Alma Gêmea II
Capítulo 13 — A Teia de Aranha de Valença e o Sussurro da Verdade
por Valentina Oliveira
Capítulo 13 — A Teia de Aranha de Valença e o Sussurro da Verdade
A noite caiu sobre a cidade, tingindo o céu de tons arroxeados e alaranjados, mas dentro de Isabella, a escuridão parecia ter se aprofundado. A proposta de Vivian ecoava em sua mente como um veneno doce, uma promessa de respostas que vinha embrulhada em perigo e manipulação. Ela se sentia como uma aranha presa na teia de Valença, cada movimento apenas a aproximando mais do predador. As revelações de André haviam aberto uma porta para a verdade, mas Vivian parecia querer arrastá-la por outra, ainda mais sinuosa e perigosa.
Ela voltou para o seu quarto, o medalhão de André em sua mão, um lembrete constante do amor que a ancorava em meio à tempestade. Mas mesmo o amor parecia insuficiente para afastar o medo. Valença. A menção desse nome trazia à tona uma sensação de pavor gelado. Ela se lembrava dele de eventos sociais, sempre com seu terno impecável e um sorriso frio, uma figura imponente que exalava poder e crueldade. Saber que ele estava no centro de toda a dor que ela e André haviam sofrido era um golpe devastador.
"Dona Lurdes, a senhora conhece o senhor Valença?", Isabella perguntou, a voz baixa, quase hesitante.
A governanta parou, o rosto tomado por uma expressão de cautela. "Sei quem ele é, Isabella. Um homem poderoso. E com uma reputação que não é das melhores. Dizem que ele não tem escrúpulos para conseguir o que quer."
Isabella assentiu, o estômago apertado. A descrição de Dona Lurdes confirmava seus piores temores. "Vivian disse que ele trabalhou com o meu tutor. Que planejou tudo para arruinar a minha família."
Dona Lurdes suspirou, seus olhos fixos em Isabella. "Vivian é uma mulher perigosa, minha filha. Ela sempre teve seus próprios interesses. Cuidado com o que ela lhe oferece. As verdades que ela conta podem ter um preço muito alto."
"Eu sei, Dona Lurdes. Mas… se for verdade… se Valença for o responsável por tanta dor… eu preciso saber. Preciso confrontá-lo."
"E o André sabe disso?", perguntou Dona Lurdes, a preocupação evidente em sua voz.
"Eu não contei a ele sobre a proposta de Vivian. Ainda. Não quero que ele se preocupe. Mas ele me deu as provas de que o meu tutor e outras pessoas estavam envolvidos. Ele quer que eu use essas informações para provar a verdade."
Naquela noite, Isabella mal conseguiu dormir. As imagens do passado se misturavam aos planos futuros, criando um turbilhão de ansiedade. Ela revivia os momentos de dor e confusão, as palavras cruéis de sua irmã, a desconfiança em seu próprio lar. E agora, a perspectiva de desmascarar Valença parecia a única maneira de encontrar paz.
No dia seguinte, assim que o sol nasceu, Isabella já estava de pé, decidida. Ela precisava de um plano. A proposta de Vivian era tentadora, mas ela não podia confiar cegamente. Ela precisava de uma forma de obter as provas de Vivian e, ao mesmo tempo, de se proteger.
Ela ligou para André. "André, preciso que você me ajude. Algo aconteceu. Vivian me procurou."
A voz de André se tornou tensa. "Vivian? O que ela quer?"
Isabella explicou a proposta de Vivian, a oferta das provas contra Valença em troca de uma aliança perigosa. André ouviu atentamente, a raiva crescendo em sua voz.
"Essa mulher é perigosa, Isabella. Ela vai te usar. Não confie nela."
"Eu sei, André. Mas ela disse que tem provas contra Valença. E se for verdade… se ele for realmente o responsável… eu preciso confrontá-lo."
"Eu te entendo, meu amor. Mas não podemos cair na armadilha de Vivian. Vamos pensar em uma maneira de conseguir essas provas sem nos expor ao perigo."
Eles passaram a manhã planejando. André, com sua experiência em lidar com o lado sombrio dos negócios, sugeriu uma forma de interceptar as provas de Vivian, usando recursos discretos para garantir que elas fossem autênticas e, ao mesmo tempo, neutralizar qualquer tentativa de manipulação por parte dela.
"Vamos fazer o seguinte", André disse, a voz firme e decidida. "Você vai encontrar Vivian. Você vai fingir que aceita a proposta dela. Peça para ela lhe mostrar as provas antes. Enquanto isso, eu terei uma equipe monitorando a entrega. Se as provas forem autênticas e não estiverem comprometidas, nós as teremos. E se Vivian tentar algo… nós estaremos preparados."
Isabella sentiu um alívio imenso. Ter André ao seu lado, planejando cada passo, a fazia sentir-se mais forte. "Obrigada, André. Eu não saberia o que fazer sem você."
"Nós faremos isso juntos, meu amor. Como sempre", ele respondeu, a voz carregada de amor e determinação.
No início da tarde, Vivian chegou à casa de Isabella, como prometido. Ela trazia uma pasta grossa, um sorriso confiante em seu rosto.
"Pronta para fazer um acordo, querida?", Vivian perguntou, sentando-se na poltrona.
"Estou disposta a ouvir", Isabella respondeu, tentando manter a voz calma e firme. "Mas antes, quero ver as provas. Quero ter certeza de que você está falando a verdade."
Vivian abriu a pasta, revelando documentos, cópias de e-mails e um pequeno pendrive. "Aqui está. Tudo o que você precisa para provar que o senhor Valença e o seu tutor planejaram a sua ruína. Eles não apenas roubaram sua mãe, mas também a manipularam para que ela se afastasse de você. E a sua irmã, Laura… ela foi usada como uma ferramenta para isso."
Enquanto Vivian falava, Isabella observava cada detalhe, a mente trabalhando rapidamente. Ela sabia que o pendrive era a chave. Se André conseguisse acessá-lo com segurança, teriam a prova definitiva.
"E o que você quer em troca, exatamente?", Isabella perguntou, fingindo uma curiosidade inocente.
Vivian sorriu, um brilho de ganância em seus olhos. "Eu quero ver o senhor Valença cair. E quero que você me ajude a garantir que ele pague por tudo. Em troca, você terá as provas e a minha… colaboração."
Isabella assentiu lentamente. "Tudo bem. Eu aceito. Mas as provas precisam ser autênticas. E preciso de tempo para analisá-las."
Vivian entregou o pendrive para Isabella. "Faça como quiser. Mas lembre-se da nossa promessa. Sem traições."
Assim que Vivian saiu, Isabella pegou o celular e ligou para André. "Eu tenho o pendrive. Ela me deu."
"Ótimo. Mantenha a calma. Agora vamos analisar isso com cuidado", André respondeu.
Enquanto a equipe de André trabalhava para decifrar o conteúdo do pendrive, Isabella sentiu um leve tremor em sua poltrona. Era um sussurro, quase inaudível, vindo de um canto escuro da sala.
"Não confie nela, Isabella. A verdade é mais complexa do que você imagina."
Isabella congelou. A voz era fraca, quase etérea, mas inconfundível. Era a voz de sua mãe.
"Mãe?", ela sussurrou, olhando ao redor, mas não havia ninguém.
O sussurro voltou, um pouco mais claro. "Valença… ele é apenas uma peça. A teia é maior. E Vivian… ela também é parte dela. Cuidado com o que você acredita. A verdade nem sempre está onde parece."
As palavras de sua mãe, após tantos anos de silêncio, ecoaram em sua alma. A teia é maior. Vivian também faz parte dela. A realidade que Isabella pensava estar desvendando se tornava ainda mais complexa e assustadora. A voz de sua mãe, um fantasma do passado, trazia um aviso crucial. Vivian não era uma aliada, mas sim mais uma peça no tabuleiro de Valença, ou talvez, uma jogadora independente com seus próprios planos sombrios.
O pendrive, que deveria trazer a clareza, agora parecia um convite para um labirinto ainda mais profundo. A teia de aranha de Valença era intrincada, e o sussurro da verdade, vindo da voz de sua mãe, a alertava sobre os perigos que se escondiam nas sombras, e sobre a verdadeira natureza da traição.