Cap. 16 / 21

Alma Gêmea II

Alma Gêmea II

por Valentina Oliveira

Alma Gêmea II

Romance Romântico Autor: Valentina Oliveira

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Capítulo 16 — O Véu Rasgado e o Fogo da Verdade

O sol da manhã, preguiçoso e dourado, espreitava pelas frestas das persianas do quarto luxuoso. O quarto, antes palco de segredos sussurrados e noites insones, agora era um santuário de paz tensa. Marina, os olhos inchados de quem chorou até o amanhecer, mas com uma determinação inabalável queimando em seu olhar, levantou-se da cama. A seda do roupão deslizou por seus ombros, fria contra a pele marcada pela noite. As palavras de Eduardo ecoavam em sua mente, cada sílaba um punhal afiado perfurando o véu de ilusões que a cercava há anos. A verdade, nua e crua, era um monstro que ela jamais imaginara enfrentar.

Olhou-se no espelho, um reflexo que mal reconhecia. Os traços outrora suaves, marcados por uma ingenuidade confiante, agora eram moldados pela dor e pela força recém-descoberta. O sorriso que sempre iluminara seu rosto parecia pálido, quase fantasmagórico. "Mas eu não vou me quebrar", murmurou para o espelho, a voz rouca, mas firme. "Não depois de tudo que eu passei."

Desceu as escadas, o som dos seus passos ecoando na casa silenciosa. O cheiro de café fresco pairava no ar, mas o aroma reconfortante de outrora parecia agora distante, alheio à tempestade que se formava dentro dela. Na sala de estar, encontrou Eduardo, sentado à mesa de centro, um copo de uísque pela metade na mão, o olhar perdido no nada. Ele parecia um homem envelhecido em questão de horas.

"Eduardo", disse Marina, a voz suave, mas carregada de uma autoridade que ele nunca vira antes.

Ele ergueu os olhos, um misto de surpresa e apreensão cruzando seu rosto cansado. "Marina... você está acordada."

"Eu não podia mais dormir", respondeu ela, sentando-se na poltrona em frente a ele. "Precisamos conversar. De verdade."

Eduardo suspirou, o som como o rasgar de um pano velho. "Eu sei. E eu sinto muito, Marina. Por tudo. Por cada mentira que te contei."

"Mentiras são palavras. E as palavras podem ser ditas. O que me machuca é que você as escondeu. Por anos. Me deixou viver em um mundo que não era real." Marina apertou as mãos no colo, os nós dos dedos brancos. "Por quê, Eduardo? Por que você fez isso comigo? Com a gente?"

Ele hesitou, a busca por palavras adequadas um suplício visível em seu rosto. "Medo. Medo de te perder. Medo de te machucar ainda mais. Medo de que a verdade fosse insuportável." Ele riu, um som sem humor. "E aqui estamos nós. A verdade é insuportável, de qualquer forma."

"O que você tem a ver com a situação da empresa? Com as acusações contra o meu pai?" A pergunta pairou no ar, carregada de um peso terrível.

Eduardo desviou o olhar. "Eu tentei te proteger, Marina. Eu tentei te poupar da dor. Mas o tempo passou, e as coisas se complicaram. Seu pai... ele se envolveu com pessoas perigosas."

"E você?", Marina o encarou, a voz agora um fio de aço. "Você se tornou um deles?"

O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor. O olhar de Eduardo, antes perdido, agora era um turbilhão de emoções: culpa, arrependimento, desespero. "Eu... eu cometi erros, Marina. Erros graves. Eu nunca quis que você soubesse."

"Mas eu sei agora", ela disse, levantando-se. A calma que a envolvia era assustadora. "E eu preciso saber tudo. Sem rodeios. Sem meias palavras. Quero a verdade sobre o meu pai, sobre você, sobre o que aconteceu. E quero entender como tudo isso se conecta com a Alice." A menção do nome da irmã trouxe uma nova onda de dor e fúria.

Eduardo encarou-a, os olhos marejados. "Alice... ela era tão inocente. E foi usada. Manipulada."

"Por quem?", Marina exigiu, dando um passo em direção a ele. "Quem fez isso com ela? Quem te forçou a se envolver em tudo isso?"

Ele se levantou também, a postura curvada sob o peso da confissão. "Valença. Fernando Valença. Ele me chantageou. Usou minhas dívidas, minhas fraquezas. Ele sabia sobre você, sobre o nosso relacionamento secreto. Ele ameaçou expor tudo, destruir a minha carreira, a minha vida. E ele sabia que você jamais me perdoaria se soubesse a verdade sobre o meu envolvimento com os negócios sujos do seu pai."

As palavras de Eduardo caíram como pedras no silêncio da sala. Marina sentiu o chão sumir sob seus pés. Valença. O homem sorridente, o empresário respeitado, o mentor que ela admirara. Aquele que, segundo ele, era um amigo da família. A máscara havia caído, revelando o monstro por trás.

"Valença...", Marina repetiu o nome, a voz embargada. "Ele armou tudo? Ele incriminou o meu pai?"

"Ele usou as informações que conseguiu com você, Marina. As suas idas à empresa, as suas conversas com o seu pai. Ele manipulou as provas. E me forçou a cooperar." Eduardo pegou nas mãos de Marina, o toque hesitante. "Eu tentei resistir. Tentei te proteger do meu jeito, fingindo que tudo estava bem. Mas ele é implacável. E eu era um covarde."

Lágrimas quentes começaram a rolar pelo rosto de Marina, mas não eram mais lágrimas de dor ou confusão. Eram lágrimas de fúria. "Covarde", ela repetiu, a voz agora trêmula de raiva. "Você me chama de covarde? Você, que se vendeu? Que permitiu que essa podridão se espalhasse?"

Ela puxou as mãos, afastando-se dele. "Eu confiei em você, Eduardo. Eu te amei. E você me traiu. Você traiu o meu pai. Você traiu a memória da minha irmã."

"Marina, por favor...", ele implorou, a voz embargada.

"Não!", ela gritou, a voz ecoando pela casa. "Não me peça nada. Você destruiu tudo. Destruiu a minha confiança, destruiu a minha família. Eu preciso entender o que aconteceu com a Alice. O que Valença fez com ela? O que você permitiu que ele fizesse?"

A pergunta pairou no ar, pesada, a resposta aguardando, sombria e terrível. Marina sabia que a verdade, por mais dolorosa que fosse, era o único caminho. O véu havia sido rasgado, e agora ela estava exposta ao fogo da verdade, que a consumiria, mas também a purificaria. Ela não era mais a mesma Marina que ele conhecera. Ela era uma mulher que encontrara sua força na escuridão.

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