Cap. 17 / 21

Alma Gêmea II

Capítulo 17 — O Labirinto da Memória e o Grito Silencioso

por Valentina Oliveira

Capítulo 17 — O Labirinto da Memória e o Grito Silencioso

Os dias que se seguiram foram um borrão de desespero e uma busca incessante por respostas. Marina, armada com a chocante confissão de Eduardo, mergulhou de cabeça no labirinto da memória e dos segredos. A verdade sobre Valença e o envolvimento de Eduardo na incriminação de seu pai a deixaram em um estado de choque profundo, mas também a impulsionaram a ir mais fundo. O nome de Alice, antes um fantasma de dor, agora era o centro de uma investigação pessoal e angustiante.

Ela vasculhou arquivos antigos, documentos esquecidos, diários que o pai mantivera em segredo. Cada papel, cada anotação, era uma peça de um quebra-cabeça complexo e perigoso. As conversas com Eduardo, embora dolorosas, tornaram-se mais frequentes. Ele, consumido pela culpa, começou a desvendar cada vez mais os detalhes sombrios do esquema de Valença.

"Ele me forçou a desviar fundos, Marina", Eduardo confessou em uma tarde cinzenta, o olhar fixo nas gotas de chuva que escorriam pela janela. "Valença sabia que seu pai era um homem íntegro, mas com uma visão audaciosa. Ele explorou isso. Criou projetos paralelos, sombras financeiras, para incriminar seu pai e assumir o controle da empresa."

Marina ouvia em silêncio, a cada palavra, a figura de seu pai se transformava, não em um homem falho, mas em uma vítima astuta de um plano diabólico. "E a Alice? O que Valença tinha a ver com a Alice?" A pergunta era um sussurro rouco, carregado de um medo primordial.

Eduardo hesitou, o corpo tenso. "Ele... ele usou a ligação dela com você. A proximidade que ela tinha com os negócios da família. Ele a fez acreditar que estava ajudando seu pai. Deu a ela informações que poderiam ser mal interpretadas, que poderiam parecer incriminatórias."

"Mas ela era tão jovem...", Marina disse, as lágrimas começando a se acumular. "Ela não entenderia as consequências."

"Exatamente. Valença era mestre em manipulação. Ele a fez sentir importante, a fez acreditar que era uma aliada. E depois, quando as coisas começaram a desmoronar, ele a descartou. A deixou à própria sorte." A voz de Eduardo falhou. "Ele a fez acreditar que você estava contra ela, que você a abandonaria. Ele a isolou."

O grito silencioso de Alice ressoou na mente de Marina. A incompreensão em seus olhos, o medo em seu sorriso forçado, as palavras evasivas. Tudo fazia sentido agora. Sua irmã, sua pequena Alice, havia sido cruelmente explorada.

Marina buscou por registros de hospitais, por notícias antigas, por qualquer menção a um evento que pudesse ter sido o gatilho para o declínio de Alice. Ela encontrou um artigo sobre um acidente de carro na época em que Alice estava mais fragilizada. O artigo mencionava um "desgaste emocional" como causa. Mas agora, com as revelações de Eduardo, Marina suspeitava de algo mais sinistro.

"Eduardo, você sabe alguma coisa sobre o acidente da Alice?", Marina perguntou, a voz tensa.

Ele balançou a cabeça. "Eu não sei os detalhes. Valença apenas disse que ela foi um 'incidente lamentável'. Ele não quer que eu me envolva com isso. Ele me manteve afastado dos assuntos pessoais dela. Mas eu... eu sinto que há mais coisas envolvidas."

Marina sentiu um arrepio correr pela espinha. Havia uma frieza calculista na maneira como Valença agia, um desprezo pela vida humana que a aterrorizava. Ela precisava encontrar mais provas. Precisava desenterrar a verdade, mesmo que isso significasse reabrir feridas antigas e expor segredos que a destruíriam.

Ela voltou ao escritório do pai, agora um lugar de memória e descoberta. Vasculhou as gavetas, os armários, os cantos empoeirados. Encontrou um pequeno caderno, escondido sob uma pilha de relatórios. O caderno pertencia a Alice. As páginas estavam repletas de desenhos, de poemas infantis, e, em algumas partes, de anotações mais sombrias, escritas com uma caligrafia tremida.

As anotações falavam de "sombras" e de um "homem mau" que a observava. Havia menções a encontros secretos, a presentes caros que a deixavam desconfortável. Marina leu com o coração apertado, a dor de Alice se misturando à sua. Em uma das últimas páginas, Alice escrevera: "Ele disse que a mamãe e o papai não me amam mais. Que só você pode me proteger, Marina. Mas eu acho que ele está mentindo."

A revelação foi um soco no estômago. Valença havia manipulado Alice, a feito acreditar que estava sozinha, abandonada. Ele usara a fragilidade dela para seus próprios fins.

Marina fechou o caderno, as lágrimas escorrendo livremente. Ela sentiu uma onda de raiva e determinação percorrer seu corpo. Ela não seria mais uma vítima. Ela lutaria. Lutaria por seu pai, lutaria por Alice, lutaria por si mesma. A memória de sua irmã, o grito silencioso que ela sentia ecoar em sua alma, a impelia para frente. Ela precisava vingar a inocência perdida, a vida roubada.

Naquela noite, Marina decidiu que não esperaria mais. Ela não podia mais viver na sombra da incerteza. Ela iria confrontar Valença. Ela não tinha todas as provas que gostaria, mas tinha a verdade em seu coração, a memória de Alice como bússola e a força de uma mulher que havia sido forjada no fogo do sofrimento. O labirinto da memória estava se abrindo, e ela estava pronta para enfrentar os monstros que o habitavam.

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