvoroço e os Fantasmas do Passado na Mesa de Jantar

por Valentina Oliveira

Capítulo 5 — A Casa em Alvoroço e os Fantasmas do Passado na Mesa de Jantar

O clima na mansão dos Vasconcelos mudou radicalmente após a reconciliação de Isadora e Lucas. Um ar de otimismo e esperança pairava no ar, visível no sorriso mais frequente de Dona Cecília e na cumplicidade que agora irradiava do casal. Isadora se sentia mais leve, o peso da culpa e da saudade diminuindo a cada dia que passava ao lado de Lucas. Ele, por sua vez, parecia ter recuperado a jovialidade que ela tanto lembrava, um brilho renovado em seus olhos verdes.

No entanto, a tranquilidade parecia ser um luxo que a vida raramente concedia por muito tempo. Um telefonema inesperado de Dona Clara, mãe de Lucas e sua esposa, Dona Sofia, agitou a rotina da mansão. Eles anunciaram uma visita surpresa para o fim de semana, e a notícia trouxe consigo uma onda de apreensão.

Isadora nunca teve uma relação fácil com Dona Clara. A mãe de Lucas era uma mulher de forte personalidade, acostumada a ditar as regras e a ter tudo sob controle. E Dona Sofia, embora mais suave, sempre se mostrava um pouco distante e reservada.

“Eles não vêm para cá há meses”, Lucas comentou com Isadora, enquanto organizavam a casa para receber os pais. “Acho que a notícia de você estar aqui os animou.” Ele a puxou para perto, um sorriso maroto nos lábios. “Eles sempre gostaram muito de você.”

“Eles gostavam de mim quando eu era a garota que sonhava em casar com o filho deles e cuidar da casa”, Isadora respondeu, com um toque de ironia. “Agora… não sei o que vão pensar.”

“Eles vão adorar você, porque você é você”, Lucas assegurou, beijando sua testa. “Eles vão adorar saber que estamos juntos novamente.”

Apesar das palavras de Lucas, uma ponta de nervosismo persistia em Isadora. Ela sabia que o reencontro seria um teste, especialmente com Dona Clara.

Na sexta-feira à tarde, o carro dos pais de Lucas estacionou no gramado da mansão. Dona Clara desceu primeiro, impecável em seu tailleur elegante, os cabelos curtos e grisalhos perfeitamente penteados. Dona Sofia a seguiu, um pouco mais discreta em seu vestido florido.

O reencontro foi caloroso, mas carregado de uma formalidade que Isadora não esperava. Dona Clara a abraçou com um entusiasmo que parecia forçado, seus olhos percorrendo Isadora de cima a baixo com uma avaliação silenciosa.

“Minha querida Isadora! Que alegria te ver de volta! Você está… diferente”, Dona Clara disse, um sorriso que não alcançava seus olhos. “Mais madura, eu diria.”

“Dona Clara, é uma honra tê-la de volta”, Isadora respondeu, esforçando-se para manter a compostura.

Dona Sofia foi mais acolhedora. “Isadora, querida! Que bom te ver! Sinto tanto pela Dona Cecília, mas fico feliz que você esteja aqui para apoiá-la.”

Durante o jantar, a atmosfera na sala de jantar se tornou tensa. Os pais de Lucas, acostumados a uma rotina mais sofisticada, pareciam um pouco deslocados na atmosfera tradicional da mansão. Dona Clara, em particular, parecia ter um radar apurado para qualquer deslize.

“Lucas, como anda a fábrica?”, Dona Clara perguntou, após uma pausa desconfortável. “Ainda naquela estrutura antiga? Eu sempre disse que precisávamos modernizar, investir em novas tecnologias. Mas você, meu filho, sempre foi tão teimoso quanto seu avô.”

Lucas engoliu em seco, lançando um olhar rápido para Isadora. “A fábrica está indo bem, mãe. Estamos implementando algumas mudanças, aos poucos.”

“Aos poucos não é o suficiente, Lucas”, Dona Clara retrucou, sua voz ganhando um tom mais firme. “O mercado é competitivo. Precisamos estar à frente. Talvez você devesse considerar vender a parte da fábrica em que não tem controle. Seus pais investiram muito ali, você sabe.”

A menção à venda da fábrica, um assunto delicado que Lucas vinha evitando com Dona Clara, pegou Isadora de surpresa. Ela sabia que a mãe dele sempre quis controlar os negócios da família, e essa pressão sobre Lucas a preocupava.

“Mãe, nós já conversamos sobre isso”, Lucas disse, sua voz tensa. “A fábrica faz parte da história da nossa família. Não vou vendê-la.”

Dona Clara deu uma risada curta e seca. “História não paga as contas, meu filho. Precisamos de visão de futuro. Algo que, infelizmente, você parece ter herdado de seu pai, não de mim.”

O clima na mesa ficou pesado. Dona Sofia tentou amenizar a situação, mudando de assunto. “E você, Isadora, o que tem feito? Continua pintando?”

Isadora sentiu um nó na garganta. Ela havia deixado a arte de lado por anos, focada em trabalhos mais seguros e estáveis. Mas agora, com Lucas, sentia um renovado desejo de voltar a pintar.

“Tenho pensado nisso, Dona Sofia”, Isadora respondeu, tentando soar confiante. “Tenho algumas ideias novas. Talvez, quando tudo isso aqui se acalmar, eu possa voltar a me dedicar à pintura.”

Dona Clara soltou um suspiro audível. “Pintura… Tão pouco rentável, não é mesmo? Eu esperava que você tivesse encontrado algo mais… substancial. Algo que pudesse realmente sustentar você e Lucas.”

Isadora sentiu o sangue ferver. A insinuação era clara: ela não era boa o suficiente para o filho dela.

Lucas segurou a mão de Isadora sob a mesa, transmitindo apoio. Ele a olhou com ternura, um sinal claro de que ele a defendia.

“Mãe, Isadora faz o que a faz feliz”, Lucas disse, sua voz firme, mas controlada. “E a felicidade dela é o que mais importa para mim agora.”

Dona Clara apenas ergueu uma sobrancelha, um gesto de desaprovação silenciosa. “Veremos, meu filho. O tempo dirá.”

Após o jantar, enquanto Lucas e seu pai conversavam sobre negócios na sala de estar, Dona Clara chamou Isadora para um canto do jardim. A noite era estrelada, mas a presença de Dona Clara criava uma aura sombria.

“Isadora, preciso ser sincera com você”, Dona Clara começou, sua voz fria e calculista. “Eu sempre soube que você e Lucas tinham um passado. E fico feliz que estejam juntos novamente. Mas você precisa entender o seu lugar.”

Isadora sentiu um frio na espinha. “Não sei do que a senhora está falando.”

“Sei que você foi embora, que buscou seu próprio caminho. E isso é admirável, até certo ponto. Mas Lucas é um Vasconcelos. Ele tem responsabilidades, um futuro a construir. E você… você tem um histórico de impulsividade. Não quero que você o atrapalhe.” Dona Clara deu um passo à frente, seu olhar penetrante. “Eu não quero que você o faça sofrer novamente. E, para ser honesta, não acho que você seja a mulher certa para ele.”

As palavras atingiram Isadora como um golpe. Ela sentiu as lágrimas arderem em seus olhos, mas se recusou a chorar na frente de Dona Clara.

“Dona Clara, eu amo Lucas. E ele me ama. E nós não vamos deixar que ninguém, nem mesmo a senhora, interfira em nosso relacionamento”, Isadora disse, sua voz firme, apesar da emoção.

Dona Clara sorriu, um sorriso cruel. “Vamos ver quanto tempo esse amor dura, querida. O mundo real é muito diferente dos seus sonhos de artista. E Lucas precisa de alguém forte, alguém que o ajude a gerenciar o império Vasconcelos, não alguém que o distraia com telas e pincéis.”

Isadora a olhou nos olhos, a determinação crescendo em seu peito. Ela não seria mais a jovem covarde que fugiu. Ela amava Lucas, e lutaria por ele, por eles.

“O tempo dirá, Dona Clara”, Isadora repetiu as palavras da sogra, mas com um tom de desafio. “E eu estou aqui para ficar.”

Ela se virou e caminhou de volta para a casa, o coração apertado, mas com uma nova força. Os fantasmas do passado haviam chegado para assombrar sua mesa de jantar, mas ela estava pronta para enfrentá-los. O amor que renascera entre ela e Lucas seria sua arma, sua armadura. E ela não permitiria que ninguém, nem mesmo a poderosa Dona Clara, o destruísse novamente. A batalha pela felicidade deles havia apenas começado.

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